Conselheiro denunciado por assédio segue trabalhadno na mesma unidade que as vítimas

Foto: Divulgação
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Funcionário do Conselho Tutelar Imbirussu ainda estaria coagindo colegas de trabalho

Mesmo após ser alvo de duas denúncias de assédio sexual registradas por funcionárias do 8º Conselho Tutelar da Região Imbirussu, em Campo Grande, o conselheiro acusado continua exercendo normalmente suas funções na unidade. As duas servidoras que denunciaram os casos também seguem trabalhando no local.

A permanência do conselheiro na unidade ocorre enquanto as denúncias são apuradas pelas autoridades. Conforme apurado pela reportagem, até o momento não houve afastamento ou transferência do acusado.

Uma das vítimas chegou a buscar uma medida que impedisse o contato com o conselheiro, mas, segundo informações obtidas pela equipe do Jornal O Estado, foi orientada de que o pedido deveria ser encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Também há relatos de que o conselheiro tem abordado outros servidores da unidade após a divulgação das denúncias. Segundo as informações repassadas à reportagem, funcionários se sentiram coagidos por essas abordagens.

Questionada sobre as providências adotadas diante das denúncias e sobre a permanência do conselheiro na unidade, a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) informou que a equipe técnica da pasta acompanha os casos e presta acolhimento às servidoras.

“A SAS reafirma seu compromisso com a proteção e a defesa dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade e informa que está adotando todas as providências cabíveis dentro de sua esfera de atuação para assegurar a integridade física, emocional e psicológica das servidoras, acompanhando os casos de forma contínua e responsável”, informou a secretaria em nota.

A reportagem também questionou se existe a possibilidade de transferência do conselheiro para outra unidade ou eventual processo de destituição do mandato. Esses questionamentos não foram respondidos pela pasta.

O CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) também foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

Duas denúncias

A mais recente denúncia foi registrada na sexta-feira (12), na 7ª Delegacia de Polícia Civil. No boletim de ocorrência, uma funcionária relatou que procurou o conselheiro para recuperar o acesso a uma conta de e-mail e que, durante o procedimento, ele teria visualizado imagens íntimas. Segundo a denúncia, após a recuperação do acesso, o conselheiro teria feito comentários sobre as fotografias e pedido que o assunto permanecesse em sigilo.

O caso veio à tona pouco mais de uma semana após outra servidora da mesma unidade registrar boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva após denunciar um episódio de assédio dentro do conselho tutelar.

Na ocasião, a SAS informou que prestou acolhimento às servidoras e orientou a formalização das denúncias junto às autoridades competentes.

Por Biel Gill

 

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