Campo-grandense aproveita férias para jogar Estadual antes de disputas na Europa
Ana Beatriz Sanches, a Ana Bia,18 anos, afirma que, mesmo que seja apenas de férias, voltar para casa não é apenas um retorno geográfico. A campo-grandense acumula títulos nacionais, convocações para a seleção de base no vôlei de quadra e experiências internacionais.
Atualmente, a sul-mato-grossense mora e treina em Serra, no Espírito Santo. “É sempre um prazer vir pra Campo Grande. Eu já não vinha há mais ou menos um ano e meio. É sempre bom vir pra cá, não só pelo vôlei, minha família é toda daqui. Jogar aqui é muito bom, porque foi aqui que eu comecei e faz parte de mim”, afirma a atleta, que disputa o Estadual e a etapa Sub-19 durante a passagem pela cidade.
Enquanto muitas atletas buscam afirmação, Ana fala em processo, adaptação e evolução constante. Isso fica evidente quando o assunto são competições internacionais, cada vez mais presentes na rotina.
Com passagens por torneios no Catar, China e Porto Rico, além de convocações para períodos de treinamento na França e nos Estados Unidos, ela já experimenta o choque de estilos que o vôlei de praia global oferece.
“O estilo de jogo europeu é muito diferente do daqui. E lá não tem só europeias, tem gente do mundo inteiro. Essas diferentes escolas trazem uma experiência de culturas e estilos de jogo diferentes. É muito legal essa troca”, explica.
Os próximos desafios no exterior – torneios na França e na Letônia, logo após o Estadual. O embarque rumo à Europa está programada para o dia 30 deste mês. Com a subida de nível, Ana deixa a parceira local, Danielly Caputo, de Três Lagoas, para competir com a parceira principal, a capixaba Isa Salaberry
O preço de um sonho
Por trás das conquistas — que incluem títulos brasileiros em diversas categorias e um Sul-Americano Sub-18 — existe uma rotina de renúncias que começou cedo. “Abri mão de muitas coisas. Momentos com a família, datas comemorativas, muitas vezes perdi aniversário dos meus pais. Já perdi viagens em família também, sempre com o vôlei no caminho.”
A base familiar, no entanto, sempre foi um dos pilares. Filha de ex-atletas – a mãe, Vanessa, também passou pelo vôlei de praia, e o pai, Olímpio, foi goleiro de futebol – e criada em um ambiente esportivo, ela encontrou apoio dentro de casa para seguir em frente. “Meus pais, com certeza. Tudo que eu vivi foi porque eles me proporcionaram.”
O retorno a Campo Grande também marca uma fase de transição. No último ano de Sub-19, Ana se despede gradualmente de uma estrutura que a acompanhou desde a infância. A treinadora Isabel Cristina dos Santos, a Bel, explica como funciona esse processo.
“Na categoria de base, a parceira dela precisa ser daqui do estado. Já no Sub-21 não precisa ser do mesmo estado. No ano que vem, eu já não entro mais como técnica dela”, detalha.
Para Bel, o momento também carrega emoção. “Eu quis me dar esse presente e dar esse presente pra ela também, porque ela começou com a gente aos 9 anos”, conta.
Ana mantém um sonho que acompanha praticamente todos os atletas brasileiros: os Jogos Olímpicos.“Desde sempre eu penso nisso. Eu assisto já me imaginando lá. Mas também sei viver o presente, porque passa muito rápido.”
Por Ricardo Prado
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