Frio de 5°C faz Campo-grandenses enfrentarem madrugada gelada para trabalhar

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Sensação térmica negativa transformou a rotina de ambulantes e comerciantes que relatam aumento nas vendas

O amanhecer desta segunda-feira (11), em Campo Grande foi marcado por ruas encobertas pelo vento gelado, pessoas encapotadas e termômetros registrando temperaturas próximas dos 5°C. No Centro da Capital, a equipe de reportagem do Jornal O Estado acompanhou a rotina de trabalhadores que precisaram enfrentar o frio intenso logo nas primeiras horas do dia para garantir o sustento.

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, Campo Grande registrou mínima de 5,1°C durante a madrugada, mas com sensação térmica de -3,1°C. Conforme ele, o frio continua pelo menos até quarta-feira.

Mesmo acostumado às baixas temperaturas, o comerciante Josué da Conceição, de 51 anos, sentiu os efeitos do frio ao sair cedo para abrir a loja no Centro.

“Foi muito frio, bem preocupante, mas como eu já morei no Rio Grande do Sul e passei por muito frio lá, então eu achei mais ou menos o daqui”, contou. Josué acordou às 6h para abrir o comércio às 7h30.

Para quem trabalha nas ruas, o desafio é ainda maior. O ambulante David Ramos de Santos, de 36 anos, saiu cedo de casa para vender cachorro-quente, café, paçoca, água e refrigerante.

“Eu acordei cinco da manhã, dormi de novo e acordei seis. Mas graças a Deus, Deus renovou as forças e a gente está aqui de pé, né? Mais um dia”, afirmou.

Apesar do desconforto, David percebe que o frio também aumenta a procura por bebidas quentes. “Café vende bastante”, resumiu.

O comerciante Vanderson Silva, de 50 anos, também viu o movimento aumentar por conta das temperaturas baixas. Dono de um estabelecimento que vende chocolate quente e cappuccino, ele disse que o frio acaba ajudando o comércio.

“O frio está com força, né? Mas particularmente eu gosto. Tem gente que não gosta, respeito também quem não gosta. Em contrapartida, eu particularmente gosto e pro meu comércio ele é bem viável”, explicou.

Segundo ele, o mais difícil é sair da cama cedo. “Acho que é mais difícil acordar. Depois que acorda, já era. Não tem mais opção. Tem que tocar o trecho pra frente sempre”, brincou.

Entre os moradores que ainda tentam se adaptar ao inverno sul-mato-grossense está a venezuelana Dabia Innis, de 28 anos, que aguardava atendimento acompanhada da filha de 6 anos.
“O frio é muito bom, mas eu não gosto do frio. Eu tenho muita gripe”, contou. Ela relatou que a filha, ao contrário, parece gostar das temperaturas baixas. “Ela tira as roupas e fica caminhando, brincando com frio. Eu não”, disse, sorrindo.

A aposentadoria também não impediu o aposentado Carlinho do Vento Feitosa, de 90 anos e 5 meses, de sair de casa para dar uma volta pelo Centro. Apesar do frio, ele garante que prefere as baixas temperaturas. “Passei o dia trancado em casa ontem, mas eu gosto do frio”, comentou. “Hoje eu dei uma saída, distraí um pouquinho, mas já estou pensando em voltar pra casa.”

Já a diarista Solange Prates Gomes, de 53 anos, afirmou que o segredo é estar preparada. “Pra mim é sempre bom acordar cedo. O frio, tem que estar preparado com o casaco”, disse ela, que saiu para resolver compras usando roupas reforçadas para enfrentar o vento gelado.

Outra trabalhadora, a ajudante geral Solange Pereira Rosa, de 61 anos, contou que o frio pesa ainda mais para quem enfrenta longas jornadas e precisa cuidar da casa. “Eu não gosto do frio, não. O frio é bom, mas incomoda, né? Ainda mais a gente que trabalha”, afirmou.

Ela contou que acordou às 3h30 da manhã para acompanhar o marido, que sai cedo para o trabalho e pega quatro ônibus diariamente. “Eu levanto com ele pra animar ele, né? Não desanima acordar cedo sozinho”, relatou.

Além do trabalho na limpeza, Solange aproveitou o clima para divulgar peças de crochê que produz, como cachecóis e toucas.

Quem também encarou a manhã gelada foi o pintor Paulo César, de 71 anos. Trabalhador autônomo, ele explicou que não há como parar por causa do frio. “Muito frio. A gente trabalha por lá de fora, é pintor e é difícil. Mas tá tudo bem, graças a Deus”, declarou antes de seguir para mais um dia de serviço.

Frio continua até quarta-feira
De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, as temperaturas seguem baixas nos próximos dias em Mato Grosso do Sul. Em diversas cidades houve registro de geada e sensação térmica próxima de zero ou negativa.

Entre os destaques da madrugada estão Nova Alvorada do Sul, com mínima de 4°C e sensação térmica de 0°C, Iguatemi com sensação de 1,2°C e Sete Quedas, onde a sensação chegou a 3,4°C abaixo da temperatura registrada.

Em Campo Grande, apesar do céu aberto durante parte do dia, o vento continua intensificando a sensação de frio, especialmente nas primeiras horas da manhã e durante a noite.

Por Suelen Morales

 

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