O partido Juntos por el Perú, que apoia o candidato presidencial Roberto Sánchez, anunciou que não reconhecerá o resultado final das eleições presidenciais do Peru. A legenda afirma que o processo eleitoral não oferece garantias suficientes de transparência para refletir fielmente a vontade dos eleitores. Com mais de 99% das urnas apuradas, Sánchez aparece atrás da adversária Keiko Fujimori por cerca de 35 mil votos, uma diferença equivalente a aproximadamente 0,2 ponto percentual.
Diante do cenário apertado, o partido convocou manifestações em Lima e em outras cidades do país. No último sábado (13), apoiadores, sindicatos e movimentos sociais ligados à candidatura de Sánchez realizaram um ato na Praça San Martín e seguiram em marcha até a sede do Jurado Nacional de Elecciones (JNE). O candidato também utilizou as redes sociais para defender a revisão das atas eleitorais e pediu a recontagem de todos os documentos passíveis de análise dentro dos limites previstos pela legislação.
A proposta, porém, foi rejeitada pela chapa adversária. O vice de Keiko, Luis Galarreta, descartou a possibilidade de uma recontagem ampla logo após o pedido de Sánchez. Posteriormente, a própria candidata afirmou que não apoia uma revisão total dos votos. Apesar disso, o processo de análise continua, já que o órgão eleitoral informou que 1.595 atas eleitorais apresentam possíveis inconsistências e seguem sob avaliação, representando cerca de 1,7% do total de documentos registrados na eleição.
A legislação peruana permite a recontagem em situações específicas, como divergências entre o número de cédulas e de eleitores registrados, diferenças entre os votos anotados em ata e os encontrados nas urnas, ou quando recursos apresentados pelos partidos são aceitos pelas autoridades eleitorais. Embora a quantidade de atas questionadas seja relativamente pequena, especialistas avaliam que elas podem ter impacto relevante em uma disputa tão equilibrada.
A lentidão na apuração é uma característica comum das eleições peruanas, realizadas com cédulas de papel e contagem manual dos votos. Além da necessidade de revisar documentos com inconsistências, o transporte do material eleitoral em regiões remotas dos Andes e da Amazônia também contribui para atrasos. A expectativa é que o resultado oficial seja conhecido apenas em julho, após a conclusão das análises e recursos. Em 2021, a disputa entre Pedro Castillo e Keiko Fujimori levou 43 dias para ter o vencedor oficialmente proclamado.
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