A farmacêutica responsável técnica da Clínica Canela, especializada em emagrecimento, foi conduzida à delegacia nesta quinta-feira (14), após uma fiscalização localizar 1294 caixas de medicamentos e vencidos, acondicionados junto a produtos dentro da validade, em Campo Grande. A informação divulgada inicialmente era de 484 frascos de medicamentos vencidos apreendidos.
Apesar das irregularidades identificadas durante a operação, a clínica não foi interditada e segue funcionando normalmente. Os medicamentos estavam armazenados em uma sala separada do estabelecimento, na Rua Joaquim Murtinho, que, segundo a equipe da clínica, seria utilizada como depósito e para guardar objetos de funcionários.
A ação foi realizada por equipes do Procon, Vigilância Sanitária, Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) e CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), após denúncia encaminhada à Vigilância Sanitária.
Conforme apurado, a condução da farmacêutica ocorreu porque a legislação sanitária proíbe o armazenamento de medicamentos vencidos junto àqueles ainda próprios para uso. A perícia da Decon foi acionada para analisar os produtos encontrados no local.
Durante a fiscalização, outros problemas também foram apontados pelos órgãos envolvidos. O CRM-MS informou ter identificado medicamentos antiarrítmicos vencidos, ausência de insumos no carrinho de emergência, prescrição inadequada de terapia hormonal e publicidade considerada enganosa por divulgar especialidade não reconhecida.
Já a Vigilância Sanitária investiga possível aquisição e dispensação irregular de medicamentos, enquanto o Procon apura suspeita de venda casada, diante da informação de que pacientes seriam direcionados a comprar medicamentos manipulados pela própria clínica. Também não teriam sido apresentados alvará de funcionamento atualizado nem protocolo de renovação do documento.
Inicialmente, o médico Jonathas Canela negou irregularidades e afirmou que todos os medicamentos utilizados possuem procedência, rastreabilidade e seguem as normas da Anvisa. Após a fiscalização, a defesa alegou que os medicamentos apontados como vencidos tinham validade até este mês.
Em nota oficial, a Clínica Canela afirmou que colabora integralmente com as autoridades e ressaltou que não fabrica, manipula, rotula ou comercializa medicamentos de forma irregular. A defesa também negou prática de venda casada e declarou que os pacientes têm liberdade para adquirir medicamentos em qualquer estabelecimento de confiança. Segundo a clínica, eventuais apontamentos administrativos estão sendo apurados internamente, com revisão dos protocolos e adoção imediata de medidas corretivas.
1294 caixas de medicamentos e vencidos, acondicionados junto com os demais produtos
enfermeita está presa por tentar intervir na investigação e será encaminhada para a delegacia
* Matéria atualizada às 16h20
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