Procura por autoteste aumenta 100%, mas população desconhece sobre o correto descarte

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo
Por Suelen Morales

Campo Grande tem registrado um aumento em novos de COVID-19. Com isso, as farmácias também registraram um aumento de 100% na procura pelo autoteste. O problema é que esses possíveis casos não entram no registro da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e além disso a população desconhece qual a maneira e/ou local correto para o descarte desse material, após o uso.

O jornal O Estado percorreu as farmácias Drogasil, Freire e o Grupo Mais farmácias da Capital, que confirmaram o aumento nas vendas do autoteste que custa em média R$ 69. “Um aumento de 100%”, “Está saindo vendas demais”, “Tem testes de R$ 54”, foram algumas das respostas obtidas no levantamento realizado pela equipe de reportagem.

Contudo, sobre o descarte correto do material a equipe de O Estado questionou os atendentes e farmacêuticos, que em sua maioria não souberam informar um local apropriado para o descarte desse tipo de material. “Boa pergunta, também não sei. Aqui não fazemos essa orientação e não vem recomendação na embalagem do exame”, relatou um funcionário que preferiu não se identificar.

O Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul analisa a situação como preocupante e recomenda que a população tenha cuidado ao descartar o autoteste, já que se trata de um material com fluidos contaminados, mesmo ao dar negativo para COVID19. “São as complicações dessa liberdade. Por exemplo, quando você vende um produto que é considerado lixo hospitalar, vai colocar aonde? Em casa? O certo é fazer inativação desse material. Não temos uma orientação técnica, mas podemos recomendar que a população adote o mesmo critério de descarte e manuseio de um material contaminado, embale bem, isolando o material e jogue no lixo do banheiro, que é um ambiente mais reservado em que não há manuseio do lixo ou contato com alimentos, etc.”, recomendou o presidente do conselho, Flávio Shinzato.

Em nota, a Sesau esclareceu que os autoteste não tem como objetivo o diagnóstico do novo coronavírus, e sim apenas uma forma de triagem do paciente, seja ele sintomático ou não, dessa forma, caso o resultado seja positivo, ele deverá buscar uma unidade de saúde para realização do teste de diagnóstico, e este deve ser feito caso obtenha um resultado negativo mas os sintomas persistirem.

“A forma de descarte desse material está descrita na bula do teste, contudo é necessário reforçar que se trata de um material biológico possivelmente contaminado, sendo assim orienta-se que todos os itens do teste devem estar em uma embalagem plástica separada, para evitar riscos de contaminação de terceiros”, pontuou a secretaria.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Estado, os números de novos casos apresentaram redução em Mato Grosso do Sul, assim como o registro de mortes pela doença. Mesmo assim as internações pela doença seguem em estabilidade. Na última semana foram confirmados 3.057 novos casos da doença e sete mortes em Mato Grosso do Sul.

Dos 3.057 novos casos, o município com maior incidência é Campo Grande, com 1.325, seguido por Três Lagoas com 174, Ponta Porã com 161, Dourados com 154, Eldorado com 85 e Cassilândia com 84. De 4.672 casos ativos no Estado, 68 são pessoas hospitalizadas; 43 estão em leitos clínicos e 25 em leitos de UTI.

Pesquisa estuda fracionar doses

Um estudo conduzido pelo Instituto Sabin de Vacinas e pela Fiocruz Mato Grosso do Sul vai avaliar a possibilidade de fracionar as doses de reforço dos imunizantes para a COVID-19. A pesquisa deverá mostrar se doses menores podem oferecer a mesma resposta imunológica e com reações adversas menores. Isso possibilitaria multiplicar a oferta de vacinas, principalmente nos países mais pobres, e orientar novas estratégias de imunização. Segundo o Instituto Sabin, apenas 17,4% da população dos países de baixa renda foi vacinada contra a ao passo que nos países com alta renda esse índice chega a 72%.

Em Campo Grande, 1.440 pessoas participarão da pesquisa, recebendo as vacinas Pfizer (dose cheia, metade ou um terço), AstraZeneca (dose cheia ou meia) e CoronaVac (dose cheia), sendo acompanhadas por seis meses.

“No desenvolvimento das vacinas, a dose é determinada logo nos estágios iniciais, equilibrando-se a eficácia com os possíveis efeitos colaterais, até chegar a uma dose eficaz com mínimo possível de efeitos colaterais”, conta Denise Garrett, vice-presidente de Epidemiologia Aplicada do Instituto Sabin de Vacinas, que completou destacando que o momento permite a otimização de doses. “Com a pandemia, houve uma pressão muito grande por um imunizante que fosse eficaz. Estávamos numa situação em que não poderíamos correr o risco de falhar. Mas estamos num momento agora em que temos a oportunidade de otimizar essa dose”, finaliza.

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