Empresário é levado para prestar esclarecimentos após operação contra esquema de contrabando de cigarros

Foto: divulgação/PF
Foto: divulgação/PF

Um empresário de 55 anos foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande na manhã desta terça-feira (16), durante a Operação Rota Clandestina, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 76 milhões com contrabando de cigarros paraguaios e lavagem de dinheiro.

Apesar de ter sido levado para prestar esclarecimentos, o empresário não foi alvo de mandado de prisão. Segundo a defesa, a Justiça autorizou apenas um mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada no Bairro Caiçara, onde ele também mantém uma distribuidora de utilidades domésticas.

Conforme apurado pela reportagem, agentes da PF (Polícia Federal) estiveram no imóvel nas primeiras horas da manhã. A propriedade ocupa uma quadra inteira e abriga tanto a residência da família quanto a empresa administrada pelo empresário.

A filha dele estava no local durante a ação, mas preferiu não comentar o caso. Funcionários da distribuidora chegaram para trabalhar por volta das 7h50 e foram orientados a acessar o estabelecimento pela residência, sem contato com a imprensa.

Defesa nega envolvimento

O advogado do empresário, Guilherme Cury, afirmou que seu cliente foi conduzido apenas para esclarecimentos e destacou que não houve prisão nem apreensão de materiais na residência.

“Ele foi alvo de uma condução pela Polícia Federal, mas esclarecemos que não havia um mandado de prisão preventiva contra ele, apenas um mandado de busca e apreensão direcionado à sua residência, como pessoa física. Nada foi apreendido no local”, declarou.

Segundo a defesa, a investigação estaria relacionada à suposta utilização de caminhões para transporte de cigarros contrabandeados. No entanto, o advogado sustenta que o empresário atua há mais de três décadas no setor de utilidades domésticas e utiliza sua transportadora exclusivamente para a distribuição regular de mercadorias.

“A apuração, ao que consta, envolve a suposta utilização de caminhões para o transporte de cigarros. No entanto, ele atua há mais de 30 anos no ramo de utilidades domésticas e sua transportadora é usada exclusivamente para a distribuição dessas mercadorias para o Norte, Nordeste, Goiânia e Paraná”, afirmou Cury.

Ainda conforme o advogado, as empresas da família e os parentes que residem no imóvel não possuem qualquer ligação com os fatos investigados. Um primo do empresário também demonstrou surpresa com a operação e afirmou não acreditar no envolvimento do familiar com o esquema criminoso.

“Só se for alguém usando as carretas dele. Ele tem muita coisa, é empresário forte. Nós começamos junto. Achei muito estranho”, comentou.

Esquema movimentou R$ 76 milhões

A Operação Rota Clandestina foi deflagrada pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no contrabando de cigarros de origem paraguaia.

Segundo as investigações, o grupo mantinha uma estrutura hierarquizada responsável por todas as etapas da atividade ilícita, desde a entrada clandestina da mercadoria no Brasil até o armazenamento, transporte, distribuição e lavagem dos recursos obtidos com as vendas.

As apurações identificaram 12 grandes apreensões de cigarros durante o período investigado, totalizando mais de 1 milhão de maços. Também foi constatada movimentação financeira superior a R$ 76 milhões, além de patrimônio incompatível com a renda oficialmente declarada por alguns investigados.

Os cigarros eram adquiridos no Paraguai e introduzidos no Brasil por rotas rurais e estradas vicinais para evitar a fiscalização. Inicialmente, as cargas eram transportadas em veículos menores e, posteriormente, armazenadas em depósitos clandestinos em Campo Grande.

Depois, os produtos eram distribuídos para outros estados por meio de caminhões, utilizando empresas de fachada e documentação fiscal fraudulenta para dar aparência de legalidade às cargas.

A investigação também aponta um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, com uso de contas bancárias de terceiros, transferências fracionadas, ocultação patrimonial e remessas ilegais de recursos ao exterior, inclusive por meio de criptoativos.

Ao todo, a operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e cinco medidas cautelares de monitoramento eletrônico. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e são executadas simultaneamente em Campo Grande e no município de Santa Luzia, em Minas Gerais.

A ação mobiliza 62 policiais federais, 17 policiais rodoviários federais, sete auditores-fiscais e 15 analistas tributários da Receita Federal. Entre os bens apreendidos até o momento estão veículos, mercadorias e um jet ski.

 

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