Na Alemanha, Lula defende imigração e rebate críticas ao acordo entre Mercosul e União Europeia

O presidente Lula e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz - Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou neste domingo (19) na abertura da Hannover Messe, em Alemanha, onde defendeu a imigração, elogiou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e voltou a criticar organismos internacionais. O discurso teve duração de pouco mais de 20 minutos.

Durante a fala, Lula destacou a importância histórica da imigração para a formação do Brasil e criticou países que têm endurecido políticas migratórias. Segundo o presidente, pessoas que fogem de guerras e da fome enfrentam barreiras para recomeçar a vida em outras nações.

“O Brasil é um país criado por imigrantes”, afirmou, ao citar diferentes fluxos migratórios que contribuíram para a construção social, cultural e econômica do país ao longo dos séculos.

A declaração ocorre em um momento em que a União Europeia discute regras mais rígidas para concessão de asilo, incluindo medidas como o envio de estrangeiros para países terceiros enquanto aguardam análise dos pedidos. As propostas ainda dependem de aprovação nos parlamentos dos 27 países do bloco.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia também foi tema do discurso. Lula elogiou a formalização do tratado, previsto para entrar em vigor em maio, mas criticou o que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira — argumento frequentemente levantado por países como França e Polônia.

Segundo o presidente, a criação de barreiras adicionais ao comércio é “contraproducente”, incluindo restrições relacionadas ao biocombustível brasileiro.

Ao longo do discurso, Lula também voltou a criticar o papel do Conselho de Segurança da ONU e apontou um cenário global delicado. Para ele, o mundo vive um “momento crítico na geopolítica”, marcado pelo ressurgimento do protecionismo como resposta a desafios sociais e econômicos.

O presidente ainda mencionou conflitos internacionais, como a guerra no Irã, e criticou os altos gastos militares globais. “Não é possível, em pleno século 21, quando ainda não resolvemos problemas como fome e analfabetismo, estarmos gastando trilhões de dólares em guerras”, declarou.

A participação na feira integra a agenda internacional de Lula na Europa, que inclui ainda visitas a países como Espanha e Portugal, com foco em fortalecer relações comerciais e diplomáticas.

 

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