Um caso que já está sendo considerado um marco da medicina ocorreu em Campo Grande e emocionou a equipe médica e a paciente. No Hospital Cassems, uma jovem de 32 anos passou por uma cirurgia robótica de alta complexidade que removeu 155 miomas do útero, mas conseguiu algo considerado quase impossível: preservar o órgão e manter viva a esperança de uma futura gestação.
A paciente enfrentava uma condição rara chamada leiomiomatose uterina difusa, em que o útero é tomado por inúmeros tumores benignos. Antes do procedimento, ela já havia passado por cirurgias anteriores, mas os miomas voltaram a crescer de forma intensa, deixando o quadro cada vez mais delicado.
O histórico da jovem já era marcado por tentativas anteriores de tratamento, como explica o cirurgião oncológico Vitor Cathcart: “A paciente já tinha sido operada um tempo antes, já tinha tido a retirada de alguns miomas pela via convencional, pela via aberta, e teve uma recidiva. Voltou, e alguns persistiram, porque o útero dela estava completamente preenchido por diversos miomas. Eram múltiplos miomas pequenos”.

Foto: reprodução
Diante da gravidade, a indicação mais comum na medicina seria a retirada completa do útero. No entanto, a equipe do Hospital Cassems decidiu seguir por um caminho diferente, apostando na cirurgia robótica para tentar preservar a fertilidade da paciente. Segundo o cirurgião robótico ginecológico Dr. Guilherme Shiraishi este se trata de um novo capítulo na medicina. “Esse caso se torna um marco pela combinação entre complexidade extrema e preservação uterina. Conseguir esse resultado por meio da cirurgia robótica demonstra até onde a tecnologia, associada à expertise cirúrgica, pode chegar na medicina minimamente invasiva”, destaca o Dr. Guilherme.
O procedimento durou cerca de cinco horas e exigiu precisão extrema. A tecnologia permitiu uma visualização ampliada em 3D e movimentos cirúrgicos mais delicados, além de técnicas avançadas para reduzir o sangramento e facilitar a retirada dos nódulos sem comprometer o útero.
Segundo os médicos envolvidos, o resultado só foi possível graças à combinação entre tecnologia de ponta e trabalho em equipe. Eles destacam que cada decisão foi tomada com cuidado, levando em conta não apenas o aspecto técnico, mas também o desejo da paciente de um dia poder engravidar.
“Na cirurgia aberta, a manipulação é mais ampla e traumática. A robótica nos deu o controle para identificar vasos com precisão, algo determinante para proteger o futuro reprodutivo da paciente”, detalha o médico Shiraishi.
Agora, a jovem segue em recuperação e será acompanhada nos próximos meses. A expectativa é de que, após o processo de cicatrização, ela possa iniciar um tratamento de fertilização assistida.
O caso é considerado um avanço importante e um símbolo de esperança, mostrando como a medicina moderna pode transformar cenários antes vistos como sem alternativa e abrir novas possibilidades para pacientes em situações extremas.
Por Michelly Perez
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