Com os articuladores já escolhidos pelos pré-candidatos, especialistas destacam influencia com resultado nas urnas
Com seis pré-candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul já colocados para a disputa de 2026, os bastidores das articulações políticas começam a ganhar força, principalmente na definição dos coordenadores de pré-campanha, responsáveis por estratégia, agenda e comunicação dos nomes ao eleitorado. Responsáveis por definir discurso, público-alvo, presença nas redes sociais e até orientações de comportamento dos candidatos, esses articuladores já começam a aparecer nos bastidores. A maioria dos possíveis concorrentes já definiu quem comandará a pré-campanha e ajudará a construir a imagem eleitoral ao longo dos próximos meses.
O governador Eduardo Riedel terá como coordenadores o ex-secretário-adjunto da Educação, Sérgio Luiz Gonçalves, e o ex-secretário de Administração Frederico Felini. Ambos têm perfil técnico e experiência na gestão estadual, estratégia vista como importante para combinar articulação política e organização da campanha.
No caso do deputado estadual João Henrique Catan, ainda não há definição oficial. Recém-chegado ao Partido Novo, ele afirmou que o momento é de expansão do projeto político e construção do plano de governo. “Estamos promovendo a pré-campanha, ouvindo as demandas e reivindicações de Mato Grosso do Sul”, declarou.
O pré-candidato do PT, Fábio Trad, escolheu o advogado Vladimir Ferreira para coordenar os trabalhos. Segundo Vladimir, a pré-campanha já começou com uma caravana pelos municípios do Estado. “Estamos construindo o nosso programa de governo por meio de um processo de escuta”, afirmou.
Já o jornalista Jefferson Bezerra, pré-candidato pelo AGIR, confirmou que a jornalista Dilvania Todescato será a coordenadora. “Vamos realizar ações de campanha tanto nas ruas quanto nas redes sociais”, disse.
Análise de cenário
Em meio às articulações para as eleições, o papel dos coordenadores de campanha ganha cada vez mais peso nas estratégias eleitorais. Para o cientista político Ailton Souza, doutor em Ciência Política, professor da UEMS, e coordenador do Observatório de Democracia, Políticas Públicas e Desenvolvimento – Observa-MS, o articulador é peça “fundamental” para o desempenho de um candidato nas urnas.
Segundo ele, é esse profissional quem define estratégias, linguagem, público-alvo e até orientações de comportamento. “Todo esse conjunto de regras comportamentais, vestimenta, discurso, é papel do coordenador de campanha”, afirmou.
Ailton explica que o trabalho vai além do marketing político e exige leitura técnica do eleitorado e dos dados eleitorais. “O desempenho do coordenador de campanha é essencial no processo como um todo”, disse. “E, é claro, ter esse traquejo político, ter uma visão política, uma formação em ciência política é muito oportuno. Por que o profissional da ciência política? Por já ter uma leitura dos eleitorados, por já ter uma leitura de como funcionam as pesquisas de opinião, de como aproveitar determinado momento eleitoral para se projetar, e também orientar um determinado candidato que é marcado por uma postura que desagrada uma parte do eleitorado, evitar determinados cursos, evitar presenças em determinados ambientes, e assim de forma mais geral”.
O especialista também destaca que o avanço das redes sociais mudou o perfil desses profissionais. “Saber usar esses dados é fundamental para um coordenador que busca ser efetivo”, completou.
Na visão do cientista político, Daniel Miranda, o coordenador é mais do que um organizador de ações, é um otimizador de recursos que precisa ter a confiança do candidato. “O tempo de campanha é curto, as regras eleitorais são rígidas e a competição é acirrada. Logo, o coordenador precisa pensar as melhores estratégias para otimizarem o tempo e alcançarem o máximo de pessoas possível. A articulação política é um ponto muito positivo, mas ela cabe principalmente ao próprio candidato. Se o coordenador for próximo e confiável, a articulação política pode (e deve) ficar predominantemente com o candidato”.
É importante ressaltar que cada candidato tem o seu perfil e o coordenador segue o mesmo sistema. “A atuação do coordenador é no cotidiano, formando agenda. A agenda sigifica definir o que é prioridade no começo, no meio e na reta final da campanha e, com base nisso, garantir que os recursos estejam disponíveis em cada um desses momentos. Ou seja, é a parte administrativa mesmo, embora tais decisões sejam sempre políticas, não meramente técnicas. Cada candidato tem seu próprio perfil e certo público-alvo da campanha e vai ajustando sua mensagem e estratégia com esse propósito”.
Os pré-candidatos Lucien Rezende, do PSOL, e Renato Gomes, do DC, não responderam à reportagem.
Por Sarah Chaves e Danielly Carvalho