Com custo total de R$ 6,8 mil por hectare para arrendatários, combinação de endividamento, insumos caros e incertezas climáticas pressiona rentabilidade na safra 2026/2027
O planejamento da safra de soja 2026/2027 em Mato Grosso do Sul exige atenção redobrada dos agricultores, especialmente daqueles que produzem em áreas arrendadas. O Estudo Técnico de Custo de Produção da Soja, divulgado pela Aprosoja/MS, revela que a margem de segurança para quem trabalha em terras alugadas é extremamente estreita, colocando o segmento em uma zona de alto risco financeiro.
Para o produtor proprietário, o custo médio para cultivar um hectare de soja no estado foi estimado em R$ 5.024,82. Considerando o preço médio praticado de R$ 119,52 por saca, o ponto de equilíbrio exige uma colheita mínima de 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir as despesas totais. No entanto, o cenário muda drasticamente quando o valor do arrendamento entra no cálculo.
Ao adicionar o custo médio de arrendamento, estimado em 15 sacas por hectare ou R$ 1.792,80, a despesa total para o produtor arrendatário salta para R$ 6.817,62 por hectare. Com isso, o volume necessário para empatar as contas sobe para 57,04 sacas por hectare, patamar superior à produtividade de referência do estado para o ciclo 2026/2027, projetada em 52,4 sacas por hectare pelo Projeto SIGA-MS. Essa diferença negativa expõe o agricultor a prejuízos imediatos caso ocorram oscilações de mercado ou quebras de safra.
A pressão sobre as contas é puxada principalmente pelos insumos, que respondem por 61,27% do custo total da lavoura, somando R$ 3.078,63 por hectare. O peso dos fertilizantes e defensivos agrícolas faz com que mais de R$ 6 a cada R$ 10 investidos na produção fiquem concentrados nessa etapa, conforme aponta a análise econômica da entidade. Despesas operacionais com combustível, com o litro do diesel cotado a R$ 6,45, e juros de financiamento mantidos no patamar de 14,25% ao ano ampliam a rigidez do orçamento.
Além dos gargalos financeiros e do histórico recente de endividamento, o clima surge como fator decisivo para o resultado final do campo.
As previsões meteorológicas do Cemtec/Semadesc indicam risco de irregularidade nas chuvas no início do plantio, acompanhadas de ondas de calor intenso sob a influência contínua do fenômeno El Niño.
Diante da projeção de queda de 13,2% na produtividade média em relação ao ciclo anterior, a Aprosoja/MS reforça a necessidade de gestão rigorosa, compra antecipada de insumos e acompanhamento constante das condições climáticas para mitigar os riscos da temporada.
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