Depois da fiação pública, medidores de energia elétrica viram alvo de criminosos

Foto: arquivo O Estado
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Moradores e comerciantes precisam arcar com reposição de materiais e, em alguns casos, até com a troca do padrão de entrada de energia

O furto de fios elétricos, além de atingir a estrutura de iluminação pública, agora também tem como alvo residências e estabelecimentos comerciais, que acumulam prejuízos tanto com a reposição dos materiais quanto pela interrupção das atividades. Em alguns casos, comerciantes chegam a manter as portas fechadas por dias até que a energia seja restabelecida.

Cada vez mais comuns em imóveis, especialmente naqueles que permanecem fechados por longos períodos, os furtos não se limitam à fiação. Criminosos também têm buscado os medidores de energia, ampliando ainda mais os prejuízos para os proprietários.

Ao jornal O Estado, a dona de casa Maria Rosmeri Soleto, de 55 anos, relatou que foi vítima desse tipo de crime duas vezes em um intervalo de apenas uma semana. Segundo ela, a casa que foi alvo dos criminosos estava vazia e os ladrões se aproveitaram da situação para agir.

Na primeira vez, foram furtados o medidor de energia e a fiação. Alguns dias depois, os criminosos teriam retornado ao imóvel para levar o restante dos cabos, deixando um prejuízo de cerca de R$1,2 mil apenas com a reposição dos fios.

“Na casa já não tinha ninguém morando fazia uns meses, então, eles já ficaram observando que não tinha ninguém, era o que eles precisavam para praticar o furto. Foi só a oportunidade de entrar e destruir as instalações e o medidor também”, conta.

Para solucionar o problema, Maria Rosmeri precisou alugar a residência e ainda fez um alerta: “Se alguém tiver imóvel fechado, procure não deixar vazio, sem gente pra cuidar, porque pode ter esse prejuízo”.

Situação semelhante foi enfrentada pela empresária Daniela Domingos Alves, proprietária de um estúdio de pilates em Campo Grande. Na madrugada da última quarta-feira (10), criminosos furtaram o medidor de energia do estabelecimento, além do suporte e da fiação.

Segundo ela, a ação foi registrada pelas câmeras de segurança por volta das 4h17. “Ele quebrou o cadeado, levou o relógio, o suporte e os fios”, relatou. A empresária contou que precisou providenciar toda a estrutura necessária para que a energia pudesse ser religada.

Para restabelecer o fornecimento, Daniela comprou novos fios e um novo suporte para o medidor, além de contratar um eletricista para refazer a instalação. Somente os fios custaram R$500,38 e a mão de obra outros R$100. Após a conclusão do serviço, foi possível solicitar à concessionária o religamento da energia.

Além da reposição da fiação e do medidor, em alguns casos os proprietários também precisam substituir o padrão de entrada elétrica, estrutura responsável por conectar o imóvel à rede e abrigar o sistema de medição. O modelo mais comum em residências é o padrão bifásico, mas também existem instalações monofásicas e trifásicas, utilizadas conforme a demanda de consumo.

O custo para a substituição pode elevar significativamente o prejuízo. Levantamento realizado pela reportagem junto a empresas do setor aponta que os valores dos padrões variam de R$915 a R$7,6 mil, dependendo das características da instalação.

Em nota, a Energisa esclareceu que todos os reparos e o registro de boletim de ocorrência em casos de roubo ou furto são de responsabilidade da vítima, uma vez que o medidor de energia integra a instalação particular do imóvel e não pertence à concessionária.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para obter dados sobre a quantidade de furtos e roubos de medidores de energia registrados neste ano, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

Furtos de fios também atingem semáforos da Capital

A ação de ladrões de cabos não tem provocado prejuízos apenas para moradores e comerciantes. Em Campo Grande, a prática também compromete o funcionamento dos semáforos e cria situações de risco em cruzamentos movimentados da cidade.

Levantamento da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) mostra que Campo Grande registrou 113 ocorrências de furto, tentativa de furto e vandalismo em equipamentos semafóricos nos primeiros meses deste ano.

Entre os danos mais frequentes está a retirada da fiação que alimenta os equipamentos. Ao todo, cerca de 3 mil metros de cabos foram levados por criminosos desde o início do ano.

Também desapareceram 12 controladores semafóricos, dispositivos responsáveis por coordenar o funcionamento dos sinais de trânsito em diferentes cruzamentos.

Quando esse tipo de furto acontece, o impacto vai além da reposição dos materiais. Sem energia ou sem os equipamentos de controle, os semáforos deixam de operar, exigindo a mobilização de equipes técnicas para restabelecer a sinalização e reduzir os riscos de acidentes.

Segundo o órgão, os gastos para reparar os estragos acabam consumindo recursos que poderiam ser empregados em melhorias para a mobilidade urbana.

Por Ana Clara Julião e Biel Gill

 

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