O governo do Paraguai consultou o Brasil sobre a possibilidade de convidar a Venezuela para participar da próxima cúpula do Mercosul, marcada para o dia 30 de junho, em Assunção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já confirmou presença no encontro do bloco regional.
Segundo fontes ligadas à diplomacia brasileira, ocorreram sondagens em “alto nível” para avaliar qual seria a reação do governo brasileiro diante de um eventual gesto de reaproximação entre o Mercosul e Caracas. A avaliação inicial do Palácio do Planalto e do Itamaraty é considerada positiva.
Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que qualquer esforço de estabilização política e econômica da Venezuela interessa diretamente ao Brasil e aos demais países da região. A leitura é de que a retomada de canais institucionais pode ajudar a reconstruir mecanismos mínimos de diálogo regional e fortalecer a integração sul-americana.
Apesar disso, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que ainda não existe ambiente político para discutir uma reintegração plena da Venezuela ao Mercosul. A possibilidade em análise seria apenas um convite para participação na cúpula em Assunção, o que poderia abrir caminho para uma retomada gradual das conversas diplomáticas.
A Venezuela foi suspensa do Mercosul em 2016 por descumprimento de regras técnicas e comerciais previstas no processo de adesão ao bloco. No ano seguinte, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai aplicaram a cláusula democrática do Mercosul contra o governo de Nicolás Maduro, alegando ruptura da ordem democrática no país.
Diplomatas avaliam, no entanto, que o cenário regional começou a mudar após a nova postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela e o reconhecimento da reorganização do poder venezuelano sob a gestão de Delcy Rodríguez, após a captura de Maduro em janeiro.
Esse contexto teria levado o Paraguai a testar possibilidades de reaproximação diplomática com Caracas. Segundo fontes brasileiras, há um “rumor consistente” sobre um possível convite à Venezuela para participar da cúpula, embora ainda não exista discussão formal sobre retorno do país ao bloco.
A avaliação no Itamaraty é que o Mercosul pode voltar a exercer um papel mais ativo de coordenação regional em temas concretos, como integração econômica, cooperação política e articulação comercial, reduzindo disputas ideológicas entre os países-membros. O Paraguai ocupa atualmente a presidência temporária do bloco em 2026.
Com informações do SBT News
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