Funcionários da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em Mato Grosso do Sul

Foto: divulgação
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Categoria rejeitou proposta de 0,6% de ganho real e inicia paralisação nesta quinta-feira (10)

Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado em Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada após 87,59% dos trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho.

Ao O Estado, a presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues, afirmou que a principal reivindicação econômica era a reposição da inflação mais 5% de ganho real. A proposta apresentada pelos bancos prevê 0,60% de ganho real. A categoria também questiona mudanças no Saúde Caixa e nas condições de trabalho.

“Os empregados rejeitaram a proposta porque ela não atende às pautas da categoria”, afirmou Neide. Segundo ela, entre os principais pontos de discordância estão o modelo de custeio do plano de saúde e o aumento da coparticipação, que devem elevar os custos para empregados da ativa e aposentados.

Adesão ainda é incerta

O impacto da paralisação nas agências de Mato Grosso do Sul ainda não pode ser estimado. De acordo com o sindicato, a adesão à greve é voluntária e somente nesta quinta-feira será possível saber quais unidades terão o funcionamento afetado.

“O papel do sindicato na greve é organizar, apoiar e cuidar da parte burocrática, mas a adesão dos trabalhadores é voluntária”, explicou Neide.

A entidade representa funcionários de Campo Grande e outros 27 municípios de Mato Grosso do Sul. Por isso, a paralisação anunciada pelo sindicato não abrange todas as agências do Estado.

Negociação teve nova rodada

Após o resultado das assembleias, a Caixa convocou representantes dos empregados para uma nova reunião de negociação nesta quarta-feira (9), em São Paulo. A categoria havia rejeitado a proposta em 128 bases sindicais de todo o país.

Em 93 dessas bases, os trabalhadores aprovaram greve por tempo indeterminado. Mesmo com a retomada das conversas, a paralisação prevista para começar nesta quinta-feira está mantida.

Segundo Neide, a possibilidade de negociação não impede o início do movimento. “O que pode acontecer é a retomada da negociação, que nós encaminhamos um ofício para o banco para retomar as negociações. Provavelmente acontece amanhã à noite, mas isso não impede a greve de acontecer”, afirmou.

Saúde Caixa é um dos impasses

As mudanças no Saúde Caixa estão entre os principais motivos apontados pelos trabalhadores para a rejeição da proposta. O sindicato afirma que alterações no modelo de custeio e o aumento da coparticipação pesam tanto para funcionários em atividade quanto para aposentados.

A campanha salarial dos bancários começou em julho e teve 13 rodadas de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) durante julho e agosto. A data-base da categoria é agosto, e a convenção coletiva tinha vigência até 31 de agosto.

Além das questões específicas da Caixa, os trabalhadores também reivindicavam a manutenção das cláusulas da convenção coletiva. Segundo o sindicato, a preocupação aumentou após a reforma trabalhista e o fim da ultratividade, que garantia a manutenção das regras da convenção até a conclusão de uma nova negociação.

Ao todo, os bancos registraram lucro de R$ 171 bilhões em 2025, segundo dados citados pelo sindicato. Para a categoria, o resultado financeiro do setor também pesou na avaliação da proposta apresentada durante a campanha salarial.

Por Djeneffer Cordoba

 

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