Denúncia teria sido feita pela farmacêutica responsável pelo Mounjaro e motivado fiscalização em clínica da Capital
Após a Clínica Canela ter sido alvo de fiscalização na manhã desta quinta-feira (14), a polícia informou, durante coletiva, que o local não adquiriu a caneta emagrecedora da farmacêutica responsável pelo Mounjaro no país.
Durante a coletiva de imprensa na Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), o delegado Wilton Vilas Boas informou que a denúncia partiu da farmacêutica contra a clínica, que anunciava a venda do Mounjaro nas redes sociais.

Crédito: Roberta Martins
“Essa operação se deu inicialmente porque houve uma denúncia por parte da empresa farmacêutica de que haveria a comercialização do produto licenciado por esse laboratório. Essa informação estava nas redes sociais e fomos até o local para fazer a averiguação. Realmente, pelo menos até o momento, essa medicação não foi encontrada”, informou o delegado.
No momento da fiscalização, estiveram presentes representantes da Vigilância Sanitária, do Procon-MS, do CRM (Conselho Regional de Medicina) e da Decon.
A enfermeira que estava no local foi presa após tentar ludibriar a verificação do depósito, sob a alegação de que o espaço armazenava apenas objetos pessoais do médico.
No local, foram encontradas 1.294 unidades de medicamentos vencidos, armazenados junto a outros produtos próprios para uso.
A Vigilância Sanitária recolheu toda a medicação imprópria para consumo. Em nota, o Procon-MS informou que a clínica está com o alvará de localização e funcionamento vencido.
Manipulação
A investigação busca entender como o fármaco era manuseado. Existe a hipótese de que o material adquirido pela clínica tenha sido enviado para laboratórios terceirizados, onde supostamente seria manipulado.
Em uma das publicações nas redes sociais, o médico utilizou o Instagram para tratar da manipulação de medicamentos, sugerindo combinações medicamentosas e justificando que o processo de “monoterapia” – isto é, o uso de apenas um remédio – tornaria o emagrecimento mais lento.
Nas redes sociais, o médico, que possui 199 mil seguidores, anuncia a venda de “Tizerpatida”, princípio ativo do Mounjaro.

Imagem Divulgação
“Essa empresa, que possui a licença, não tinha o cadastro da clínica em seu banco de dados, o que levantou a suspeita. Ao que tudo indica, essa manipulação foi realizada. Agora, vamos solicitar os prontuários e ouvir os clientes da empresa para entender como essa prescrição foi feita e se ocorreu de forma adequada“, disse o delegado.
Com relação aos produtos encontrados dentro do prazo de validade, a polícia irá apurar a origem da compra dos medicamentos.
A enfermeira presa por tentar obstruir a investigação foi transferida para a 2ª Delegacia de Polícia e segue detida até a audiência de custódia.
Por meio de nota, o CRM informou que o caso segue sob sigilo para preservar a ampla defesa e o contraditório.
Confira:
“O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), no estrito cumprimento de suas atribuições legais e em observância ao seu papel fiscalizatório, informa que acompanhou a operação realizada nesta data em uma clínica de emagrecimento na capital, em conjunto com os órgãos competentes.
A ação teve como objetivo assegurar o cumprimento das boas práticas médicas e garantir a segurança e a saúde da população. Diante dos fatos apurados, o Conselho esclarece que:
Fiscalização e Relatórios: Uma equipe técnica do CRM-MS foi enviada ao local para acompanhar a diligência. O Conselho aguarda agora o recebimento dos relatórios oficiais e autos de infração dos demais órgãos envolvidos para análise técnica e administrativa.
Sigilo Ético: Em conformidade com o Código de Processo Ético-Profissional e visando preservar a ampla defesa e o contraditório, o CRM-MS informa que procedimentos éticos e investigações internas tramitam sob sigilo.
Medidas Cabíveis: Até que o caso seja devidamente finalizado e as responsabilidades apuradas, não serão fornecidos detalhes adicionais sobre o conteúdo das investigações. Caso sejam comprovadas irregularidades ético-profissionais, serão aplicadas as sanções previstas na Lei nº 3.268/57.
O CRM-MS reitera seu compromisso com a ética médica e com a proteção da sociedade, zelando pelo exercício digno da medicina em nosso estado”.
Crimes pelos quais a clínica irá responder:
– Venda casada por meio das redes sociais;
– Manter em depósito produtos impróprios para consumo.
“Em tese, o que está sendo autuado hoje é o armazenamento de produtos impróprios para consumo”, pontuou o delegado e completou:
“Esses produtos são considerados impróprios por estarem com o prazo de validade vencido. Então, o que deveria ter sido feito? Eles precisariam estar separados dos demais. A gente não sabe se o produto seria utilizado ou não. Também deveria haver uma identificação informando: ‘produtos a serem descartados’. Vamos investigar isso.”
Próximos passos:
– A clínica tem 10 dias para apresentar os prontuários dos pacientes;
– Apresentar a documentação referente à origem dos fármacos, assim como os locais onde seriam manipulados (laboratórios terceirizados).
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