Paralisação de professores fecha escolas municipais e deixa mais de 110 mil alunos sem aula em Campo Grande

Escola Municipal José Rodrigues Benfica, na manhã desta sexta-feira (12) - Foto: Nilson Figueiredo
Escola Municipal José Rodrigues Benfica, na manhã desta sexta-feira (12) - Foto: Nilson Figueiredo

As escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) amanheceram com os portões fechados nesta sexta-feira (12), em Campo Grande, devido à paralisação dos professores da rede municipal. Com a mobilização da categoria, não houve aulas para os estudantes durante o período do movimento, que cobra da prefeitura o cumprimento do reajuste de 5,4% previsto na política do Piso 20h.

A reportagem esteve na Escola Municipal José Rodrigues Benfica, no Bairro Amambaí, e na Escola Municipal Alcídio Pimentel, na Vila Carvalho, onde avisos afixados nos portões informavam pais e responsáveis sobre a suspensão das atividades. O comunicado esclarecia que não haveria atendimento às turmas do grupo ao 9º ano nos períodos matutino e vespertino em razão da “paralisação dos professores”.

Comunicado de paralisação, fixado no portão da Escola Alcídio Pimentel – Foto: Nilson Figueiredo

As unidades também informaram que o dia letivo será reposto em data a ser divulgada posteriormente. Durante o período em que a equipe esteve nas escolas, não foram registradas movimentações de pais ou responsáveis em busca de atendimento, indicando que a comunicação prévia sobre a suspensão das aulas alcançou as famílias antes do início do expediente.

A paralisação foi aprovada na última segunda-feira (8), durante Assembleia Geral Extraordinária promovida pela ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), que reuniu cerca de 300 trabalhadores da educação. Segundo o presidente da entidade, Gilvano Kunzler, a decisão foi tomada diante da falta de avanços nas negociações com o Executivo municipal. A principal reivindicação é o cumprimento da legislação municipal que instituiu a política do Piso 20h para os profissionais da educação pública.

O ato da categoria teve início às 7h30, na sede da ACP, com posterior caminhada até a Prefeitura de Campo Grande. Os manifestantes cobram uma posição da administração municipal sobre a aplicação do reajuste de 5,4%.

Pais e responsáveis que não sabiam da paralisação, encontraram os portões das escolas fechados – Foto: Nilson Figueiredo

Em entrevistas recentes, a prefeita Adriane Lopes afirmou que as negociações foram impactadas pela alteração do percentual do piso nacional dos professores, que passou de 0,37% para 5,4%. Segundo ela, o aumento determinado pelo Governo Federal não foi acompanhado de novos repasses para auxiliar os municípios no custeio da folha salarial. A chefe do Executivo também destacou que Campo Grande paga atualmente R$ 4,6 mil aos professores com jornada de 20 horas semanais, valor que, segundo a prefeitura, supera em 71% o piso nacional da categoria.

A mobilização ocorre menos de dois meses após outro protesto realizado pelos professores da Capital. Em abril, profissionais da educação se concentraram no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho para reivindicar melhorias relacionadas às redes municipal e estadual de ensino.

Com a paralisação, pais e responsáveis devem acompanhar os comunicados oficiais das escolas para saber quando ocorrerá a reposição das aulas. Até o momento, as datas ainda não foram divulgadas.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Campo Grande para comentar a paralisação desta sexta-feira.

A Semed (Secretaria Municipal de Educação) informou por meio de nota que a suspensão das aulas nesta sexta-feira (12) ocorrerá em todas as unidades da Rede Municipal de Ensino, em razão da paralisação das atividades docentes comunicada pela categoria.

A nota informa ainda que, em decorrência disso, as formações pedagógicas previstas para a data também não serão realizadas e serão reprogramadas em momento oportuno e esclarece que todas as unidades escolares permanecerão fechadas, sem atendimento administrativo.

O comuicado finaliza que o cronograma de reposição será divulgado em breve, assegurando o cumprimento dos 200 dias letivos e das 800 horas anuais, conforme estabelece a legislação educacional vigente.

 

* Matéria atualizada às 8h35 para acréscimo do comunicado da Semed

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