Prefeitura não consegue tirar do papel novo estacionamento rotativo

Prefeitura enviou projeto para Câmara, mas vereadores questionaram o prazo de concessão. - Foto: Nilson figueiredo
Prefeitura enviou projeto para Câmara, mas vereadores questionaram o prazo de concessão. - Foto: Nilson figueiredo

Desde março de 2022, ou seja, quase dois anos, o contrato com a empresa Metro Park, conhecida como Flexpark, foi rescindido pela Prefeitura de Campo Grande, assim deixando os estacionamentos rotativos sem taxa. A equipe do jornal O Estado foi até as ruas da Capital para saber a opinião dos motoristas, em unanimidade, eles não apoiam o retorno do parquímetro.

Para a cabeleireira, Juliele Spider, que vai todos os dias para o serviço de moto, não compensa a taxa. Ela reconhece que o centro está desorganizado com a falta de vagas, mas ainda não apoia essa cobrança nos motoristas.

“Sem cobrança, aqui na 14 de julho ficou desorganizado, eu acho assim, que deveria ter mais organização para o trânsito, porque tem idoso que quer colocar o carro aqui no lugar de idosos, na vaga deles, tem gente que coloca o carro. Fora, que a gente vem fazer compras e não tem como parar. Agora assim, na rua, não, porque muita gente não tem condições. E quem vem de outra cidade como faz para colocar o parquímetro? Eu acho que na 14 de julho deveria sim, porque virou uma bagunça”, reforça

O servidor público estadual, José de Almeida Oliveira, também não acha justo a cobrança. José estava no centro comprando material escolar para a filha, comentou sobre a dificuldade em achar vaga, mas mesmo assim não apoio a volta do parquímetro.

José de Almeida, servidor estadual. – Foto: Nilson Figueiredo

“Eu acho que a gente paga bastante imposto. Tem que ter as vagas do estacionamento para que o mercado gire, isso é bom para o mercado, ter vagas de estacionamento disponível. A gente já paga o imposto, cada compra que a gente faz, em cada loja, a gente já está pagando o imposto, além do IPVA e outros tributos que a gente paga. Apoio o carro parar e ficar o tempo que quiser, todos têm direito, mas se você parar pra analisar sempre tem rotatividade, pode ser que um ou outro carro fique mais tempo, mas sempre tem rotatividade”.

O servidor público comenta também sobre os estacionamentos pagos no centro, os valores que não são acessíveis, considerando quem pretende demorar nas compras. “Você vê aí os preços do estacionamento, pagar no mínimo, R$ 6,00, ou R$ 7,00 à hora é muito pesado. Eu vim para fazer compra de material escolar aqui, estou duas horas aqui, então no mínimo que eu vou pagar, uns R$ 12,00, R$ 14,00 de estacionamento, que eu poderia gastar em outra coisa para o meu lar”, pontua

A bancária, Giovanna Bernardes, revela a falta de paciência para procurar vaga, e acaba optando por pagar estacionamento, além disso, ela conta sobre o medo de deixar o carro na rua, pela falta de segurança. Com todos esses pontos, ela também é contra a volta do parquímetro.

Giovanna Bernardes, bancária. – Foto; Nilson Figueiredo

“Não é uma questão de preferência estacionar em um estacionamento privado, é questão de não achar vaga livre, nunca acho, não tem vaga na cidade. Na verdade, quando você coloca, eu acho que é mais arriscado, alguém bater no seu carro, arranhar, então ali acho [estacionamento privado] tem mais uma segurança também. Além de segurança, o principal foi não achar vaga, dei duas voltas. Acho bom a gente não pagar parquímetro, porque não tem vaga de qualquer jeito, aí eu vou dar a volta, procurar, ainda vou ter de pagar na rua. Se for assim, eu pago no particular, já que é pra pagar”.

Questionada sobre apoiar a implantação de tempo limite nas vagas, Giovanna não concorda. “Na questão de tempo limite, eu acho que você não está pagando, é público, então eu acho ruim. Acho que não precisa desse tempo, como já disse as pessoas demoram para achar vaga, não é justo limitar o tempo dela na vaga”.

A professora, Karen Roberta, estava parada no embarque e desembarque na 14 de julho. Pensando nos motoristas de aplicativo, até mesmo os taxistas, ela comenta ser bom ter essas vagas, por ser uma que exige a rapidez.

“Acredito que antes, tendo que pagar era mais difícil achar vaga. Agora, está mais fácil. Essas que são de embarque e desembarque facilitaram as nossas vidas, principalmente dos motoristas de aplicativo e taxistas, porque aqui você precisa ser ágil, rápido, é deixar ou pegar alguém de uma forma dinâmica, sem ter que esperar muito, eu gosto. Enfim, acho melhor como está hoje, sem pagar”, opina.

Agetran interdita alguns trechos neste fim de semana
A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) alerta para as interdições que acontecem neste fim de semana. A orientação é para que os condutores e pedestres tenham atenção redobrada nesses locais de interdição e possam planejar outras rotas. Neste sábado (27), Avenida Noroeste entre Avenida Afonso Pena e Rua Barão do Rio Branco, por conta de uma feira popular e no período da noite, das 18h às 22h, a interdição será na avenida Calógeras entre a Rua Temístocles e Avenida Mato Grosso. No local haverá uma atração cultural. Já no domingo (28) a interdição será no bairro Coophavila II na Avenida Marinha entre Rua da Península e Rua do Porto, das 15h às 23h, devida uma ação festiva da comunidade.

Retorno

Ao decorrer de 2023, várias chamadas foram feitas a respeito do assunto, contudo, nada foi definido. Em abril, foi anunciado o aumento de 60% no valor, até então o valor cobrado por hora era R$ 2,75, e passaria a valer R$ 4,40. A Prefeitura Municipal de Campo Grande ressaltou que o estudo técnico que definiu o novo valor cobrado, foi baseado no Índice Geral de Preços – Mercado (IGPM), indicador utilizado no contrato passado. O estudo preliminar foi coordenado pela Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande) e Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

Por fim, em setembro do ano passado a Prefeitura de Campo Grande enviou à Câmara Municipal o projeto de lei do parquímetro, pedindo autorização para proceder com os trâmites para a contratação da empresa que explorará o sistema

O projeto acrescentaria 3.751 vagas com um prazo de concessão de 15 anos, podendo ser prorrogado por mais 15 anos, entretanto os vereadores não foram receptivos ao prazo estabelecido e o projeto voltou à prefeitura para a reformulação.

O contrato com a Flexpark durou 20 anos, de 2002 a 2022, e eles eram responsáveis pelo estacionamento no quadrilátero da Avenida Fernando Corrêa da Costa à Avenida Mato Grosso e da Avenida Calógeras à Rua Padre João Crippa. Ao todo, eram 2.458 vagas para veículos.

A equipe do jornal O Estado entrou em contado com o poder executivo para saber como está o processo em relação ao estacionamento rotativo, contudo não tivemos nenhuma resposta até o momento.

 

Por Inez Nazira 

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