Dia Nacional do Café: mesmo com preços elevados, a bebida continua sendo a queridinha do brasileiro

Foto: reprodução/redes sociais
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Café mais caro pesa no bolso e alta deve continuar, alerta economista

 

Celebrado em 24 de maio, o Dia Nacional do Café homenageia uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros e um dos produtos mais importantes para a economia do país. Nos supermercados, o consumidor ainda sente no bolso o impacto da alta dos preços do produto, com valores que chegam a R$ 30. Especialistas consultados pelo jornal O Estado apontam que o encarecimento do café não está ligado a um único fator, mas a um conjunto de elementos que afetam toda a cadeia produtiva.

Adaptação, pesquisa e alguns ajustes no orçamento são algumas das estratégias dos consumidores em Campo Grande para garantir o cafezinho de todo dia. Marcos Roberto, empresário, afirma que é um verdadeiro apreciador de café.

“Em casa, é só eu e minha esposa. Mas a gente consome, em média, 1 kg por mês. E eu me considero uma pessoa fora do padrão, porque aprecio o café. Ou seja, eu tomo café de qualidade, então, para mim, não importa o preço”, afirmou.

Já a consumidora Thaís Neves, comentou que em casa precisou aderir a outras marcas, ficar atenta às promoções, mas garante que não abre mão. “É insubstituível. Café é café e quem gosta sabe que não dá para substituir por outra bebida. O que resta é comprar de marca boa no começo do mês, e no fim do mês a gente varia para marcas mais em conta”, detalha sobre o consumo em casa.

Questionada sobre a data que valoriza a produção do café, ela alerta: “O ideal mesmo era que o consumidor pudesse comemorar a data com preços mais baratos, com o valor do jeito que está não se tem muito o que comemorar”, completa.

Foto: Roberta Martins

Preços na Capital

Em uma rápida pesquisa realizada pela reportagem do jornal, na última sexta-feira (22) é possível observar que o consumidor campo-grandense encontra preços bastante diferentes para o mesmo produto nos supermercados. A pesquisa mostra que o café em pó (Três Corações), embalagem de 500 gramas, varia de R$ 22,99 a R$ 32,90, dependendo do estabelecimento.

O menor preço foi encontrado nos supermercados Comper, Atacadão e Fort, onde o produto custa R$ 22,99. Já em outros estabelecimentos o café é cotado entre R$ 24,99, pode subir para R$ 28,99. O maior preço registrado foi em um supermercado no bairro Jardim Jockey Club onde o pacote chega a R$ 32,90.

A diferença entre o menor e o maior valor chega a R$ 9,91, reforçando a importância de pesquisar antes de comprar, principalmente em um cenário de alta nos preços do café em todo o país.

Porque o café ficou tão caro?

Segundo a economista Cristiane Mancini, a instabilidade climática é uma das principais razões para a disparada nos preços. “As secas bastante consideráveis, as temperaturas elevadas e, em algumas regiões, até episódios de geada reduziram significativamente a produtividade das lavouras”, explica.

Com a queda na produção, a oferta diminui enquanto a demanda permanece elevada, provocando outro efeito direto: a redução dos estoques. “Quando há menor oferta e a procura continua alta, os estoques ficam mais baixos. Isso faz com que os preços sejam reajustados para cima”, afirma a economista.

Os custos de produção também pressionam o valor final do café. De acordo com a economista, os conflitos internacionais têm provocado aumento nos preços de insumos importantes para o setor, como fertilizantes, além de elevar despesas com transporte e energia. “A partir do momento em que a produção se torna mais cara, os produtores precisam reajustar os preços para manter a atividade viável economicamente”, explica.

Mesmo diante do cenário de preços elevados, o café continua sendo um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros. A expectativa do setor é de que os valores permaneçam pressionados enquanto persistirem os desafios climáticos e os altos custos de produção no mercado global.

O dólar tem uma parcela na lata do café

Outro ponto destacado por Cristiane Mancini é o fato de o café ser uma commodity negociada em dólar no mercado internacional. Com a valorização da moeda norte-americana, os produtores encontram mais vantagens em exportar o produto. “Como o café é cotado em dólar, torna-se mais interessante para os produtores venderem ao exterior, o que acaba encarecendo o produto para os brasileiros”, ressalta.

Café é agro

Neste domingo (24), a data também marca o início da colheita nas principais regiões produtoras. O café é um dos produtos mais importantes do agronegócio brasileiro, movimentando a economia, gerando empregos e fortalecendo as exportações do país. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de café do mundo, e a cadeia produtiva envolve milhares de produtores, transportadores, indústrias e comerciantes.

Embora o Brasil seja uma potência na produção de café, Mato Grosso do Sul possui uma participação modesta no setor. Ainda assim, o estado mantém a tradição do cultivo em algumas regiões, principalmente por pequenos produtores. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a estimativa é que o Estado produza 207 toneladas de café em 2025.

Nos últimos anos, porém, os cafezais sul-mato-grossenses têm diminuído gradativamente. A principal dificuldade enfrentada pelos produtores é conseguir permanecer na atividade diante dos altos custos de produção, das oscilações climáticas e da forte concorrência com estados tradicionalmente produtores, como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

No país a produção de café deve apresentar um crescimento de 18% na safra 2026 frente ao volume colhido na temporada passada, sendo estimada em 66,7 milhões de sacas. Caso o resultado se confirme ao final do ciclo, este será o maior já registrado na série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), superando em 5,74% a colheita registrada em 2020, quando foram colhidas 63,08 milhões de sacas.

A área total destinada à cafeicultura deverá também registrar um aumento de 3,9%, chegando a 2,34 milhões de hectares. A produtividade média nacional das lavouras também deve apresentar recuperação de 13%, sendo prevista em 34,4 sacas por hectare. Os dados fazem parte do 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado nesta quinta-feira (21) pela Companhia.

Para o arábica, a Conab prevê uma produção de 45,8 milhões de sacas, aumento expressivo de 28% sobre o ano anterior e a terceira maior registrada na série histórica, atrás apenas dos resultados obtidos em 2020 e 2018.

No caso do conilon, a expectativa é que sejam colhidas 20,9 milhões de sacas, o que representa uma alta de 0,8% sobre a safra anterior. O crescimento é influenciado pela maior área em produção, projetada em 388,22 mil hectares.

Apenas em Minas Gerais, principal produtor de café no país e estado que registra a maior área destinada para o arábica, a produção é estimada em 33,4 milhões de sacas, somadas as duas espécies, o que representa um aumento de 29,8% em comparação ao volume total produzido na safra anterior.

O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de 60 quilos de café no acumulado de janeiro a abril de 2026, o que representa uma queda de 22,5% na comparação com igual período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Essa redução na exportação brasileira de café nos primeiros meses de 2026 reflete o quadro de baixo patamar dos estoques internos.

 

Por Suzi Jarde e Polyana Vera

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