Julgamento de Claudinho Serra por fraudes milionárias começa em julho

Vereador Claudinho Serra está fastado da Câmara Municipal desde setembro - Foto: Izaias Medeiros
Vereador Claudinho Serra está fastado da Câmara Municipal desde setembro - Foto: Izaias Medeiros

Ex-vereador e outros 19 réus respondem por corrupção e desvios de R$ 104 milhões

O ex-vereador de Campo Grande e ex-secretário de Finanças de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB), começará a ser julgado no próximo dia 21 de julho, às 13h30, por suposto envolvimento em um esquema de corrupção, fraude em licitações, peculato e organização criminosa investigado pela Operação Tromper. Ao todo, 20 réus respondem ao processo, que apura desvios de aproximadamente R$ 104 milhões dos cofres públicos do município.

A decisão foi assinada pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, da Vara Criminal de Sidrolândia, em despacho publicado na última terça-feira (19). O magistrado rejeitou todos os pedidos apresentados pelas defesas, incluindo alegações de nulidade das provas, quebra da cadeia de custódia, ilegalidade das colaborações premiadas, incompetência da Justiça local e inépcia da denúncia apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Na decisão, o juiz destacou que a denúncia possui elementos suficientes para manter a ação penal. Em relação a Claudinho Serra, o magistrado afirmou que o ex-parlamentar aparece como figura central do esquema investigado.

“Em relação ao acusado Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho, a denúncia lhe atribui posição central no esquema criminoso, apontando-o como mentor, beneficiário e principal articulador das fraudes narradas”, registrou Bruce Henrique.

O magistrado ainda reforçou que há indícios mínimos para sustentar a acusação. “A peça acusatória descreve, com suficiente densidade, sua função de liderança, os atos administrativos que teria praticado, os contratos e licitações em que teria interferido e os benefícios ilícitos que lhe são atribuídos”, pontuou no despacho.

Segundo o MPMS, o grupo atuava dentro da Prefeitura de Sidrolândia direcionando licitações, manipulando contratos públicos e desviando recursos por meio de empresas favorecidas. A investigação aponta que servidores públicos, empresários e agentes políticos integravam o esquema criminoso.

A audiência de instrução começará com os depoimentos das testemunhas de acusação Rosiane da Cruz Faria, Erliston Quadros Sales e Renata de Souza Lima, além do ex-chefe de compras da prefeitura, Tiago Basso da Silva, primeiro delator da Tromper. As datas para os depoimentos das testemunhas de defesa e os interrogatórios dos réus serão definidas durante a audiência.

No despacho, o juiz destacou a complexidade da investigação, que reúne 15 fatos criminosos distintos e dezenas de envolvidos. “A acusação envolve 15 fatos distintos, múltiplos réus e condutas que se protraem no tempo, inseridas em contexto que mescla agentes públicos, particulares, pessoas jurídicas e terceiros, com divisão de tarefas e interações sucessivas”, escreveu.

Entre os crimes atribuídos aos denunciados estão organização criminosa, fraude ao caráter competitivo de licitação, fraude contratual, corrupção ativa, corrupção passiva e peculato. Apenas Claudinho Serra teve R$ 12,5 milhões bloqueados judicialmente ao longo das investigações.

A denúncia analisada nesta etapa é resultado da quarta fase da Operação Tromper, que avançou sobre o núcleo político do esquema investigado em Sidrolândia. Claudinho chegou a ser preso em 5 de junho de 2025, junto do ex-assessor Carmo Name Júnior e do empresário Cleiton Nonato Correia. Os três já foram soltos e também deixaram de usar tornozeleira eletrônica.

Durante as investigações, a Justiça considerou incompatível a situação financeira apresentada por Claudinho com o padrão de vida ostentado pelo ex-vereador. Em uma das decisões anteriores, a investigação apontou que ele mantinha apenas R$ 410 em conta bancária, apesar de morar em condomínio de alto padrão e utilizar veículos de luxo.

As apurações também atingiram pessoas próximas ao ex-parlamentar. O pai dele, Cláudio Jordão de Almeida Serra, e a esposa Mariana Camilo de Almeida Serra, filha da ex-prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo (PP), chegaram a ser indiciados no decorrer da investigação.

A Operação Tromper já resultou nas primeiras condenações em agosto do ano passado. Na ocasião, sete investigados foram sentenciados por corrupção, peculato e fraude em licitações, somando 111 anos e 11 meses de prisão. Entre os condenados estão os empresários Ueverton da Silva Macedo, condenado a 37 anos, 10 meses e oito dias de prisão, e Ricardo José Rocamora Alves, sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias.

Além das penas de prisão, a Justiça determinou o ressarcimento de R$ 349,9 mil aos cofres públicos, com juros e correção monetária.

Por Danielly Carvalho

 

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