“Fomos pegos de surpresa”, diz presidente da Câmara sobre Operação Rota Desviada

Operação investiga fraudes e desvio de dinheiro em Nova Alvorada do Sul, no qual houve 14 mandados de busca e apreensão

Três cidades sul-mato-grossenses, uma paulista e uma mineira são alvos da nova operação “Rota Desviada” do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) na manhã desta terça-feira (19). De acordo com o órgão, grupo teria utilizado a Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul) em um esquema de fraude e desvio de dinheiro.

Os acusados no município são ex-vereador do município, Rogério Casarotto (PSDB); o ex-presidente da Câmara, Sidcley Brasil (MDB); Augustinho, então assessor de Sidcley; Ronaldo de Camargo (PP), vereador; e o ex-marido de Maísa Sampaio, ex-presidente da associação. De acordo com informações locais, Maísa foi uma das denunciantes e teria feito delação, pois não foi alvo dos mandados.

Os ônibus usados para o transporte dos universitários e a empresa supostamente pertenciam ao ex-presidente Sidcley. Rogério foi alvo de mandado de busca e apreensão e preso por estar em posse de arma de fogo, no qual pagou a fiança e foi liberado.

Segundo o MPMS, as investigações apontam que recursos públicos do Termo de Fomento entre o Executivo de Nova Alvorada do Sul e a Aeunas eram desviados para o benefício de servidores públicos e membros da Câmara da cidade.

De acordo com o atual presidente da Câmara, Israel Gomes (PP) conta que a cidade foi pega de surpresa e que deve esperar a liberação do processo para definir os próximos passos. “Eu estive com Ronaldo hoje, a gente conversou e ele está totalmente sem saber, sabe a pessoa quando está sem chão? […] Inclusive, ele não sabe de nada, a gente está aguardando até para ter acesso ao processo. A gente vê o que, qual as medidas que a gente vai tomar”, explica ao Jornal O Estado.

Israel explica que a Câmera apenas aprovou o pedido da Prefeitura e o Termo de Fomento e que deve haver convocação entre os vereadores para reunião para definir sobre o contrato. De acordo com o vereador, a Aeunas prestava contas regularmente e que houve a contratação para a melhora no serviço que antes era prestado pelo Executivo.

De acordo com dados do Portal da Transparência, a Aeunas pode receber quase R$ 4 milhões até o final de 2026. O convênio entre a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul e a empresa iniciou em outubro foi embolsado R$ 27 mil no primeiro ano. Já em 2024 o Executivo desembolsou R$ 900 mil e em 2025 o montante chegou a R$ 1,4 milhão.

José Paleari (PP) firmou um novo termo com a empresa em março deste ano só nos dois primeiros meses já foram destinados R$ 700 mil para a Aeunas. O Prefeitura inclui que a verba poderá ser usada para pagar despesas administrativas da associação, como aluguel, materiais de consumo, contas de água e luz e salários.

A investigação começou em 2024, quando o Ministério Público começou a investigar os gastos com o transporte de universitários no município para Dourados. Naquele período, um dos ônibus era de Sidcley, então presidente da Câmara.

Informações preliminares apontam que, pelo menos, cinco veículos descaracterizados participaram da operação no município sul-mato-grossense. O caso já vinha sendo investigado pelo Ministério Público.

Em nota, o Ministério Público informou que não serão divulgados novos detalhes sobre a Operação Rota Desviada, “em razão do sigilo das investigações e da necessidade de preservação das diligências em andamento”.

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande (MS), Nova Alvorada do Sul (MS), Dourados (MS), Fernandópolis (SP) e Ituiutaba (MG). A ação contou com o apoio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e com a 1ª Promotoria de Justiça de Nova Alvorada do Sul.

Por Lucas Artur

 

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