Vacinação contra chikungunya começa em Dourados em meio a surto com mortes e pressão na rede de saúde

Foto: Roberta Martins
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Campanha inicia com doses limitadas e estratégia gradual enquanto município enfrenta mais de 6 mil notificações da doença

Dourados iniciou nesta segunda-feira (27) a vacinação contra a chikungunya em um cenário de pressão sobre a rede pública de saúde e avanço da doença, que já soma mais de 6 mil notificações, cerca de 2 mil casos confirmados e oito mortes. A campanha ocorre de forma gradual, com doses distribuídas nas unidades de saúde da cidade e também na reserva indígena, onde há maior concentração de registros.

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A imunização chega como uma nova frente de enfrentamento a um surto que, até então, vinha sendo combatido principalmente com ações de controle do mosquito e reorganização do atendimento. Segundo o prefeito Marçal Filho, a vacinação representa uma etapa importante dentro desse conjunto de medidas, especialmente pela possibilidade de reduzir a procura por atendimento nas unidades de urgência. “É muito importante que as pessoas se vacinem, porque isso evita não só que contraiam a doença, mas principalmente a superlotação que nós temos hoje, principalmente na UPA e no Hospital da Vida. Nós já estamos percebendo que o número está caindo”, afirmou.

A pressão sobre o sistema de saúde é um dos principais desafios enfrentados pelo município. Dourados atende pacientes de dezenas de cidades da região, o que amplia a demanda sobre estruturas já sobrecarregadas. De acordo com o prefeito, apesar da alta procura, ainda há leitos de retaguarda disponíveis no hospital regional para casos mais graves de chikungunya. Ao mesmo tempo, a prefeitura tem adotado estratégias para reduzir a sobrecarga da UPA, como a ampliação do horário de funcionamento de algumas unidades básicas, inclusive em finais de semana e feriados.

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A vacinação, no entanto, não ocorre de forma indiscriminada. Antes de receber a dose, cada pessoa passa por uma avaliação para verificar se está apta a se imunizar. A gerente de imunização, Jéssica de Andrade, explica que a introdução do imunizante exigiu uma preparação específica das equipes de saúde, com treinamento e capacitação dos profissionais. “Sempre que a gente recebe um imunológico novo, a gente tem esse cuidado de reunir os profissionais, orientar sobre a vacina e principalmente sobre o roteiro de pré-vacinação”, disse.

Segundo ela, um dos principais desafios é justamente a triagem dos pacientes, já que há critérios que restringem a aplicação. A campanha também será monitorada nos primeiros dias para avaliar a adesão da população e, se necessário, novas estratégias poderão ser adotadas para ampliar a cobertura, como ações de mobilização e um ponto de vacinação em formato drive-thru previsto para o dia 1º de maio, na sede da prefeitura.

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Na ponta do atendimento, a expectativa é de que a vacina ajude a conter o avanço da doença e, principalmente, as complicações associadas. O enfermeiro Claudinei dos Santos Cordeiro, que atua em sala de vacinação, destaca que o município vem enfrentando aumento expressivo de casos e internações. “A vacinação veio com o intuito de prevenir que esses casos aumentem, para que menos pessoas sofram as consequências dessa doença”, afirmou.

Ele explica que a vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos, desde que não apresentem determinadas condições de saúde. Gestantes, idosos, pessoas com imunidade comprometida ou com múltiplas comorbidades estão entre os grupos que não podem receber a dose neste momento. Também há orientações específicas sobre o intervalo entre vacinas, como no caso de quem tomou recentemente a vacina da gripe.

Paralelamente à vacinação, a prefeitura mantém ações intensivas de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya. Equipes têm realizado mutirões de limpeza e retirada de lixo em diferentes regiões da cidade, com foco especial em áreas com maior incidência da doença. “São toneladas e toneladas de lixo recolhidas, principalmente na reserva indígena e nos bairros com mais casos”, disse o prefeito, ao destacar que os locais são definidos a partir de um monitoramento por mapa de calor.

A gestão municipal também aponta que fatores climáticos, como a queda de temperatura, podem contribuir para a redução da circulação do mosquito, mas reforça que o controle depende principalmente da eliminação de criadouros. Nesse sentido, a população é constantemente orientada a evitar água parada e manter os quintais limpos.

Apesar do início da vacinação, a quantidade de doses disponíveis ainda é limitada. Neste primeiro momento, cerca de quatro mil unidades foram enviadas ao município, dentro de um total previsto de 43 mil. Na reserva indígena, foram destinadas inicialmente 200 doses, número definido por critérios técnicos estabelecidos em conjunto com autoridades de saúde.

 

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