Com 32 novos leitos, ala inaugurada em Campo Grande amplia atendimento oncológico e evidencia união entre poder público, produtores rurais e sociedade
A inauguração do 5º andar – Ala Famílias do Agro, no Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande, marca um avanço importante na estrutura de atendimento oncológico em Mato Grosso do Sul. Com 32 novos leitos, o espaço foi viabilizado a partir da união entre o Governo do Estado, a instituição e famílias ligadas ao agronegócio, que doaram R$ 1,25 milhão para a obra.
Mais do que a ampliação física, o novo pavimento consolida um modelo de gestão baseado na parceria entre o público e o privado, apontado por autoridades como caminho para melhorar o acesso e a qualidade da saúde.
Durante o evento, o governador Eduardo Riedel destacou que a participação da sociedade é essencial para o fortalecimento dos serviços públicos. “Se a sociedade não se envolve com o destino da sua vivência, dificilmente a gente consegue fortalecer os serviços”, afirmou.
Ele reforçou que o modelo busca garantir qualidade também para quem depende do SUS (Sistema Único de Saúde). “A grande maioria aqui são pacientes do SUS, sendo atendidos gratuitamente em uma estrutura de primeiríssima qualidade. Esse é o nosso objetivo.”
Segundo o governador, o maior desafio está na manutenção do sistema. “A construção a gente consegue avançar, mas o custeio é o mais difícil. É isso que garante dignidade para quem está aguardando atendimento.”
Mobilização do agro viabilizou obra

Novos leitos garantem um atendimento de qualidade para pacientes do SUS – Foto: Álvaro Rezende/Gov MS
A ala foi construída com recursos doados por 25 famílias do agronegócio sul-mato-grossense. Cada uma contribuiu com cotas que permitiram a finalização do andar.
Representando o grupo, Ruy Fachini Filho relembrou a mobilização e a rapidez com que as doações foram viabilizadas. “Quando a gente quer praticar o bem, a gente consegue. Em pouco tempo, conseguimos reunir todas as famílias e viabilizar esse andar”, disse.
Ele destacou que o engajamento foi espontâneo. “Ninguém questionou. Todo mundo entendeu a importância. O agro é formado por famílias que lutam muito e que também querem ajudar.”
Impacto direto no atendimento
De acordo com a presidente do hospital, Sueli Lopes Telles, os novos leitos ampliam diretamente a capacidade de atendimento da unidade.
“São 32 novos leitos que ajudam a reduzir a fila e ampliar internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia. Isso impacta diretamente no tratamento oncológico”, explicou.
Ela também ressaltou outros investimentos em andamento, como a implantação de UTI moderna e a chegada de equipamentos de alta tecnologia. “Estamos mostrando que é possível oferecer um SUS com qualidade de estrutura privada.”
Acelerador linear de ponta coloca hospital entre os mais modernos do país
O deputado federal Geraldo Rezende afirmou que o hospital caminha para se consolidar como referência estadual em oncologia. “A gente quer que, quando se fale em câncer no Mato Grosso do Sul, se fale daqui.”
Ele destacou ainda a chegada de novos equipamentos e reforçou o nível de tecnologia que será incorporado à unidade. “Estamos trazendo um acelerador linear dos mais modernos do país, semelhante ao que existe em grandes centros como o Hospital Albert Einstein. A diferença é que aqui ele estará disponível para os pacientes do SUS”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o equipamento representa um salto de qualidade no tratamento. “É uma tecnologia que antes estava restrita a hospitais de alto padrão, e agora passa a atender quem mais precisa, dentro do sistema público.”
Apoio do município
A prefeita Adriane Lopes também reforçou o compromisso com a instituição e anunciou apoio direto à expansão. “Continue firme, mesmo com dificuldades. É assim que encontramos caminhos para fazer diferente”, afirmou.
Ela confirmou que também irá contribuir com a campanha. “Conte também com a minha família. Nós vamos ser a 24ª família a ajudar o setor da pediatria.”
Operação “Oncojuris”
Sobre a Operação Oncojuris, o governador Eduardo Riedel afirmou que irregularidades levantaram suspeitas no modelo de aquisição de medicamentos oncológicos. Segundo ele, a identificação de um padrão envolvendo determinados remédios e decisões judiciais acendeu o alerta das autoridades.
“A partir disso, a Corregedoria foi acionada para apurar e estruturar o processo investigativo, que posteriormente contou com o apoio das forças de segurança. A investigação conduzida pela DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) resultou na identificação dos responsáveis e no desmantelamento de uma organização criminosa que fraudava o sistema de acesso a medicamentos de alta complexidade e alto custo, frequentemente liberados por meio de decisões judiciais.

Eduardo Riedel, Governador de MS: “A grande maioria aqui são pacientes do SUS, sendo atendidos gratuitamente”
Parceria público-privada na saúde: modelo é defendido por Riedel e Adriane
O modelo de parceria entre poder público e iniciativa privada foi um dos principais pontos defendidos durante a inauguração do novo andar do Hospital do Câncer Alfredo Abrão.
Para o governador Eduardo Riedel, esse tipo de cooperação é essencial para garantir qualidade e acesso. “Existe um preconceito com o privado, mas ele pode ser uma família, uma empresa ou um grupo de pessoas ajudando a fortalecer serviços para toda a sociedade”, afirmou.
Ele também relacionou o debate ao cenário local, citando iniciativas que buscam novos formatos de gestão na saúde municipal. “Quando alguém propõe fazer diferente, surgem críticas. Mas é preciso experimentar novos modelos para gerar melhores resultados.”
A prefeita Adriane Lopes também defendeu a busca por alternativas, inclusive com participação privada, e citou dificuldades enfrentadas no debate público. “Nós tentamos fazer um diálogo na Câmara, levar a discussão para a sociedade, mas não houve escuta. Houve ataques desrespeitosos ao secretário”, afirmou.
Segundo ela, mudanças estruturais na saúde dependem de abertura para inovação. “Esse é um caminho para trazer eficiência, propondo mudanças que a população espera há muitos anos.”
O caso do Hospital do Câncer, que reúne recursos públicos, doações privadas e gestão filantrópica, tem sido apresentado como exemplo prático de um modelo que busca ampliar atendimento com qualidade e sustentabilidade.
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