Cesta Básica: trabalhador em Campo Grande precisa dedicar 105 horas de serviço para comprar alimentos

O salário mínimo necessário para sustentar uma família deveria chegar a R$ 7.164,94 - Foto: Nilson Figueiredo/arquivo
O salário mínimo necessário para sustentar uma família deveria chegar a R$ 7.164,94 - Foto: Nilson Figueiredo/arquivo

Levantamento aponta aumento no conjunto dos alimentos em mais da metade das capitais brasileiras

Em fevereiro, um trabalhador em Campo Grande que recebe salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou dedicar 105 horas e 54 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica. O dado divulgado na segunda-feira (9) é resultado da pesquisa mensal realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“No mês anterior, janeiro de 2026, eram necessárias 106 horas e 19 minutos. Já em fevereiro de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo exigido chegava a 112 horas e 10 minutos”, compara o levantamento.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% destinado à Previdência Social, o trabalhador comprometeu 52,04% de sua renda para comprar a cesta básica em fevereiro de 2026. Em janeiro de 2026, esse percentual foi de 52,25%, enquanto em fevereiro de 2025 correspondia a 55,12% da renda líquida.

Com base na cesta mais cara, que foi a de São Paulo, e levando em
consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o salário deveria ser de R$ 7.164,94 ou 4,42 vezes o salário mínimo de R$ 1.621,00, conforme cálculos do departamento de pesquisa.

Nos supermercados

Em fevereiro de 2026, o custo da cesta básica em Campo Grande registrou queda de 0,40% em comparação com janeiro, passando a custar R$ 780,29. Na comparação com fevereiro de 2025, houve aumento acumulado de 0,82%, enquanto no acumulado de 2026 a alta foi de 0,57%.

Entre janeiro e fevereiro de 2026, nove dos treze itens que compõem a cesta básica apresentaram redução nos preços médios. As principais quedas ocorreram no tomate (-9,23%), batata (-5,12%), óleo de soja (-3,65%), leite integral (-3,40%), banana (-3,10%), açúcar cristal (-1,74%), farinha de trigo (-1,35%), manteiga (-1,31%) e café em pó (-0,02%). Por outro lado, quatro produtos tiveram aumento de preço: feijão carioca (22,05%), arroz agulhinha (3,48%), pão francês (0,89%) e carne bovina de primeira (0,63%).

Na análise dos últimos 12 meses, cinco produtos registraram alta nos preços: café em pó (23,13%), feijão carioca (16,96%), pão francês (6,30%), carne bovina de primeira (3,46%) e tomate (1,23%). Em contrapartida, oito itens apresentaram redução de preços, sendo eles: arroz agulhinha (-37,78%), açúcar cristal (-18,16%), leite integral (-13,68%), batata (-12,19%), banana (-2,70%), manteiga (-2,69%), óleo de soja (-1,25%) e farinha de trigo (-0,45%).

No acumulado de 2026, considerando o período entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, cinco produtos tiveram elevação de preços: tomate (27,71%), feijão carioca (15,93%), carne bovina de primeira (0,41%), pão francês (0,11%) e manteiga (0,09%). Já os itens que apresentaram queda foram: óleo de soja (-11,33%), leite integral (-11,13%), farinha de trigo (-5,40%), banana (-5,33%), açúcar cristal (-5,06%), batata (-4,66%), café em pó (-3,83%) e arroz agulhinha (-3,25%).

Por Ian Netto

 

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