Governo assina PPP e empresa deve assumir 12 setores do Hospital Regional em oito meses

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

O contrato prevê que a iniciativa privada tenha o comando do corpo administrativo e operação do hospital até 2030

 

O governo de Mato Grosso do Sul assinou, nesta segunda-feira (11), o contrato da PPP (Parceria Público Privada) com a Inova Saúde MS para a concessão dos serviços administrativos e operacionais do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) à iniciativa privada. O processo para que a empresa detenha 100% do comando das áreas cedidas será feito por etapas, inicialmente com 12 setores sendo transferido para sua competência.

Agora, a Inova terá oito meses para planejamento e deve assumir, de imediato, departamentos, como a CME (Central de Material e Esterilização), recepção, vigilância, estacionamento, lavanderia e rouparia, limpeza do local, coleta com destinação dos resíduos, manutenção e conversações dos jardins, bem como o departamento de nutrição, transporte interno e externo de pacientes, o Serviços de Arquivo Médico e Estatísticos e os serviços de faturamento.

Em seu discurso, o diretor-presidente da Inova — subsidiária da Construcap, empresa vencedora do leilão do HR realizado na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), em dezembro de 2025 — Vinícius Battistella, os primeiros passos serão dados ao lado do governo e, conforme os meses forem passando, outros setores serão assumidos pela Inova, sendo que a gestão completa e independente do Poder Público será efetivada quando o novo bloco hospitalar estiver concluído.

“Isso ainda é uma operação assistida, onde nós estaremos lado a lado com o poder público, que ainda vai estar presente. Após o planejamento e 12 meses iniciada a primeira etapa, vamos assumir a logística farmacêutica e a compra de medicamentos”, detalhou.

Na terceira etapa, que deve acontecer dentro de 2 anos e meio, a Inova acrescenta as operações na engenharia clínica, manutenção predial e o departamento de TI (tecnologia da informação). Paralelamente, a Construcap estará construindo o novo bloco, que deve ser entregue já com a gestão completamente assumida pela Inova.

“Com a conclusão da construção, a gente começa a operar totalmente as operações do novo bloco, porém, continuaremos com a participação do Estado no outro bloco, que estará passando por um retrofit. Lá no 26º mês após a assinatura do contrato nós assumimos a operação plena e total, incluindo as operações do bloco antigo”, pontuou.

Importante ressaltar que a assistência médica e de enfermagem continuará vinculada ao SUS (Sistema Único de Saúde), oferecendo consultas, procedimentos, exames e cirurgias, inclusive de alta complexidade, de forma gratuita e sem qualquer tipo de oneração ao público.

O governador de MS, Eduardo Riedel, que esteve presente no evento e concedeu entrevista coletiva, afirmou que a concessão das atividades administrativas e operacionais do hospital foi a saída encontrada para que a população tenha acesso à saúde de qualidade com a permanência da gratuidade.

“Depois de muito tempo estudando diversos modelos, uma PPP, que envolvesse a ampliação do hospital, a construção a partir estruturais e físicas, a modernização, não apenas do ponto de vista da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão, foi o melhor maneira de gerir um equipamento como um hospital público, com as características que tem, de oferecer serviço gratuito para toda a população e com recursos que caibam dentro do orçamento do Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Questionado sobre o quanto a parceria irá custar ao Estado e quanto a empresa contratada irá receber de lucro, Riedel disse que o importante é que a PPP traga resultados para a Saúde de MS. Ao todo, serão investidos R$ 7,3 bilhões em operação e mais R$ 966 milhões em obras de ampliação, modernização e renovação tecnológica.

“No final das contas, esse lucro vem acompanhado de resultado. O ganho de eficiência, na sua maioria das vezes, remunera esse lucro, sendo que esse ganho de eficiência, inclusive, é maior do que o lucro. O tempo de internação, inclusive, vai cair de 7 para 5 dias, então, as economias são feitas na gestão de todo o hospital em relação a materiais e insumos”, destacou, apontando que quase os mesmos valores já são investidos, mas sem que sejam alcançados os resultados esperados.

Foto: Nilson Figueiredo

Retrofit do Hospital Regional

O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, lembrou que, além da gestão técnica do hospital, o leilão foi realizado com o objetivo de construir mais um bloco hospitalar e ampliar o número de leitos de 350 para 550 e investir tecnologia para diminuir filas e tempo de permanência dos pacientes, reduzindo os custos operacionais.

“Nós fomos atrás não só de fazer uma parceria público-privada para a gestão, mas para a ampliação deste hospital de 350 leites para 550 leites, já numa estrutura moderna, contemporânea, hoje as estruturas de saúde necessitam de projetos estruturais, arquitetônicos, projetos de processos muito bem estruturados, porque você pode ter a necessidade de adequar, adaptar aquela estrutura hospitalar a qualquer modelo de estrutura epidemiológicaque possa ocorrer como foi com a pandemia”, disse.

Ainda segundo o secretário, a pasta está ciente dos problemas estruturais que hoje afetam o hospital, o que justifica ainda mais a necessidade da PPP, uma vez que os recursos públicos não são suficientes para manter a gestão do hospital.

O projeto prevê ainda reforma (retrofit) do bloco já existente, com aquisição e instalação de equipamentos médico-hospitalares, mobiliário clínico e instrumentação cirúrgica de ponta.

Privatização da saúde municipal

Riedel aproveitou para criticar a decisão dos vereadores de Campo Grande que recusaram a proposta de privatização dos serviços de saúde operados pela prefeitura da Capital.

“Eu sinto muito pela decisão da Câmara, porque alguns não entendem que pode ser feito diferente”, afirmou.

Após o discurso, durante a coletiva, o governador voltou a defender a participação da iniciativa privada nas instituições de saúde, a fim de oferecer melhores resultados.

“A saúde pública e gratuita para todos é um ativo que o Brasil construiu, não dá para julgar se é certo ou errado. Agora, fazer saúde gratuita para toda a população, independente do nível de complexidade do medicamento e da doença, o Estado tem que responder, então, que a gente possa responder com qualidadade”, disse, justificando as motivações para a assinatura do contrato.

Também estiveram presentes a titular da EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas) do Governo do Estado, Eliane Detoni, o CEO da Inova, Daniel Chagas, Roberto Capobianco, presidente da Construcap, bem como deputados federais e estaduais e o presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), desembargador Dorival Renato Pavan.

 

Por Ana Clara Julião

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Leia mais

Hospital Regional de Dourados inaugura serviço de ressonância magnética e amplia apoio diagnóstico

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *