As baixas temperaturas registradas nos últimos fins de semana provocaram a morte de 83 bovinos em propriedades rurais do sul de Mato Grosso do Sul. Até terça-feira (19), cinco fazendas haviam comunicado oficialmente as perdas à Iagro.
Quatro propriedades ficam na região de Nova Andradina, município localizado a 298 quilômetros de Campo Grande, onde foram registradas 74 mortes de animais. A quinta ocorrência foi comunicada por uma fazenda de Angélica, distante 276 quilômetros da Capital, com a perda de outros nove bovinos.
Antes da chegada da primeira onda de frio ao Estado, em 8 de maio, a Iagro já havia emitido alerta aos produtores rurais sobre os riscos de hipotermia em rebanhos, principalmente em propriedades que mantêm animais em áreas abertas. O objetivo era incentivar medidas preventivas para reduzir os impactos das condições climáticas severas.
Segundo a Famasul, a combinação de frio intenso, chuvas prolongadas e ventos fortes compromete diretamente o bem-estar dos animais e a qualidade das pastagens.
A entidade explica que geadas causam danos severos às gramíneas tropicais, como as braquiárias, devido à morte do tecido foliar. Com isso, há redução da oferta e do valor nutricional da forragem disponível aos bovinos.
A diminuição da alimentação afeta o escore corporal dos animais e reduz a produtividade, especialmente em propriedades que não utilizam suplementação alimentar adequada.
Além disso, o frio intenso aumenta o estresse térmico, reduz a imunidade do rebanho e favorece o surgimento de doenças, principalmente respiratórias. Bezerros recém-nascidos, vacas prenhes, animais idosos e bovinos submetidos recentemente a manejos como transporte e desmama estão entre os mais vulneráveis.
A situação se agrava durante o inverno porque a estação já reduz naturalmente a produção de forragem no Centro-Oeste. As temperaturas mais baixas, a diminuição das chuvas e o menor período de luminosidade prejudicam o crescimento das pastagens e diminuem a disponibilidade de alimento.
Após receber inúmeras notificações de mortes por hipotermia em 2023 e 2024, a Iagro voltou a reforçar protocolos de manejo preventivo para tentar reduzir os prejuízos em 2026. Entre as recomendações da agência estão o recolhimento dos animais em piquetes protegidos por capões de mata ou barreiras naturais e artificiais que reduzam a incidência dos ventos frios.
A orientação também inclui evitar manter os rebanhos próximos a corpos d’água, além de abrigar animais debilitados ou mais sensíveis em áreas de fácil acesso para acompanhamento e manejo.
Outro ponto destacado é a necessidade de suplementação alimentar durante os períodos de frio intenso, com fornecimento de forragens, volumosos ou concentrados para compensar a queda na disponibilidade de pastagem.
Notificações devem ser imediatas
A Iagro reforça que casos de mortalidade de bovinos devem ser comunicados imediatamente ao serviço veterinário oficial. Após a notificação, equipes realizam inspeções e fazem a baixa oficial do estoque animal. Quando a visita técnica não é possível, o produtor pode apresentar laudo veterinário particular.
A agência alerta ainda para a necessidade de remoção rápida das carcaças para evitar riscos sanitários, como casos de botulismo no rebanho.
O contato para notificações pode ser feito pelo WhatsApp da Iagro, no número (67) 99961-9205.
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