Chikungunya avança com novas mortes, enquanto vacinação inicia com baixa adesão

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

Dourados recebeu 4 mil doses, das quais 200 foram destinadas às aldeias indígenas

 

 

Com um movimento tímido no PAM (Posto de Assistência Médica), na manhã de ontem (27), a prefeitura de Dourados deu início à vacinação contra chikungunya. A cidade recebeu do Ministério da Saúde 4 mil doses, dos quais 200 foram destinados para a RID (Reserva Índigena de Dourados), local onde a epidemia se iniciou, registrando o maior número de casos e mortes em decorrência da doença.

De acordo com o boletim epidemiológico mais recente, divulgado nesta segunda, pela SES (Secretaria Estadual de Saúde), Dourados contabiliza mais de 2,4 casos confirmados e, além de oito mortes pela doença, há mais três óbitos em investigação, sendo as vítimas dois idosos, um de 50 e outro de 84 anos, e um menino indígena de 12 anos.

O prefeito Marçal Filho, disse que a expectativa é de que o índice de manifestação da doença caia, tanto pela vacinação, quanto pela mudança do clima, já que uma frente fria deve permanecer em Mato Grosso do Sul nos próximos dias.

Em relação às poucas unidades de vacina destinadas para as Aldeias Jaguapiru e Bororó, que compõem a RID e juntas somam mais de 20 mil habitantes, o prefeito disse que está é uma determinação do COE (Centro de Operações Especiais), grupo que trabalha no combate à doença. Segundo os levantamentos, as 200 doses são suficientes para esta primeira etapa.

“É uma questão muito técnica que eles realizam, entendendo que essa é a quantidade inicial necessária pela quantidade de vacinas que nós recebemos. Agora, temos a previsão de receber 43 mil doses até o fim da campanha, mas eles mandaram cerca de 4 mil para que possamos atender a população nesse começo. Se houver necessidade, creio que vamos receber mais”, pontuou.

Com o objetivo de distribuir 40 mil doses, o secretário municipal da Saúde de Dourados, Márcio Grei, disse que, se a taxa de imunização ficar entre 25% e 30%, a cidade já terá cumprido a média de vacinação prevista.

“O número é de acordo com a nossa demanda de execução da vacina, então, não vai faltar vacina dentro dessas 40 mil doses. As pessoas não precisam se preocupar, porque veio 3 ou 4 mil doses, porque conforme a gente vai fazer a vacinação, a gente vai ajustando”.

Adesão à vacinação

Outro ponto levantado pelas autoridades em saúde de Dourados é em relação à adesão da população à campanha, ainda mais por se tratar de um imunizante novo, que foi integrado ao PNI (Plano Nacional de Imunizações) recentemente. O titular da Saúde, destacou que entende a desconfiança que pode ser gerada, mas, de acordo com ele, a população precisa entender que atingir a meta de imunização é uma das principais formas de enfrentar a escalada da doença.

“Há uma dificuldade das pessoas entenderem o quanto a vacina é importante nesse processo para a diminuição dos casos e, por isso, é importante a gente conseguir fazer o maior número de imunizações, porque, com certeza, vamos ter menos pessoas contaminadas e menos casos graves que precisam de leito hospitalar”.

Para a gerente de imunização, Jéssica Andrade, a estratégia é atrair as pessoas pela conscientização sobre a importância de se vacinar. Ele lembra que, alguns já buscaram pelo imunizante mesmo antes dele ser disponibilizado.

“É importante a gente estar o tempo todo orientando a nossa população a buscar as unidades de saúde para a vacinação. Também tivemos que procurou antes, quando começou a anunciar na mídia, as pessoas já estavam procurando, mas a gente vai ter resposta sobre a adesão, de quantas pessoas vieram de fato se vacinar, daqui uns dias

Dando exemplo a toda população, algumas pessoas buscaram pela vacinação logo no primeiro dia de disponibilidade. Este é o caso do professor de Relações Internacionais Flávio Contrera, de 38 anos, que buscou a imunização, justamente para se prevenir da epidemia que a cidade está vivendo.

“É importante procurar a vacina, porque esse contexto em que Dourados foi uma das cidades piloto na vacinação da dengue. Passou o surto de dengue e agora tem outra”.
Segundo ele, no curso superior em que leciona, houve um caso da doença, mas os alunos e professores estão seguindo a rotina de aulas normalmente.

Você irá se vacinar?

Jéssica Nunes, atendente de loja — “Sim, vou tomar para prevenir, porque a gente está sempre na rua. Sei que não vai evitar 100%, mas pode reduzir o risco”

Jéssica Nunes,
atendente de loja – Foto: Roberta Martins

Maria Clara Dantas, vendedora — “Vou tomar, porque está tendo muito caso, inclusive meu cunhado pegou, e eu fiquei com medo”

Maria Clara Dantas, vendedora – Foto: Roberta Martins

Samara Aparecida, atendente — “Vou tomar, porque é bom para prevenir. Já tive um parente que morreu por causa da chikungunya. Ele era meu tio tinha cerca de 40 anos, ele morava em uma fazenda de Aquidauana.

Samara Aparecida, atendente – Foto: Roberta Martins

Agutino Peralta, pedreiro — “Ainda não, mas vou tomar, porque tenho 50 e poucos anos e tenho que prevenir. Eu sei que é importante, porque minha esposa já teve chikungunya este ano e ficou oito dias de cama e ficou bem doente.”

Agutino Peralta, pedreiro – Foto: Roberta Martins

 

 

Por Ana Clara Julião e Maria Gabriela Arcanjo

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