Um avião utilizado pelo regime da Venezuela realizou um voo incomum até a fronteira com o Brasil em meio à crescente pressão militar dos Estados Unidos no Caribe. O movimento foi identificado pelo site ADSB Exchange, que monitora dados de rastreamento de aeronaves em todo o mundo.
O voo, feito por um Airbus A-319 de matrícula YV2984, operado pela estatal Conviasa, partiu de Caracas rumo ao município venezuelano de Santa Elena de Uairén, localizado a cerca de 250 km da fronteira com Roraima. Após o pouso, a aeronave retornou para as proximidades da capital venezuelana.

A Conviasa é alvo de diversas sanções impostas pelos EUA, e o Airbus YV2984 está na lista da Ofac (Agência de Controle de Ativos Estrangeiros) desde março de 2020. Segundo as autoridades norte-americanas, o avião integra a frota utilizada por membros de alto escalão do governo venezuelano — e poderia ser apreendido caso entrasse em território norte-americano ou de países aliados.
Maduro estava a bordo?
Apesar de o avião já ter sido utilizado pelo ditador Nicolás Maduro em viagens oficiais, não há indícios de que ele estivesse no voo registrado na sexta-feira. Fontes militares e civis consultadas pelo analista internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, afirmaram que não houve contato de Maduro com autoridades brasileiras. O Comando do Exército na região de fronteira também disse não haver qualquer sinal de tentativa de fuga do líder venezuelano.
A CNN informou ter procurado o Itamaraty, a Polícia Federal e o Ministério da Defesa para comentar o episódio, mas ainda não obteve resposta.
Tensão com os EUA aumenta
O sobrevoo ocorre em um momento de forte escalada retórica entre Washington e Caracas. Neste sábado (29), o presidente Donald Trump declarou que o espaço aéreo sobre a Venezuela poderia ser considerado “totalmente fechado”. Em sua rede Truth Social, Trump fez um alerta direto:
“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, considerem o FECHAMENTO TOTAL DO ESPAÇO AÉREO SOBRE E AO REDOR DA VENEZUELA.”

Foto: reprodução/redes sociais
A resposta do governo venezuelano veio horas depois. Em comunicado, o chanceler Yván Gil classificou a fala como uma “ameaça colonialista” e um “ato de agressão ilegal e injustificado”.
Na semana passada, a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) emitiu um alerta às companhias aéreas norte-americanas sobre uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo venezuelano, em razão do aumento da atividade militar no país e em suas fronteiras. Após o aviso, a Venezuela revogou as autorizações de operação de seis grandes companhias internacionais que haviam suspendido voos para o país.
Suspeitas e acusações
Trump intensificou as acusações de que o regime venezuelano abriga grupos ligados ao narcotráfico e afirmou que os EUA podem lançar “em breve” ações terrestres contra organizações criminosas na Venezuela. Caracas nega qualquer envolvimento com o tráfico internacional de drogas e rejeita a existência do chamado Cartel de los Soles, grupo apontado pelos EUA como uma organização terrorista.
Enquanto a tensão aumenta, o voo até a fronteira com o Brasil adiciona um novo elemento de incerteza ao cenário — embora, até agora, autoridades brasileiras reforcem que não há movimentação atípica ou pedido de asilo político por parte de Maduro.
Com informações da CNN Brasil
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