Construção civil pode avançar até 8% neste ano em Mato Grosso do Sul

A expectativa de crescimento no Estado supera a projeção nacional, que é de 2%  - Foto: Nilson Figueiredo
A expectativa de crescimento no Estado supera a projeção nacional, que é de 2% - Foto: Nilson Figueiredo

Presidente do Sintracom e da Fetricom-MS avalia que queda da Selic pode destravar crédito e sustentar novos projetos

 

A construção civil de Mato Grosso do Sul deve avançar até 8% em 2026, desempenho que, se confirmado, colocará o Estado muito acima da média nacional projetada para o setor. A estimativa é do presidente do Sintracom e da Fetricom-MS, José Abelha Neto, que detalhou ao jornal O Estado a leitura do movimento atual do mercado local.
“Em MS, o setor deve crescer até 8% neste ano”, afirmou. Para ele, o ritmo das obras e a carteira de novos empreendimentos já indicam um ambiente mais dinâmico, ainda que acompanhado de tensões no mercado de trabalho. “Muitas construtoras já enfrentam dificuldades com mão de obra. Por isso, oferecem mais benefícios para atrair os trabalhadores”, disse.

A sinalização de expansão ocorre em um contexto nacional mais comedido. A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) projeta crescimento de 2% para 2026, após um 2025 marcado por desaceleração, o setor saiu de uma alta de 4,2% em 2024 para 1,3% no ano passado, sob efeito de juros em dois dígitos e do que economistas classificaram como ambiente monetário restritivo.

Caso a estimativa se confirme, será o terceiro ano consecutivo de expansão, porém em patamar inferior ao observado no auge recente.

A recomposição do fôlego nacional está ancorada na perspectiva de redução da taxa básica de juros, no orçamento recorde destinado à habitação via FGTS, na implementação do novo modelo de financiamento da casa própria voltado à classe média e na continuidade dos investimentos em infraestrutura, que somaram R$ 280 bilhões em 2025, com predominância de capital privado.

Ainda assim, o setor permanece exposto a fatores de risco, como a situação fiscal do país, o crescimento econômico menos vigoroso e, sobretudo, a escassez de profissionais qualificados.

Em 2025, a Sondagem da Construção, realizada pela CNI com apoio da Cbic, registrou perda de confiança empresarial e retração no nível de atividade ao longo do ano. Pela primeira vez em meses, a carga tributária superou a taxa de juros como principal preocupação dos executivos.

Paralelamente, a pressão sobre os custos se intensificou. Enquanto o IPCA fechou em 4,26%, o INCC avançou 5,92%, motivado principalmente pela elevação de 8,98% nos gastos com mão de obra.
O mercado de trabalho explica parte dessa dinâmica. O Brasil encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica. Na construção, o saldo foi positivo, com 87.878 novos postos formais e contingente total de 2,9 milhões de trabalhadores. O salário médio de admissão no setor superou a média nacional.

Em Mato Grosso do Sul, segundo Abelha, essa disputa já é perceptível nos canteiros de obras. A oferta de benefícios adicionais e condições mais atrativas tornou-se estratégia recorrente para retenção de trabalhadores.

Ele avalia que a eventual trajetória de queda da Selic poderá consolidar o ciclo de expansão no Estado. “A expectativa é a queda da taxa Selic de agora em diante, o que se traduz em maior facilidade de crédito para as construtoras e incorporadoras”, afirmou.

 

Por Djeneffer Cordoba

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