André Mendonça cobra explicações da PF após troca em investigação sobre fraudes no INSS

Foto: divulgação/Rosinei Coutinho/STF
Foto: divulgação/Rosinei Coutinho/STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, demonstrou irritação com o que classificou como interferência da Polícia Federal no inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. O motivo da reação foi a substituição do delegado Guilherme Figueiredo Silva, que vinha comandando as investigações do caso.

Segundo informações apuradas, Mendonça tomou conhecimento das mudanças após ser informado por um advogado ligado ao processo. Diante da situação, o ministro solicitou esclarecimentos formais à Polícia Federal. Em resposta enviada ao STF no último dia 8 de maio, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou as alterações na condução do inquérito.

Após a confirmação, André Mendonça convocou uma reunião com os delegados responsáveis pela investigação. O encontro ocorreu nesta sexta-feira (15), no gabinete do ministro, e durou cerca de duas horas.

Durante a reunião, Mendonça cobrou explicações sobre a mudança na coordenação do caso e afirmou que passará a acompanhar mais de perto os trabalhos investigativos. O ministro demonstrou preocupação com possíveis atrasos ou eventual seletividade na análise do material apreendido durante as operações.

Além disso, o magistrado solicitou que a equipe da Polícia Federal apresente os resultados das buscas realizadas até o momento e detalhamento da análise do conteúdo obtido nas apreensões.

O caso é considerado politicamente sensível porque Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está entre os investigados. Ele teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por determinação judicial, a pedido do delegado que deixou a investigação.

Os investigadores tentam apurar a relação de Lulinha com Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como figura central no esquema investigado, por meio da empresária Roberta Luchsinger.

A mudança promovida pela Polícia Federal alterou toda a estrutura responsável pelo caso. O inquérito, que antes estava subordinado à Coordenação de Repressão a Crimes Fazendários, passou para a Coordenação de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.

O delegado Guilherme Pereira Silva havia assumido a chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF em julho de 2025 e esteve à frente das principais medidas relacionadas ao caso. Foram dele, por exemplo, pedidos de prisão contra o “Careca do INSS”, mandados de busca contra Roberta Luchsinger e o senador Weverton Rocha, além da solicitação de quebra de sigilos de Lulinha.

Apesar da mudança de coordenação, a maior parte da equipe de investigadores foi mantida, sendo transferida para o novo setor responsável pelo inquérito. Guilherme, no entanto, deixou a condução direta das investigações. Procurada, a Polícia Federal não comentou oficialmente o caso.

 

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