Com seis meses para as eleições, relembre como foi o pleito de 2022 em MS

Nomes como Pollon (PL), Beto Pereira (Republicanos), Dagoberto (União) e Loubet (PT) marcaram a disputa - Foto: Reprodução
Nomes como Pollon (PL), Beto Pereira (Republicanos), Dagoberto (União) e Loubet (PT) marcaram a disputa - Foto: Reprodução

Comparando os resultados das nove regiões de Mato Grosso do Sul, é notáve a força de determinados candidatos em certas áreas

 

Daqui seis meses, o eleitorado sul-mato-grossense votará em quem ocupará as oito cadeiras da Câmara Federal pelo Estado. Dos oito parlamentares atuais, seis buscarão a reeleição e dois devem competir para entrar no Senado. Mas como o eleitorado escolheu seus representantes no último pleito federal?

Quando se analisa os atuais deputados federais, seis estão alinhados à direita e centro-direita e apenas dois são de esquerda. O Republicanos, o PP, o PSDB e o PL, partidos dos seis, fazem parte do grupo político que busca a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP). O PT, partido de Vander Loubet e Camila Jara, representam a oposição.

Segundo Ailton Souza, cientista político, as últimas eleições apresentaram um crescimento nacional de parlamentares voltados justamente a segmentos de direita e conservadores, como também um aumento de figuras ligadas a grupos religiosos e militares.

“Quando se fala do estado de Mato do Sul, nós podemos dizer que parlamentares de centro e direita, tiveram maior protagonismo com algumas exceções, como é o caso de Camila Jara que representa uma esquerda mais robusta, do ponto de vista de uma disputa ideológica, de uma articulação política”, explica o especialista.

O cientista elenca que um dos motivos pelos resultados é a polarização, como forma de se distanciar da esquerda, em especial do PT. Marcos Pollon (PL) foi o deputado federal mais votado em números totais em Mato Grosso do Sul e conta com uma soma de votos próxima a nomes como Beto Pereira (Republicanos) e Geraldo Resende (União), ambos no PSDB na época.

“São três pessoas que têm um alinhamento mais ao aspecto da direita, embora o segundo e o terceiro colocados fossem do PSDB e que tem já algum tempo se manifestado de uma maneira mais aberta a uma linha mais focada no bolsonarismo, ou mais à direita do aspecto político”.

Já analisando a relação dos deputados eleitos com as cidades que mais votaram neles, Beto Pereira foi o mais votado em 21 cidades e aparece no top 3 de 52 cidades diferentes. Já Geraldo Resende vence em 19 municípios e aparece em outros 40 como um dos três mais votados. Vander Loubet foi o primeiro em nove cidades e esteve no pódio de outras 22. Os dados foram analisados a partir da planilha disponibilizada pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral) com a votação por seção eleitoral.

Seguindo, Pollon esteve apenas em sete municípios, e em 31 esteve nos top 3. Igualmente, Dagoberto Nogueira (PP) com quatro e 15. Rodolfo Nogueira (PL) não venceu em nenhum município, mas foi um dos mais votados em quatro. Assim como Dr. Luiz Ovando (PP) que foi em três. Um caso que chama a atenção, foi a de Camila, que foi a segunda mais votada em Campo Grande, mas que não apareceu no pódio de nenhuma outra cidade.

Algo a se notar, é o grande número de votos em branco dos sul-mato-grossenses. Caso fosse um candidato, ele estaria presente entre os três mais votados em nove municípios. Na Capital, por exemplo, estaria em segundo colocado, junto com Chapadão do Sul, naviraí e Três Lagoas.

Ailton explica que esse montante é relacionado ao fato de que a população está cada vez mais desiludida com as instituições públicas. “Pesquisas de cultura política tem apontado que cada vez mais o cidadão brasileiro está menos focado, menos crente nas instituições políticas e nos atores políticos por consequência. Há uma redução muito grande [na crença], uma desilusão”.

Por região

Comparando os resultados das nove regiões de Mato Grosso do Sul, é visível que certos candidatos apresentam maior força em certas áreas do Estado. Um exemplo disso, é Geraldo Resende, que dominou a região da Grande Dourados e no Cone Sul e Vander Loubet que foi forte ao Sul e no Pantanal.

Na região Norte, que abrange 11 municípios como Coxim, Sonora e São Gabriel do Oeste, o domínio foi do PSDB. Beto Pereira foi o mais votado, somando quase 11 mil votos, seguido por Marcos Pollon e Geraldo Resende. O eleitorado dessa área, historicamente conservador, premiou quem esteve mais próximo das pautas ruralistas e da base governista.

Na região da Capital, o cenário foi completamente diferente. Marcos Pollon, liderou com mais de 41 mil votos. Camila Jara, do PT que apareceu em segundo lugar com 37,7 mil votos e revelou uma polarização clara entre a nova direita bolsonarista e a esquerda petista. Beto Pereira completou o pódio, mas com votação inferior.

No Bolsão, que engloba Três Lagoas, Chapadão do Sul e Paranaíba, o candidato foi Dr. Cassiano Maia, candidato pelo PSDB a deputado federal que não se elegeu, mas que venceu em votos na região. Entre os federais eleitos, Beto Pereira foi o mais votado, seguido por Marcos Pollon e Dagoberto Nogueira. A região, caracterizada pelo polo industrial e de papel e celulose, mostrou preferência por nomes ligados ao desenvolvimento econômico e à gestão pública.

Na Costa Leste, com cidades como Bataguassu, quem marcou foi Dione Hashioka (Podemos), ex-deputada estadual, que liderou em votos. Entre os federais, Geraldo Resende foi o mais votado, seguido por Beto Pereira e Vander Loubet. A região, marcada por assentamentos rurais e conflitos agrários, deu espaço tanto ao PSDB quanto ao PT.

Na Grande Dourados, a principal região agrícola do estado, Geraldo Resende foi o grande nome, somando mais de 28 mil votos. Rodolfo Nogueira, do PL, apareceu em segundo entre os federais, com expressiva votação em Dourados, e Marcos Pollon ficou em terceiro. A região, que concentra a segunda maior cidade do estado mostrou crescimento do PL entre o eleitorado urbano e jovem de Dourados.

No Cone Sul, que inclui Naviraí, Mundo Novo e Eldorado, a disputa foi acirrada. Geraldo Resende liderou entre os federais, mas Márcio Araguaia (PP), ex-deputado estadual, foi o mais votado no geral. Vander Loubet, do PT, apareceu em terceiro no geral e segundo entre os federais. A região, vizinha ao Paraná e com forte presença de cooperativas, equilibrou o PSDB, o PT e lideranças locais, sem hegemonia clara.

Na Sul-Fronteira, que inclui Ponta Porã, Amambai e Antônio João, Lourdes Monteiro, candidata pelo MDB derrotada, foi a mais votada. Entre os eleitos, Beto Pereira liderou, seguido por Vander Loubet e Geraldo Resende. A região de fronteira revelou um padrão próprio, onde o PT tem força histórica em Amambai, mas o PSDB cresceu em Ponta Porã e Coronel Sapucaia, mostrando uma disputa polarizada entre os dois partidos.

No Sudoeste, que abrange Bonito, Jardim e Bela Vista, Beto Pereira foi o primeiro entre os federais, com uma diferença mínima para Vander Loubet, com menos de 20 votos de vantagem. Dagoberto Nogueira completou o pódio. A região turística e de ecoturismo mostrou uma das disputas mais apertadas do estado, reflexo do eleitorado polarizado entre PSDB e PT.

Por fim, no Pantanal, a ex-deputada estadual Bia Cavassa (PSDB) foi a mais votada no geral, seguida pelo também não-eleito Luis Francisco Vianna. Entre os federais, Beto Pereira liderou com folga, Vander Loubet ficou em segundo e Dagoberto Nogueira em terceiro.

Venceu, mas não levou

Nem todo voto vira cadeira em Brasília. A eleição para deputado federal em Mato Grosso do Sul, em 2022, deixou um rastro de candidatos uma grande soma de votos em diversas cidades, mas que não conseguiram se eleger. Os números do TRE-MS revelam nomes conhecidos aparecendo com frequência no top 3, mas ficando de fora da Câmara, por questões matemáticas do sistema proporcional.

Entre esses “quase eleitos”, é notável o caso de Cassiano Rojas Maia, ex-vereador e atual prefeito de Três Lagoas, no qual foi o candidato mais votado em toda a região do Bolsão, superando até os deputados eleitos. Em Três Lagoas, sozinho, conquistou 14.345 votos, porém não alcançando o coeficiente eleitoral necessário.

Outro nome de destaque é o de Bia Cavassa de Oliveira, vice-prefeita de Corumbá. No Pantanal, ela foi a candidata mais votada no geral, somando 8.339 votos em Corumbá e 2.318 em Ladário. Sua força regional, porém, não se traduziu em votos suficientes fora daquela área. Ao lado dela, Luis Francisco de Almeida Vianna, atualmente vereador, também apareceu em segundo lugar na mesma região, com 8.028 votos em Corumbá, mas ambos ficaram de fora da Câmara dos Deputados.

Lourdes Monteiro, vereadora de Ponta Porã foi outra surpresa. Na região Sul-Fronteira, especialmente em sua cidade, obteve 8.716 votos, sendo a mais votada da área entre todos os candidatos a federal. Apesar do desempenho na fronteira, sua votação não se espalhou pelo estado e não conseguiu a eleição.

Dione Hashioka, ex-deputada estadual, foi a candidata mais votada na Costa Leste e superou em cidades como Bataguassu e Aparecida do Taboado os federais eleitos. Sua votação expressiva, porém, ficou circunscrita àquela região.

Márcio Araguaia também teve atuação destacada no Cone Sul. Em Naviraí, foi o segundo mais votado no geral, com 7.256 votos. Mas seu eleitorado não foi suficiente para superar o coeficiente eleitoral. Esses casos mostram que, no sistema proporcional, votos bem distribuídos valem mais do que grandes concentrações regionais.

 

Lucas Artur

 

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