Saúde afirma que registros são isolados e mantém vigilância ativa
A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) confirmou a ocorrência de três casos de meningite meningocócica tipo B no Estado, conforme boletim divulgado no dia 5 de maio. Apesar da confirmação, o órgão reforça que a situação não configura surto e segue dentro do padrão epidemiológico esperado.
De acordo com o informe, os três casos confirmados são todos do tipo meningocócico B – considerado grave e de evolução rápida. Um dos pacientes é um jovem de 18 anos, de Anastácio, e os outros dois são adultos, de 42 e 47 anos, do município de Inocência.
Sobre as cinco mortes, a Secretaria confirmou que uma das vítimas tinha menos de 1 ano de idade, a outra tinha 27 anos, a teceira 29 anos, a quarta 35 anos, a quinta 46 anos e as três últimas tinham entre 52,56 e 80 anos.
A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e pode evoluir rapidamente para quadros graves, incluindo meningococcemia (infecção generalizada), com risco elevado de complicações e morte.
Mesmo diante da confirmação, a SES esclarece que não há surto em andamento. Segundo a Secretaria, para que haja essa caracterização é necessário que existam dois ou mais casos com vínculo epidemiológico comprovado – o que não foi identificado até o momento.
Até a 17ª semana epidemiológica de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 34 casos de meningite e 8 mortes. Os óbitos ocorreram em diferentes municípios, sendo seis em Campo Grande, um em Corumbá e outro em Dourados. As ocorrências envolvem diferentes agentes causadores, incluindo vírus, bactérias e fungos.
Em relação às mortes, três foram causadas por meningite bacteriana, três por meningite pneumocócica, uma por fungos e uma ainda segue como não especificada, conforme dados preliminares do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).
Apesar do número de óbitos, a SES destaca que os registros atuais são considerados casos isolados, sem evidência de transmissão direta entre os pacientes. Ainda assim, o monitoramento foi intensificado em todo o Estado.
“O cenário não caracteriza surto, mas exige atenção permanente. Nosso papel é manter a vigilância ativa e garantir que a rede assistencial esteja preparada para identificar e conduzir os casos de forma oportuna”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões.
Como medida de controle, a Secretaria informou que realizou a notificação imediata dos casos, iniciou investigação epidemiológica e adotou bloqueio com quimioprofilaxia para contatos próximos dos pacientes. Também houve reforço na vigilância nos municípios afetados e orientação à rede de saúde para diagnóstico precoce.
A coordenadora de imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, explica que a emissão de alertas técnicos tem caráter preventivo e busca preparar os profissionais de saúde.
“Nosso objetivo com esse alerta é antecipar a atenção da rede de saúde. Quando há informação oportuna sobre a circulação de uma doença, os profissionais conseguem reconhecer sinais e sintomas com mais rapidez e adotar as condutas adequadas”, afirmou.
Ela reforça que o objetivo não é gerar alarme na população, mas ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. “O alerta é uma ferramenta de prevenção. Ele permite que os serviços se antecipem, reconheçam sinais precocemente e adotem as medidas corretas, reduzindo riscos e salvando vidas”, completou.
Vacinação e prevenção
A SES destaca que a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra as meningites bacterianas. O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente imunizantes que protegem contra os principais tipos da doença, conforme o calendário nacional.
Entre as vacinas disponíveis estão a BCG (ao nascer), a pentavalente (aos 2, 4 e 6 meses), a pneumocócica 10-valente (aos 2, 4 e 12 meses), a meningocócica C (aos 3, 5 e 12 meses) e a meningocócica ACWY (para adolescentes de 11 a 14 anos).
A cobertura vacinal em Mato Grosso do Sul foi atualizada nesta terça-feira (6). Mato Grosso do Sul mantém índices de cobertura vacinal acima de 80% em importantes imunizantes do calendário infantil.
Entre as vacinas com melhor desempenho está a Meningo C, que alcançou cobertura de 92,63%. Já a vacina Pentavalente (DTP/HepB/Hib) atingiu 91,43% de cobertura no Estado. A vacina Pneumo 10 registrou índice de 89,44%, enquanto o primeiro reforço da Pneumo 10 chegou a 89,90%. O primeiro reforço da meningocócica conjugada atingiu 92,02%.
A BCG, aplicada ainda nos primeiros dias de vida para proteção contra formas graves de tuberculose, apresentou cobertura de 81,19%. Segundo o painel da SES, os índices são considerados de “avanço significativo”, faixa utilizada para coberturas acima de 80%.
Imunizante contra meningite B só está disponível na rede particular
Nossa equipe de reportagem conversou com clínicas de vacinação em Campo Grande e constatou que a vacina contra a meningite tipo B, considerada uma das mais caras do calendário infantil, atualmente está disponível apenas na rede privada.
Os valores encontrados variam entre R$ 730 e R$ 793 por dose, dependendo da clínica e da forma de pagamento escolhida.
A meningite meningocócica do tipo B é uma infecção grave que pode evoluir rapidamente e causar sequelas permanentes ou até morte. Especialistas reforçam a importância da vacinação, principalmente em crianças pequenas.
A pneumopediatra Jaqueline Carnelos também alertou sobre o avanço dos casos e reforçou a importância da imunização em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo a médica, a doença possui alto potencial de gravidade e pode atingir pessoas de qualquer faixa etária. Ela destacou que orienta seus pacientes a tomarem tanto a vacina meningocócica ACWY quanto a Meningo B.
“É direito de todos nós sabermos da existência dessa vacina no particular e termos o direito de optar e dar proteção para os nossos filhos”, afirmou.
A especialista ainda chamou atenção para o fato de que a vacina contra a meningite B está disponível apenas na rede privada e incentivou pais, responsáveis e idosos a manterem a vacinação em dia.
Sintomas e alerta
A doença pode evoluir rapidamente e exige atendimento médico imediato. Entre os principais sinais de alerta estão:
• Febre alta súbita
• Dor de cabeça intensa
• Rigidez na nuca
• Náuseas e vômitos
• Sensibilidade à luz
• Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele
• Alterações no nível de consciência
Diante desses sintomas, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforça à população a importância da adoção de medidas preventivas contra as meningites, doenças que podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas e que, em alguns casos, podem evoluir rapidamente, representando risco à vida. A transmissão pode ocorrer por via respiratória, por meio de gotículas e secreções eliminadas ao falar, tossir ou espirrar.
As formas de prevenção são semelhantes às adotadas para outras doenças respiratórias. Entre as principais orientações estão a higienização frequente das mãos, evitar ambientes fechados, com pouca ventilação e aglomerações, além de priorizar locais arejados, com circulação de ar adequada.
A Secretaria também destaca a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada. Mesmo quando não se trata da mesma cepa, as vacinas disponíveis são fundamentais por protegerem contra agentes de tipagem semelhante, contribuindo para a redução de casos e da gravidade da doença.
Com a aproximação do período mais frio, quando há maior tendência de permanência em ambientes fechados e maior circulação de vírus respiratórios, a atenção deve ser redobrada. Pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos e indivíduos com comorbidades, devem evitar locais com aglomeração e pouca ventilação.
O uso de máscaras em situações de maior risco também é uma medida recomendada, contribuindo para a redução da transmissão de agentes infecciosos.
A SES reforça que a adoção dessas medidas simples é essencial para a proteção individual e coletiva, ajudando a prevenir não apenas as meningites, mas diversas doenças respiratórias.
“O mais importante neste momento é garantir informação qualificada e resposta rápida. Seguimos atentos, monitorando cada caso e atuando de forma contínua para proteger a população”, finalizou o secretário Maurício Simões.
Por Suelen Morales