Preso, Vorcaro busca fechar delação na próxima semana e promete “explicar tudo”

Foto: divulgação/Marcio Gustavo Vasconcelos
Foto: divulgação/Marcio Gustavo Vasconcelos

Preso e no centro de investigações que envolvem o sistema financeiro, o banqueiro Vorcaro pretende iniciar na próxima semana as negociações para um acordo de delação premiada com a PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República). A estratégia da defesa inclui a proposta de imunidade jurídica para familiares e a apresentação de um conjunto de informações que, segundo interlocutores, traria detalhes inéditos sobre os fatos investigados.

Nas últimas três semanas, uma força-tarefa da defesa trabalhou na organização de dados e documentos enquanto o empresário permanece detido. Com o material reunido, os advogados pretendem apresentar às autoridades os elementos que sustentariam a delação e discutir os termos do possível acordo.

A expectativa é que, caso a negociação avance, PF e PGR solicitem a inclusão de informações específicas nos depoimentos. Pessoas que acompanham o caso afirmam que há cautela na estratégia, já que a defesa busca demonstrar que possui elementos relevantes sem expor todo o conteúdo antes da formalização do acordo.

Entre os pontos em discussão está a possibilidade de uma delação coletiva, que incluiria nomes como o fundador da Reag Investimentos, Carlos Mansur, e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A defesa também tenta assegurar imunidade para parentes próximos do banqueiro, como o pai e a irmã, para evitar que eventuais crimes atribuídos a ele — como lavagem de dinheiro por meio de contas de familiares — sejam imputados a eles.

De acordo com pessoas ligadas às negociações, o material reunido já seria suficiente para preencher “muitos anexos” de uma eventual colaboração premiada. “Vorcaro vai explicar tudo”, afirmam interlocutores próximos.

As informações reunidas incluem dados da investigação, mensagens de celular e relatos do próprio banqueiro. A defesa sustenta que o conteúdo poderia revelar conexões ainda não identificadas pelas apurações.

Apesar de afirmar estar arrependido, Vorcaro nega ter integrado uma organização criminosa. Segundo relatos de pessoas próximas ao processo, ele afirma que apenas “jogou o jogo que todo mundo joga” e pretende detalhar como, na visão dele, agentes do mercado financeiro teriam atuado para sufocar o banco Master.

Entre os elementos que devem ser apresentados às autoridades estão mensagens em que o banqueiro menciona ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Caberá à Polícia Federal e à Procuradoria avaliar se os relatos configuram eventuais crimes.

A defesa também deve abordar outros episódios citados na investigação. O uso de aeronaves pertencentes a Vorcaro por terceiros, por exemplo, será apresentado como estratégia de ampliação de contatos. Já ameaças dirigidas a desafetos, incluindo jornalistas, devem ser descritas como desabafos ou bravatas.

Outro ponto que deve ser esclarecido diz respeito a uma conversa em que o banqueiro menciona “moer” uma pessoa e cita uma “empregada Monique”. Segundo interlocutores da defesa, a mulher seria funcionária de uma namorada de Vorcaro e teria ameaçado o casal com a divulgação de imagens comprometedoras.

As negociações também envolvem esclarecimentos sobre Luiz Philipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após ser preso. Pessoas próximas à defesa afirmam que, em Minas Gerais, ele era conhecido pelo apelido “Mexirica” e que o nome “Sicário” teria surgido como uma brincadeira feita por Fabiano Zettel. Mourão é descrito por esses interlocutores como alguém “voluntarioso”, o que indicaria maior autonomia em suas ações.

Na investigação, porém, Mourão aparece como um dos principais operadores de ordens atribuídas a Vorcaro e é suspeito de envolvimento na invasão ilegal de sistemas públicos.

Caso a delação avance, caberá às autoridades analisar a consistência das informações apresentadas e definir os possíveis desdobramentos das investigações.

 

Com informações do SBT News

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