Contagem regressiva: Copa do Mundo aquece procura por TV’s no Centro, mas inadimplência é a preocupação dos varejistas

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Taxa da inadimplência leva varejo de eletrônicos a exigir até 80% de entrada na compra

A exigência de entrada de até 80% no valor de televisores e outros eletrônicos passou a fazer parte da rotina de lojas da Capital às vésperas da Copa do Mundo, como resposta ao aumento da inadimplência e ao risco maior de calote entre novos clientes.

A medida, adotada por financeiras que operam o crediário, tem restringido o acesso ao parcelamento e limitado a conversão de vendas, mesmo com o aumento da procura por produtos típicos do período, como TVs de maior polegada e celulares mais caros.

O movimento ocorre em um cenário de inadimplência recorde no país. Em março, 44,4% dos brasileiros adultos estavam com contas em atraso, segundo o SPC Brasil, o maior nível desde o início da série histórica.

Na prática, a restrição já altera a dinâmica dentro das lojas. Na Lojas MM, o aumento do fluxo ainda não se converte em vendas no mesmo ritmo, justamente pela dificuldade de aprovação de crédito.

“Ainda não está no movimento que a gente imagina para a Copa. Já tem muita gente vindo ver preço, e a venda de TV aumentou um pouco, mas ainda é mais procura do que fechamento”, afirma o gerente Elvis.

O principal filtro está na concessão de crédito, especialmente para consumidores sem histórico na loja. Segundo o gerente, o crediário, tradicional motor de vendas do setor, passou a ser direcionado a clientes já conhecidos.

“Venda no carnê está mais apertada. A gente está trabalhando mais com clientes da base. Para novos clientes, a liberação está bem mais difícil”, diz.

A mudança ocorre nas condições impostas pelas financeiras e afeta diretamente o acesso ao produto. Mesmo quando o crédito é aprovado, ele já não garante a compra pretendida.

“Tem financeira pedindo entrada alta, em alguns casos até 80%. E quando aprova, o valor da parcela vem menor. Antes liberava mais fácil, hoje não”, afirma.

Na prática, o varejo passou a operar com dois filtros: restringe novas concessões e amplia o uso da base já fidelizada para sustentar as vendas. O movimento reduz o risco de inadimplência, mas também limita a expansão do faturamento no período.

Segundo o gerente, parte relevante da demanda por financiamento vem justamente de consumidores já endividados. “Muita gente que chega perguntando por carnê já tem restrição e tenta fazer mais conta. A gente percebe isso no dia a dia”, afirma.

Apesar da restrição no crédito, a demanda por produtos ligados à Copa começa a se consolidar, principalmente entre consumidores que conseguem antecipar a compra. Na Gazin, a venda de televisores de maior porte já apresenta avanço.

“Muitos clientes estão comprando agora porque acreditam que perto da Copa pode faltar produto ou subir o preço”, afirma o gerente Robiano Pereira.

Segundo ele, a procura está concentrada em modelos de maior valor agregado. “Hoje a tendência é acima de 50 polegadas. TVs de 75, 85 polegadas têm bastante procura”, diz.

O movimento também se estende aos celulares, com maior demanda por aparelhos mais avançados. “O consumidor está procurando mais qualidade, mais tecnologia. Está comprando aparelhos mais caros”, afirma.

Para atender ao aumento da procura, as redes reforçaram o estoque com antecedência, especialmente de televisores, produto que concentra a maior parte das vendas no período.

Por Djeneffer Cordoba

 

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