Com a superfície de água 56% abaixo da média histórica, o Pantanal registrou em 2025 o pior resultado entre os biomas brasileiros e colocou Mato Grosso do Sul no topo do ranking nacional de redução de áreas cobertas por água. Os dados são do estudo Panorama da Superfície de Água no Brasil (1985-2025), divulgado nesta terça-feira (16), pelo MapBiomas.
Os dados mostram que Mato Grosso do Sul registrou perda de 527 mil hectares de superfície de água em relação à média histórica, liderando o ranking nacional. Mato Grosso aparece em seguida, com perda de 336 mil hectares. Os dois estados concentram grande parte da Região Hidrográfica do Paraguai, que apresentou redução de 53,8% da superfície de água, o equivalente a 877 mil hectares.
Embora tenha apresentado recuperação em relação a 2024, quando enfrentou uma seca histórica, o Pantanal ainda está longe de retornar aos níveis considerados normais. Em 2025, a superfície de água do bioma alcançou 679 mil hectares, volume 34% superior aos 506 mil hectares registrados no ano anterior. Apesar da melhora, o índice permanece distante da média histórica de 1,56 milhão de hectares observada entre 1985 e 2025.
Os reflexos da escassez hídrica são sentidos diretamente em Mato Grosso do Sul. Corumbá lidera o ranking nacional dos municípios com maior retração da superfície de água em comparação à média histórica, registrando perda de 474 mil hectares. Na sequência aparece Cáceres, em Mato Grosso, com redução de 189 mil hectares.
Segundo a pesquisadora Mariana Dias, da equipe Pantanal do MapBiomas, o comportamento das águas no bioma sofreu mudanças significativas nas últimas décadas. A especialista destaca que a década de 1980 foi marcada por grandes cheias, enquanto os últimos anos têm sido caracterizados por secas prolongadas.
“A dinâmica das águas no Pantanal mudou; a década de 80 foi marcada por grandes inundações, mas desde 2019 a região enfrenta secas prolongadas. Os períodos secos e úmidos são essenciais na manutenção da biodiversidade no bioma. A Bacia do Alto Paraguai e os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul refletem essa dinâmica registrada pela variação da água no bioma”, afirma.
O levantamento também aponta que a redução da disponibilidade hídrica é um fenômeno observado em diferentes regiões do país. Em 2025, quase metade dos municípios brasileiros, 45%, o equivalente a 2.511 cidades, registrou superfície de água abaixo da média histórica.
Por Geane Beserra
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