Alta no valor pago ao produtor faz com que consumidor sinta aumento no preço do leite

Foto: Marcos Maluf
Foto: Marcos Maluf

Produto teve um aumento de 2,48% e impactos se estendem aos alimentos derivados do leite

Pelo 4º mês seguido o valor pago ao produtor da pecuária leiteira, teve alta de 4,68% ficando em R$ 2,23 por litro de leite vendido, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O pecuarista do setor em Mato Grosso do Sul recebe em média R$ 1,72 no litro de leite produzido, conforme levantamento da Famasul e Assistência Técnica e Gerencial do Senar.

Apesar dessa alta para os produtores, o consumidor é quem fica com a sensação de gosto amargo no bolso. Pois quem consome a bebida com frequência percebeu que o produto está mais caro nos supermercados, o item teve um aumento de 2,48% de acordo com o último estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Os impactos também se estendem aos alimentos derivados do leite, a muçarela subiu 0,72%, atingindo o preço de R$ 28,87/kg. Cabe ressaltar que o aumento no preço da caixinha de leite é justificado por vários fatores que vem não só do campo (devido aos custos da produção), mas também do setor de laticínios e dos supermercadistas varejo/atacado, até que chegue ao carrinho de compras do consumidor. Conforme frisou o economista do SRCG (Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho), Stanley Barbosa, que ainda detalhou motivos que refletem no aumento nos supermercados.

“Um desses fatores é o fim da chuva. Estamos se aproximando do período de entressafra, com isso naturalmente haverá uma diminuição do espaço, consequentemente diminui a produção, principalmente daqueles pequenos produtores que só dependem do pasto para alimentar as vacas e fazer a produção. Claro que existem aqueles produtores que tem sistemas intensivos, com estrutura melhor que faz a suplementação via grãos, ração, e/ ou mistura. Nesses casos os produtores vão continuar tendo oferta. E tem um outro fator que é a questão dos custos de produção, está tendo agora um aumento, por exemplo, nos preços da soja e do milho. E isso vai impactar o que a gente chama de mistura (70% de milho e 30% de soja) usado para fazer a alimentação do rebanho”,diz.

Outra questão citada por Barbosa é que nem todo produtor tem capacidade de produzir a própria ração, às vezes, esses precisam comprar. “Se os preços dos grãos que são usados para produzir a ração estão subindo, consequentemente os preços da ração também vão subir. E isso vai impactar nos custos de produção e será repassado para os custos de produção do leite. E isso vai ao longo da cadeia também”, completou.

Valores e regiões em MS

O SRCG realizou um levantamento mensal de preços do leite com produtores em diversas localidades do estado e obteve médias de R$ 1,79/litro na região Norte, R$ 1,94/litro na região Sul, R$ 1,75/litro na região Centro, R$ 1,74/litro na região do Leste e R$ 1,64/litro na região Oeste do estado. Estes preços são referentes ao leite captado em janeiro e pago em fevereiro de 2024.

O levantamento mostrou também que a região Oeste do estado segue apresentando a menor média dentre as cinco regiões, devido à ausência de laticínios e maiores custos com frete na região. Já a região Sul apresentou a maior média do estado, em vista da concorrência de laticínios como Mana, Camby e Vencedor na região, além de disputas com empresas do Paraná, que atualmente praticam preços mais elevados em relação à Mato Grosso do Sul.

Em março, o índice do leite (Sefaz/Semagro) apresentou alta de 1,22% nos preços dos lácteos aqui no estado. Para o leite Spot, a variação foi de 2,83%. No leite pasteurizado houve alta de 1,06%. Para o leite UHT a variação foi de -0,88%. Já a muçarela operou com alta de 1,07%.

Nos supermercados pode ter mais aumento

Estamos no período de entressafra do leite, conforme explicou a pesquisadora do Dieese, Andreia Ferreira, esse processo começa em março e vai até meados de setembro. Nesse intervalo são avaliados os custos de produção, apontado como um dos principais fatores que impactam nos preços comprados nos supermercados.

“Isso significa que os custos de produção tendem a subir, pelo período de secas, que também pode impactar no preço de milho e soja, utilizados na ração dos animais. Se o custo de produção continuar subindo, pode ser que os produtores repassem em algum momento isso para os consumidores”, analisa a economista.

Como já mencionado, o clima é outro motivo importante que reflete no preço do leite. O inverno em Mato Grosso do Sul é marcado por uma redução na quantidade de chuva e de luz solar, fatores que impactam diretamente nas cadeias produtivas do estado. Em MS, a bovinocultura de leite é o setor mais atingido nessa época do ano.

Em 2024, a estação mais fria do ano começa em 21 de junho, segundo o Instituto de Meteorologia. “A bovinocultura de leite utiliza, majoritariamente, o sistema de produção extensivo, em que os animais são criados a pasto. Desse modo, a principal fonte de volumoso na alimentação dos animais é proveniente da pastagem. No inverno, as chuvas são mais escassas, há diminuição no fotoperíodo e queda da temperatura média, ocasionando diminuição na produção das pastagens, afetando diretamente a produção de leite”, explica a analista da Famasul, Melina Barcelos.

 

Por Suzi Jarde

Acesse as redes sociais do O Estado Online no Facebook Instagram.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *