El Niño forte pode provocar calor de até 45°C e aumentar extremos climáticos em MS

Foto: Saul Schramm
Foto: Saul Schramm

Fenômeno já está presente no Pacífico e deve ganhar força entre setembro e novembro, com reflexos nas temperaturas, chuvas e queimadas no Estado

O fenômeno El Niño, que já está presente no Oceano Pacífico neste mês de junho, deve ganhar intensidade nos próximos meses e provocar impactos significativos em Mato Grosso do Sul. Segundo análise do meteorologista Natálio Abrahão Filho, baseada em projeções da NOAA e do INPE, há 96% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre setembro e novembro, aumentando o risco de eventos climáticos extremos.

De acordo com o meteorologista, os primeiros reflexos devem começar a ser sentidos em Mato Grosso do Sul a partir de agosto. No entanto, o período de maior influência está previsto para ocorrer durante a primavera, especialmente entre setembro e novembro, quando as temperaturas poderão ficar muito acima da média histórica.

As projeções indicam que algumas regiões do Estado poderão registrar temperaturas máximas entre 44°C e 45°C. Em situações extremas, a sensação térmica poderá ultrapassar os 50°C, elevando os riscos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Além do calor intenso, o El Niño também pode alterar o comportamento das chuvas. O fenômeno tende a provocar períodos prolongados de estiagem em algumas regiões, enquanto outras poderão registrar precipitações concentradas em curtos intervalos de tempo.

Outro ponto de atenção é o aumento do risco de queimadas, especialmente nas regiões oeste, norte e nordeste de Mato Grosso do Sul. A combinação entre altas temperaturas, baixa umidade do ar e vegetação mais seca favorece a ocorrência de incêndios florestais durante o segundo semestre.

Segundo Natálio Abrahão, a influência do fenômeno também poderá afetar os níveis da Bacia do Rio Paraguai, caso as chuvas fiquem abaixo do esperado em áreas de nascentes e afluentes localizadas entre o norte da Bolívia e o oeste de Mato Grosso.

Apesar dos alertas, o meteorologista ressalta que o cenário não deve ser encarado como motivo de alarme, mas de atenção e planejamento. A recomendação é que produtores rurais, gestores públicos e a população acompanhem as atualizações meteorológicas para minimizar possíveis impactos do fenômeno, cujos efeitos devem se estender até o início de 2027.

 

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