Candidaturas duplas agitam possibilidades de partidos em MS

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Decisão que autoriza a modalidade está para julgamento no TSE

Por Rayani Santa Cruz [Jornal O Estado]

Em Mato Grosso do Sul, aqueles que pleiteiam o Senado e que apoiam o(a) mesmo(a) pré-candidato(a) ao governo do Estado podem tentar articular as chamadas “candidaturas duplas”. Isso porque uma brecha jurídica para o desmembramento de coligações estaduais para a disputa ao Senado virou mais um componente na costura nos palanques pelo país. Se de fato acontecer, abrirá um leque de probabilidades.

Como já informado pelo jornal O Estado na edição anterior, uma consulta ao TSE feita pelo deputado federal Delegado Waldir (União Brasil-GO) avalia a possibilidade de partidos lançarem mais de uma candidatura ao Senado na mesma chapa para o governo estadual.

A possibilidade da dupla candidatura abre leque para que a chapa majoritária lance duas pessoas de partidos diferentes na disputa pelo Senado. O caso, sob relatoria do ministro Edson Fachin, ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.

A decisão pode impactar a formação de palanques em estados onde mais de um pré-candidato ao Senado apoia o mesmo nome a governador e duela pela vaga na chapa. É o caso, por exemplo, de Mato Grosso do Sul, que tem figuras como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o procurador licenciado Sergio Harfouche (Avante), que apoiam a pré-candidata a governadora Rose Modesto.

O ex-ministro da Saúde disse ao jornal O Estado que está percorrendo cidades do interior neste período de pré-campanha. Ele é do mesmo partido da deputada Rose Modesto, e oficializou a disputa pela legenda no mês passado.

Mandetta (União) segue na pré-campanha ao Senado e diz que está sendo bem recebido pela população. Por enquanto, ele é o único confirmado pela presidente regional, senadora Soraya Thronicke.

“Estive em Dourados, vou passar por Dois Irmãos do Buriti, Nova Alvorada do Sul e cidades próximas. Estou em um momento muito bom da pré-campanha porque a gente tem que dar opção para os eleitores. É uma realização muito boa de acolhimento, e de ouvir as pessoas”, disse o pré-candidato Mandetta.

Por sua vez, o Avante, partido do pré-candidato Sergio Harfouche, tem pretensão de se aliar ao União Brasil, e emplacá-lo na chapa com Rose. Harfouche afirma que foi convidado por Rose. Ele diz que até as convenções, que vão de 20 de julho a 5 de agosto, “tudo pode mudar ou nada pode mudar”.

O procurador licenciado garante que está apto a concorrer. “E aceitando vai ser com a Rose, apesar de outros convites, será com ela. Porque ela foi a primeira a falar comigo, tem compromisso e temos projetos em comuns. Ela pediu meu apoio para governadora e me apoiaria para o Senado. A celeuma é que me autorizaram por unanimidade em 2018 para concorrer ao Senado. E a decisão de 2020, que não é unânime do mesmo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral MS) não me deixou disputar para prefeito. Eu tenho decisão específica e unânime me garantindo eleição para o Senado.”

Porém, ele discorda das “candidaturas duplas” e diz que não aceitaria a empreitada caso houvesse probabilidade. “Aí não, Estou apoiando uma governadora e essa questão da chapa dupla eu não aceitaria.”

Outra questão a ser resolvida com o União Brasil seria sobre a “temerança” da presidente regional do União, senadora Soraya Thronicke. Ela afirmou à imprensa há algumas semanas que o procurador tem perfil bom para concorrer ao cargo, mas que existe certa insegurança jurídica e que isso era um ponto a se pensar, já que não está apta a arriscar perder votos.

“Vai depender da situação dele, porque não podemos perder os votos como aconteceu em 2018. É condição indispensável ele pedir a aposentadoria [do MP]. Mas o Harfouche é uma pessoa que nos agrada para o Senado.”

Sobre o assunto, Harfouche repetiu que a decisão do TRE de 2018 lhe permite disputar a eleição para o Senado, e que ainda vai dialogar pessoalmente com Soraya. “Se a Soraya falou, ela não conversou comigo. Eu tenho o meu partido que é o Avante, e tenho garantias do próprio tribunal de que posso concorrer ao Senado.”

Proibido ter “candidaturas duplas”

Em relação ao PT, que se federou com o PCdoB e PV, a chapa, por enquanto, tem dois nomes indicados à pré-candidatura ao Senado. Pelo Partido dos Trabalhadores, o professor da UFGD, Tiago Botelho e, pelo Partido Verde, o empresário Henrique de Medeiros. Porém o presidente estadual, Vladimir Ferreira, afirma que no caso dos federados não há possibilidade de “candidaturas duplas”, já que os partidos federados devem escolher apenas um para concorrer.

“No nosso caso, não muda nada porque somos uma federação. E teremos de escolher entre os dois [Tiago e Henrique] até as convenções. Agora, temos outros dois partidos que apoiam a candidatura majoritária do PT [ex-presidente Lula] que é o PSOL e o Rede. E se eles fizerem a federação acredito que possam lançar também um candidato ao Senado em MS.”

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