Projeto une tecnologia e conservação ambiental para estudar a comunicação da espécie na Serra do Amolar e fortalecer ações de proteção da biodiversidade no Pantanal sul-mato-grossense
Uma parceria entre tecnologia e conservação ambiental pretende ampliar o conhecimento e reforçar a proteção de uma das espécies mais emblemáticas e ameaçadas do Brasil. O IHP (Instituto Homem Pantaneiro), sediado em Corumbá (MS), e a Log Nature, empresa de Belo Horizonte (MG) especializada em soluções tecnológicas voltadas à pesquisa científica, formalizaram uma cooperação para o projeto “Monitoramento bioacústico de ariranhas (Pteronura brasiliensis) na Serra do Amolar, Pantanal, Brasil”.
A ariranha, maior espécie de lontra do mundo, é considerada uma “espécie bandeira” na conservação da biodiversidade. Altamente social e posicionada no topo da cadeia alimentar, o animal — também conhecido como “onça-d’água”, é um importante indicador da qualidade ambiental dos rios e baías onde vive. Apesar disso, enfrenta risco elevado de extinção. No Brasil, é classificada como Em Perigo (EN), condição reforçada em debates internacionais, como na COP15, realizada em Campo Grande (MS), que destacou a espécie como prioridade para ações de preservação.
Com a nova iniciativa, o monitoramento da espécie passa a incorporar ferramentas de bioacústica. O IHP (Instituto Homem Pantaneiro), que já realiza o acompanhamento de grupos de ariranhas na região da Serra do Amolar por meio de expedições de campo e armadilhas fotográficas, agora também utilizará gravações de alta sensibilidade para registrar vocalizações dos animais.
Os equipamentos, doados pela Log Nature, serão instalados em “locas”, os abrigos utilizados pelas ariranhas. A partir das gravações, pesquisadores poderão analisar padrões de comunicação, interações sociais e comportamentos territoriais sem interferir diretamente na rotina da espécie.
Segundo o coordenador de Biodiversidade do IHP, Wener Hugo Moreno, a tecnologia deve ampliar significativamente a capacidade de estudo do animal. “A bioacústica potencializa o desenvolvimento da pesquisa científica envolvendo a espécie e vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles. Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos. É a tecnologia avançada gerando dados brutos para salvar o coração do Pantanal”, afirmou.
** Com informações do Instituto Homem Pantaneiro
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