“Quanto maior o debate, melhor para a sociedade”, diz Papy no Café & Política

Presidente da Câmara assegurou que os debates políticos são necessários - Foto: Danielly Carvalho
Presidente da Câmara assegurou que os debates políticos são necessários - Foto: Danielly Carvalho

O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto (PSDB), o Papy, admitiu nesta sexta-feira (29) que uma eventual candidatura à Prefeitura da Capital em 2028 não está fora dos planos. Durante o Café & Política, realizado com lideranças políticas, empresários e imprensa, o tucano falou sobre o cenário eleitoral, a relação entre Câmara e Prefeitura, os debates travados no Legislativo e os impactos da crise envolvendo o reajuste do IPTU.

Questionado sobre rumores de bastidores de que teria sido “segurado” por lideranças como o ex-governador Reinaldo Azambuja e a senadora Tereza Cristina durante as eleições municipais, Papy afirmou que vê com naturalidade a construção de projetos políticos, mas ponderou que ainda considera cedo discutir 2028. “Político que não tem projeto nem acompanhado é time que não entra em campo, não tem torcida. Eu sou dos que pensam que, se você está na política, tem que ter projeto para disputar”, declarou. Apesar disso, ressaltou que mantém alinhamento com o grupo político liderado por Reinaldo, Eduardo Riedel e Tereza Cristina.

“Eu nunca tive uma conversa com o governador ou com o Reinaldo sobre o futuro político. Acho que eles olham para mim e veem que tenho idade pela frente. Sempre falam: ‘você é novo, deixa para depois’. Mas eu sempre vou propor os meus passos”, afirmou. Ao ser novamente questionado se a possibilidade está descartada, respondeu: “Evidentemente não é descartado”. Em seguida, ponderou que antecipar o debate eleitoral poderia prejudicar as articulações para 2026. “Falar de 2028 é muito deslocado e pode contaminar algo que estamos construindo agora para 2026”, disse.

Durante o encontro, Papy também comentou sobre os constantes embates na Câmara Municipal e afirmou que considera os debates políticos necessários, inclusive os mais ideológicos. Segundo ele, a Casa tem mantido um pacto de respeito institucional, apesar das divergências entre vereadores da base e da oposição. “Quanto maior o debate ali embaixo, melhor para a sociedade. O cara foi eleito e tem o direito de defender as pautas pelas quais recebeu voto”, afirmou, ao citar discussões envolvendo pautas ideológicas e temas ligados à comunidade LGBTQIA+.

O presidente da Câmara disse ainda que tenta conduzir os trabalhos com serenidade para evitar que os conflitos políticos ultrapassem os limites institucionais. “O debate precisa acontecer. Lá é o lugar do debate. Na rua, nas famílias, isso quebra relacionamento. Na Câmara está tudo gravado, todo mundo tem responsabilidade pelo que fala”, declarou.

Na avaliação do tucano, a Câmara tem cumprido o papel de provocar discussões importantes sobre problemas da cidade, mesmo que muitas vezes seja vista pela população como um espaço apenas de discursos. “Nosso trabalho é promover o debate. Os desdobramentos depois passam pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e Executivo”, afirmou.

Outro tema que dominou a conversa foi a crise do IPTU. Papy afirmou que a Câmara foi surpreendida pelos impactos do reajuste aplicado pela Prefeitura e criticou a falta de comunicação do Executivo sobre os critérios utilizados para atualizar os valores imobiliários da Capital. Segundo ele, o aumento foi baseado em estudos técnicos sobre valorização imobiliária, mas a população só percebeu o tamanho do reajuste quando os carnês começaram a chegar. “Todo mundo foi pego de surpresa. Inclusive ela. Acho que, quando viu o tamanho do aumento, percebeu o problema político que isso geraria”, disse.

Embora tenha reconhecido que havia distorções históricas nos valores cobrados em diferentes bairros da cidade, o presidente da Câmara avaliou que faltou transparência na condução do processo. “Comunicar bem é meio caminho. Quando você faz isso repentinamente, sem apresentar as razões e num ano já caótico, gera desconfiança”, afirmou. Papy também defendeu mudanças no modelo de cálculo do imposto, com atualização regionalizada dos valores conforme a valorização imobiliária de cada bairro. Segundo ele, a intenção é evitar distorções históricas entre regiões da Capital.

Ao falar sobre a situação administrativa de Campo Grande, o tucano afirmou que a cidade vive uma crise orçamentária grave, resultado do aumento contínuo das despesas públicas sem crescimento proporcional das receitas. “Campo Grande hoje está perto de um colapso financeiro. O buraco na rua, a falta de remédio e a falta de roçada são consequências disso”, afirmou.

Apesar das críticas, evitou atacar diretamente a prefeita Adriane Lopes (PP) e disse que tenta manter uma relação institucional com o Executivo. “Alguém precisa ter serenidade em alguns momentos, senão a coisa desanda”, concluiu. Durante o encontro, o vereador também defendeu mais diálogo entre os poderes e afirmou que a cidade precisa recuperar a capacidade de planejamento e execução. sem perder tempo.

 

Por Danielly Carvalho

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Leia mais

Prefeita promove mudanças no Executivo e define novos comandos em Licitações e Infraestrutura

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *