Campo Grande suspende imunização, mas segue sem casos de reações graves à vacina contra dengue

Crédito:  Paulo Pinto / Agência Brasil
Crédito: Paulo Pinto / Agência Brasil

Ao todo, 56 pessoas tiveram reações consideradas comuns, como dor local e sensação de mal-estar

 

Com 1.053 doses da vacina Butantan-DV contra a dengue aplicadas em Campo Grande, a cidade registrou 56 casos de reações adversas consideradas comuns, como dor no local de aplicação e sensação de mal-estar, mas, até o momento, segue sem relatos de pacientes com efeitos colaterais graves como vômito, febre e dor e sangramento. No entanto, mesmo sem casos do tipo, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) mantém a suspensão da imunização até que o Ministério da Saúde tenha novas orientações.

Em entrevista coletiva na manhã de quarta-feira (10), a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, ressaltou que, apesar dos 42 pacientes que apresentaram sintomas graves após a vacinação em diversas localidades do país, não há riscos de prejuízo para a saúde das pessoas que tomaram o imunizante há 21 dias ou mais. Por outro lado, para aquelas que foram imunizadas a menos tempo, a orientação é de que monitorem qualquer sintoma adverso.

“Quem tomou a vacina há mais 21 dias não há o que se preocupar, mas quem tomou recentemente e ainda não completou 20 dias precisa observar se há ou não sinais de alerta, como vômitos persistentes, sangramento, febre e dor abdominal. Se houver qualquer desses sintomas, é preciso procurar uma unidade de pronto atendimento”, afirmou.

Veruska ainda ressaltou que os casos notificados na Capital até o momento foram de pacientes que buscaram atendimento médico por apresentarem dor local e vermelhidão, reações comuns a qualquer vacinação.

“A gente orienta que não há necessidade de procurar atendimento médico quando é aquela dor local, porque realmente dá dor local, um pouco de desconforto e mal-estar no outro dia, mas são sintomas normais de qualquer vacina, desde os imunizantes para bebês até as vacinas para adultos”, afirmou.

Por outro lado, independente dos sintomas apresentados todos os casos são registrados para posterior avaliação e quando há situações incomuns, os pacientes passam por avaliação médica. Em todo o Brasil, 42 casos de reações adversas graves estão sendo investigados.

Segurança das vacinas

A suspensão da vacinação contra a dengue, anunciada na segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde, provocou diversos debates especialmente nas redes sociais em relação à segurança das vacinas, com a circulação de informações erradas e notícias falsas, o que aumenta ainda mais a desconfiança da população nos imunizantes.

Em relação ao tema, a superintendente reforçou a importância do combate à desinformação, uma vez que as pessoas tendem a perder a confiança nos equipamentos de saúde quando têm contato com conteúdos como as fake news.

“A vacina do Butantan é uma vacina extremamente segura e a gente vem torcendo muito tempo para ter uma vacina. A gente espera que o Instituto tenha uma solução mais rápida possível e que os 42 casos graves não tenham relação com a vacina. Existe uma suspeita e por isso que há toda essa medida, mas ainda não chegamos a uma conclusão”, pontuou.

Ainda segundo Veruska, a desinformação pode afetar não apenas a vacinação contra a dengue em caso de retorno da estratégia, mas também na cobertura vacinal de outras doenças, como a influenza, que está com vacinação disponível para toda a população nas unidades de saúde da Capital.

“A desinformação realmente acaba prejudicando muito o cenário das vacinas, então, a gente alerta toda a população que em caso de dúvidas busque orientação com profissionais da saúde. As vacinas são seguras e a da influenza, por exemplo, é utilizada há muito anos pelo SUS e nunca houve registro de reações adversas, além daquelas mais comuns”, afirmou.

Cenário epidemiológico

Sem notificações graves ou óbitos em razão da dengue há 5 anos, Campo Grande apresenta um cenário tranquilo em relação à arboviroses, após diversas epidemias da doença, que sempre se manifestavam com maior intensidade a cada 3 anos pelo menos.

“A gente considera o cenário bem tranquilo em relação à isso, mas as medidas sanitárias e o trabalho dos agentes de endemia continua sendo feito, assim como o monitoramento dos pacientes e notificações dos casos”, declarou Veruska.

Ainda segundo a superintendente, a Capital tem mil casos notificados, dos quais a quantidade de positivos para dengue não alcançam 50 pacientes infectados.

Por Ana Clara Julião

 

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