Uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 1 bilhão com a venda de mercadorias ilegais em plataformas de comércio eletrônico é alvo da Operação Platinum, deflagrada nesta quarta-feira (8) pela Receita Federal do Brasil e pela PF (Polícia Federal). Em Mato Grosso do Sul, os alvos da investigação estão na cidade de Dourados.
Segundo as autoridades, o grupo utilizava plataformas de venda online como Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza para comercializar produtos trazidos irregularmente do Paraguai.
Entre os itens vendidos estavam principalmente eletrônicos, como celulares das marcas Xiaomi, Apple e Samsung, além de discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos de internet via satélite da Starlink, aparelhos de ar-condicionado portáteis, perfumes e tintas para impressoras.
Estrutura com até 300 empresas
De acordo com a Receita Federal, a organização tinha atuação interestadual e transnacional, com uma estrutura que poderia envolver até 300 empresas, a maioria de fachada, além de mais de 40 pessoas diretamente ligadas ao esquema.
A investigação aponta que havia divisão de tarefas entre os integrantes, com grupos responsáveis pelo transporte das mercadorias, compras no Paraguai e gerenciamento das vendas nas plataformas digitais.
Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo utilizava empresas de fachada, notas fiscais frias e pessoas usadas como “laranjas” para registrar empresas e movimentar contas bancárias.

Foto: divulgação
R$ 300 milhões movimentados em uma única plataforma
As apurações indicam que, entre 2020 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 300 milhões apenas no Mercado Livre. Considerando também as operações de lavagem de dinheiro, o valor total do esquema pode chegar a R$ 1 bilhão.
A investigação começou após a apreensão de mercadorias descaminhadas transportadas em comboio por três veículos, em agosto de 2024. A partir desse episódio, análises fiscais, contábeis e cadastrais revelaram vínculos ocultos entre os investigados, movimentações financeiras incompatíveis e empresas criadas exclusivamente para encobrir a origem ilícita dos produtos.
“Noteiras” e laranjas
Durante as investigações, também foram identificadas empresas criadas apenas para emitir notas fiscais frias, conhecidas como “noteiras”, além de mais de dez pessoas usadas como laranjas para abrir contas bancárias e movimentar recursos do esquema.
As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal e incluem 32 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva nos estados do Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
Prisões e operação em andamento
Até o momento, 20 pessoas foram presas, enquanto um investigado segue foragido. Também houve prisões em flagrante durante o cumprimento dos mandados.
Em Recife, uma pessoa foi detida por posse irregular de arma de fogo, enquanto em São Paulo houve prisão em flagrante por descaminho e contrabando.
Além das medidas judiciais, a operação também inclui fiscalizações administrativas e apreensão de mercadorias de origem ilícita em empresas, principalmente no estado de Goiás.
Ao todo, participam da ação 52 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal e 102 policiais federais. Em Mato Grosso do Sul, até o momento, ninguém foi preso, e as investigações continuam para identificar todos os envolvidos no esquema.
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