Pela primeira vez com votação on-line, Conselho de Educação Física é disputado por duas chapas

Foto: Valentin Manieri

Dos mais de 8,3 mil profissionais da área, apenas 3,5 mil estão aptos para participarem da eleição

Nesta terça-feira (28), ocorre a primeira votação de forma on-line para eleger 14 novos membros do Cref11 (Conselho Regional de Educação Física) de Mato Grosso do Sul. Neste ano, concorrem duas chapas e, dos mais de 8,3 mil profissionais, apenas 3,5 mil estão aptos para votar. É que para participar da votação é necessário estar em dia com as mensalidades do Conselho.

Entre as atribuições do Cref11, está a fiscalização da carteira profissional dos instrutores e professores de educação física. O órgão é composto por 28 conselheiros e, até agora, era realizada eleição a cada três anos para renovar a metade desse grupo. Porém, a votação de 2021 é atípica, já que a chapa que vencer vai atuar só até 2024 para que ocorra uma nova eleição e sejam renovados todos os 28 conselheiros.

Pela primeira vez, o processo será on-line, já que os profissionais que estão aptos a votar receberam, por e-mail, um login e senha que vão permitir entrar em uma plataforma e escolher um dos dois grupos que se candidataram.

O jornal O Estado entrevistou representantes das duas chapas, tanto da situação quanto da oposição, para saber suas propostas de melhorias que devem ser realizadas nesses três anos de mandato.

Chapa Renovação com Experiência

A chapa número um, que leva o nome ‘Renovação com Experiência’, é composta por três atuais conselheiros do Cref11 e desejam renovar o mandato, além de outros onze profissionais de educação física que querem entrar pela primeira vez no órgão.

Segundo o representante da equipe, Rodrigo Barbosa de Miranda, a chapa é a mais qualificada para assumir o papel, já que todos atuam na área e tem experiência de gestão. “Os 14 membros, sem exceção, atuam na linha de frente e estão dando aula, lecionando, treinamento e também são gestores. Conhecem de gestão pública, conhecem de tratativas, de como é que funciona para gerir um sistema de uma autarquia federal”, afirmou.

Entre as propostas da chapa, está a realização de um refinanciamento de dívidas, já que muitos profissionais deixaram de pagar a mensalidade do Cref11, por conta da pandemia. Estar em dia com o Conselho é de extrema importância para exercer a profissão.

“Talvez eles não tenham essa consciência de que o Conselho é uma autarquia federal e a dívida não é com o Conselho, é uma dívida com a União. De repente quando chega a cinco anos, isso cai para uma dívida ativa e bloqueio de bens, se deixou de pagar impostos. Então, a gente briga por um ‘refis’ pra facilitar todas essas contas atrasadas, tirar juros, tirar pagamento somente da anuidade, alguns descontos especiais. Essa é uma ideia que é bem possível de ser feita”, esclareceu.

Outro projeto pensado pela Chapa é uma revisão do valor da anuidade, que atualmente custa R$ 603,08. A justificativa para conseguir a diminuição é porque neste ano se tornou obrigatório o registro de professores de educação física da rede escolar no Cref11 e, segundo Miranda, com mais pessoas pagando, pode ser possível reduzir o preço. “É uma anuidade considerada barata para o nível de profissões regulamentadas, mas a gente entende que ainda assim dá para fazer uma revisão e diminuir esse valor. Com esse montante a mais de professores que estão entrando, a gente consegue fazer uma redução para todos no valor da anuidade”, assegurou.

A Chapa também quer fazer convênio com instituições financeiras para facilitar para os profissionais realizarem ações, como empréstimos consignados e desconto em folha. Além de colocar delegados no interior de Mato Grosso do Sul para a fiscalização. “Para que possamos ter representatividade em todas as cidades ou em cidades polos, que não seja conselheiro, que ele seja realmente um profissional que não está vinculado a chapa, mas ele vai ter voz nos plenários e na reunião”.

Ainda de acordo com Miranda, se eleitos, os candidatos querem criar encontros científicos anuais para o compartilhamento de conhecimentos entre os profissionais da área. Além de um cartão de benefícios com descontos em farmácias, na compra de material esportivo e até em viagens.

Atendimento personalizado aos profissionais também está entre as propostas dessa chapa, que deseja que os conselheiros passem por treinamento para melhor atender os trabalhadores da área. “A nossa chapa pensa na educação física na forma macro. Em todas as regiões temos professores e precisamos atendê-los”.

Miranda ressaltou que a chapa também deseja estreitar relações com os profissionais. “A gente busca esse acesso próximo com o profissional, esse vínculo de tecnologia que a gente consegue falar por uma mensagem e, principalmente, a representatividade na sociedade”, disse.

Ele reforçou sobre a importância da votação para a escolha dos novos 14 membros do Cref11, já que na última eleição apenas 302 trabalhadores da área votaram. “É a primeira vez com a eleição on-line, um sistema diferente e é novidade para todo mundo. Todos os profissionais já receberam um login com a senha. Esse é o maior desafio que o profissional vote”, finalizou.

Chapa Mudança pela Voz de Todos

Insatisfeitos com a atual gestão, a chapa da oposição, que leva o nome ‘Mudança pela Voz de Todos os Profissionais de Educação Física de MS’, é composta por 14 profissionais da educação física que não têm vínculo com a administração que está, atualmente, no Conselho. Eles desejam entram, pela primeira vez, no Creff11.

De acordo com o representante do grupo, Joni Guimarães, o Conselho nunca foi assumido por uma chapa de oposição. “Nós montamos a chapa para tentar entrar no Conselho para tentar mudar. A insatisfação da classe profissional de educação física é muito grande em relação ao Conselho, nos candidatamos para defender essa briga e não deixar que a chapa da situação se eleja mais uma vez”, disse.

Guimarães afirma que faltam atitudes por parte da atual gestão do Conselho. “O conselho é inerte, é muito carente de ações em defesa do profissional de educação física, ele é muito carente de ideias, a gente acredita que as pessoas que estão lá dentro têm uma mentalidade muito ultrapassada”, reclamou.

Entre as propostas da chapa dois, está a mudança da sede do Conselho para o prédio que foi comprado, em 2014, mas até hoje não foi utilizado. Segundo o representante, o Conselho Federal de Educação Física disponibilizou, aproximadamente, R$600 mil para o Cref11 comprar um local e deixar de pagar aluguel. “Nós estamos em 2021, o novo local está lá parado e fechado, até hoje pagamos aluguel. Então isso já vai trazer já uma economia, o novo local já está comprado e a mudança ainda não aconteceu”, explicou.

Garantir transparência das prestações de contas e fazer uma boa aplicação do suporte financeiro também estão entre os projetos desses candidatos, já que, para Guimarães, a atual demonstração do que está sendo feito com os recursos é muito vaga. “A prestação de contas está assim: ‘despesas gerais tantos mil’. Só que você não sabe o que são essas despesas gerais. Essa transparência vai trazer mais segurança para os profissionais de educação física que estão confiando na gente”, assegurou.

Como a função do Cref11 é fiscalizar o registro profissional dos trabalhadores de educação física, a chapa quer intensificar essas vistorias. “Nós consideramos as fiscalizações e as ações do Conselho fracas. Queremos dar mais eficiência no setor de fiscalização, intensificando a fiscalização na Capital e no interior”, contou.

Se eleitos, a chapa deseja se aproximar do sindicato e associações para a melhora do piso salarial da categoria. Além de buscar por planos de saúde para esses trabalhadores.

Guimarães garante que a chapa que ele representa quer fazer parte do Cref11 para realizar mudanças. “A gente quer entrar para mudar, pelo menos, pela primeira vez. Essa mudança tem que acontecer, são muitos anos com a mesma administração se reelegendo, por muitas vezes, como chapa única, porque os profissionais nem conseguem montar chapa para concorrer contra eles”, ressaltou.

Por conta disso, ele reforçou ainda sobre a importância de todos os profissionais, principalmente aqueles que querem ver a mudança devem votar. “É muito importante votar para que você consiga mudar alguma coisa e parar de só reclamar. A pessoa tem que fazer alguma coisa, então votar é a primeira ação, se você não vota então para de reclamar”, finalizou.

(Texto de Mariana Ostemberg)

 

Os candidatos falaram sobre suas propostas no O Estado Play:

 

 

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