O que deveria ser uma noite histórica para os fãs de rock em Campo Grande acabou se transformando em frustração, congestionamento e críticas à organização pública e privada. O show da banda norte-americada Guns N’Roses, no Autódromo Orlando Moura, realizado na noite dessa quinta-feira, 9 de abril, escancarou os limites da estrutura viária da Capital e, conforme fãs da banda, a falta de planejamento diante de um evento de grande porte.
Fluxo de veículos deixou o trânsito no sentido ao autódromo completamente travado – Imagens: Guilherme Freitas
Apesar do anúncio de público recorde ao longo das semanas que antecederam a apresentação, o sistema de trânsito entrou em colapso cerca de quatro horas antes do início do show. Sem rotas alternativas, com falhas na operação em pontos estratégicos e sem adaptação da rodovia para o fluxo excepcional de veículos, motoristas enfrentaram filas quilométricas e lentidão extrema.
Equipes da GCM (Guarda Civil Metropolitana), PM (Polícia Militar), Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN-MS) e PRF (Polícia Rodoviária Federal), foram mobilizadas, mas não conseguiram conter o congestionamento. Em meio ao caos, muitos fãs abandonaram os carros e seguiram a pé pela rodovia na tentativa de chegar ao evento. Outros sequer conseguiram.

Foto: Guilherme Freitas
Foi o caso do estudante Guilherme Freitas, de 21 anos, morador do Jardim Imá, região oeste da Capital. Ele, a namorada, seus pais e sua irmã, aguardavam ansiosamente pelo show, mas acabaram desistindo após horas presos no trânsito. Mesmo com o atraso para o início da apresentação, seria impossível chegar ao autódromo a tempo, pois, conforme o GPS, a família levaria mais de 1h para percorrer 11 quilômetros.
“A gente saiu de casa às 19h achando que pegaria trânsito, mas nada absurdo. Só que ficamos quatro horas praticamente parados, sem andar nem 4 quilômetros. Mesmo estando a cerca de 10 quilômetros do autódromo, não conseguimos chegar. Foi decepcionante”, relatou.
A família decidiu retornar para casa às 23h, sem conseguir sequer ultrapassar o viaduto Engenheiro Paulo Avelino de Rezende, na Avenida João Arinos, um dos principais acessos ao local do evento. Além da frustração, houve prejuízo financeiro. Segundo Guilherme, foram gastos R$ 165 apenas com a reserva de estacionamento, valor que se somou ao investimento nos ingressos.
“O sentimento é de indignação e tristeza. Era um sonho ver essa banda histórica com a minha família. Faltou responsabilidade dos organizadores e também da administração pública. Escolheram um local com apenas um acesso, sem planejamento”, criticou.
O estudante também chamou atenção para outro problema: a circulação de caminhões em meio à restrição anunciada. “A gente viu vários caminhões na João Arinos, o que travou ainda mais o trânsito. Isso prejudicou até quem não tinha nada a ver com o show, como trabalhadores no transporte coletivo”, afirmou.
Frustração! Guilherme e seus familiares não conseguiram chegar ao show – Imagens: Guilherme Freitas
A percepção de falha na fiscalização também foi destacada. “Vimos só uma viatura da PRF e uma da PM. Muito pouco para um evento desse tamanho”, completou.
O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade de Campo Grande em sediar grandes eventos. Para quem enfrentou o congestionamento, ficou a sensação de que a cidade ainda não está preparada, tanto em infraestrutura quanto em gestão, para suportar demandas dessa magnitude.
Até o momento não há informações oficiais sobre a extensão do congestionamento, vias afetada e demais problemas causados.
*Matéria em atualização
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