Para chamar atenção em busca de resposta para a morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, que veio a óbito após passar por sete consultas médicas em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e na Santa Casa, familiares e amigos da criança se reuniram em manifestação na manhã deste sábado (25). O movimento aconteceu no cruzamento entre a Avenida Afonso Pena e Rua 14 de Julho, no Centro de Campo Grande.
Stephany Jorge Menezes, irmã da vítima, disse que a família espera por respostas desde o dia do falecimento, quando ele deu entrada na Santa Casa desacordado e entubado. Para ela, a morte foi resultado de negligência médica.
“Nada vai trazer meu irmão de volta, então, o que a gente quer no momento é justiça, porque não tem como explicar o que aconteceu. Infelizmente foi negligência, porque ele não tinha nenhuma comorbidade. O nosso luto virou voz, a gente quer uma resposta e vamos lutar por isso”, disse.
Apoiada pela Avem/MS (Associação das Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul), a família está judicializando o caso para ter acesso aos prontuários de todas as passagens que a criança teve nas unidades de saúde entre o dia 4, quando caiu jogando futebol e fraturou o joelho, até o dia 7, quando foi encaminhada da UPA Universitário à Santa Casa, para onde ia pela segunda vez no mesmo dia.
O presidente da entidade, Valdemar Moraes de Souza, ressaltou que pretende que a investigação seja feita detalhando inclusive a administração dos remédios feitos no menino durante a internação.
“Não tenho dúvida de que foi negligência, que foi descaso, porque o garoto passa tantas vezes na UPA, dá remédio e aparecem manchas no corpo dele e, mesmo assim, liberaram ele pra casa. Depois a Santa Casa faz a tala e libera. Então, é uma sequência de coisas que aconteceram com o João que ceifou a vida do menino de 9 anos”, contou.
Acompanhada da família, amigos e colegas da escola onde João estudava, a mãe, Regiane Jorge, de 45 anos, ressaltou a importância da manifestação, afirmando que é um ato para que ninguém esqueça o que aconteceu com o pequeno João.
“É uma perda muito dolorosa, que não tem explicação. Até agora ninguém me explicou nada do que realmente aconteceu. Estou aqui para pedir justiça a favor dele, porque tiraram meu filho dos meus braços. Estou aqui para ninguém esquecer o que aconteceu com ele”, destacou.
Ana Clara Julião e Geane Beserra