O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de forma remota da Marcha para Jesus realizada nessa quinta-feira (4), ao telefonar para Estevam Hernandes, organizador do evento. A conversa foi gravada pela equipe do advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o governo federal durante a celebração.
Durante a ligação, Lula explicou que optou por não comparecer presencialmente à marcha por considerar inadequada a participação em eventos religiosos durante períodos eleitorais. Segundo o presidente, sua ausência tem o objetivo de evitar interpretações de que estaria buscando benefícios políticos em uma atividade de caráter religioso. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que tô tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, afirmou.
Na conversa, o presidente também relembrou que foi responsável pela sanção da lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus. A legislação, sancionada em setembro de 2009, incluiu oficialmente a data no calendário nacional. Em resposta, Estevam Hernandes agradeceu o gesto e destacou a importância da medida para os organizadores e participantes do evento.
A ausência de Lula gerou repercussão no meio político. Durante análise no programa Central de Notícias, do SBT News, o comentarista Eduardo Gayer avaliou que a declaração do presidente poderia ser interpretada como uma indireta ao senador Flávio Bolsonaro, que participou e discursou na Marcha para Jesus. O analista também observou que Lula deixou de comparecer ao evento em outras ocasiões, inclusive em anos sem disputa eleitoral.
Já o comentarista Iander Porcella avaliou que a própria ligação e a divulgação do vídeo nas redes sociais possuem um componente político. Segundo ele, a iniciativa busca demonstrar uma aproximação do presidente com lideranças evangélicas. Na avaliação do analista, a publicação feita por Jorge Messias teve objetivo de reforçar esse diálogo com um segmento importante do eleitorado brasileiro.
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