Caminhonetes e carros populares lideram roubos em MS; quadrilhas ampliam uso de tecnologia

Foto:  Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Modelos populares e caminhonetes seguem entre os principais alvos de criminosos em Mato Grosso do Sul, impulsionados pelo mercado clandestino de peças, facilidade de revenda e atuação de quadrilhas especializadas. Nesta quarta-feira (7), a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a operação “Fenda Digital”, que revelou um esquema criminoso especializado no furto de camionetes, principalmente Toyota Hilux e SW4, na região sul do Estado.

As investigações apontaram que o grupo utilizava ferramentas simples para acessar os veículos sem acionar alarmes e, posteriormente, empregava decodificadores digitais para dar partida nas caminhonetes. Após os furtos, os veículos eram levados ao Paraguai, indicando atuação transnacional da quadrilha.

Levantamento do IVR (Índice de Veículos Roubados), da Susep (Superintendência de Seguros Privados), mostra que caminhonetes e carros populares lideram os registros de roubos e furtos no Estado. O modelo mais visado é a GM Chevrolet S-10, seguida da Toyota Hilux, Hyundai HB20 e Volkswagen Gol 1.0.

O ranking ainda inclui veículos como Fiat Strada, GM Chevrolet Onix, Toyota Corolla e Jeep Compass, reforçando a presença de utilitários, SUVs e modelos de grande circulação entre os principais alvos de criminosos. Os dados foram elaborados com base nos registros mais recentes disponíveis no portal oficial da Susep, consultados em abril de 2026.

Seguros, rastreadores e tecnologia ganham espaço

O roubo e furto de veículos impulsionou a procura por seguros, rastreadores e sistemas de monitoramento. Segundo especialistas do setor ouvidos pelo O Estado, carros populares continuam liderando a busca por proteção em até 70%, mas SUVs e caminhonetes passaram a preocupar cada vez mais os proprietários devido ao alto valor agregado e à atuação de quadrilhas especializadas.

Para o corretor de seguros André Luiz Pires Ramos, modelos populares seguem entre os mais procurados para contratação de cobertura contra roubo e furto. “Hoje percebemos uma procura muito grande pelos veículos populares, principalmente porque são carros que têm grande circulação e acabam sendo mais visados para desmanche e venda ilegal de peças. Modelos como Onix, HB20, Gol e Argo aparecem bastante na contratação de seguros”, afirma.

Segundo ele, nos últimos anos houve mudança no perfil da preocupação dos clientes. “Veículos como Compass, Hilux, SW4 e Kicks passaram a chamar muita atenção, principalmente pelo alto valor agregado. O cliente hoje não quer apenas proteger o patrimônio. Ele quer tranquilidade”.

Ramos afirma que a procura por seguros com rastreamento, monitoramento e bloqueadores aumentou mais de 20% nos últimos anos. “Depois da pandemia e também do aumento do valor dos veículos, as pessoas passaram a enxergar o seguro de uma forma diferente. Antes muitos clientes viam o seguro como um gasto. Hoje entendem como proteção financeira e segurança familiar”, explica.

O especialista também aponta que os criminosos estão cada vez mais tecnológicos e conseguem agir rapidamente em veículos com sistemas mais vulneráveis. “Hoje os criminosos conseguem agir muito rápido quando o carro não possui imobilizador, chave codificada ou algum sistema adicional de segurança”, alerta.

Entre as tecnologias que mais dificultam a ação criminosa estão rastreamento em tempo real, bloqueadores, aplicativos de monitoramento e sistemas inteligentes de alerta. “O rastreador deixou de ser algo opcional para muitos perfis e passou a ser praticamente uma necessidade”.

Apesar dos SUVs terem avançado nas estatísticas, os carros populares ainda concentram grande parte dos casos. “Os populares ainda lideram em quantidade, justamente porque existem muitos nas ruas e as peças têm saída rápida. Mas os SUVs cresceram bastante nas estatísticas. As quadrilhas hoje estão mais especializadas e procuram veículos de maior valor”, afirma.

O corretor reforça que a combinação entre tecnologia, seguro e hábitos preventivos é fundamental para reduzir os riscos.
“A melhor proteção é a combinação de segurança. Seguro, rastreador e prevenção precisam andar juntos”.

Além das seguradoras tradicionais, a demanda impulsionou a procura por associações e cooperativas de proteção veicular. Segundo Ricardo de Freitas, gerente da Unique Proteção Veicular, o setor vem expandindo espaço nos últimos anos, principalmente pela procura por serviços mais acessíveis e menos burocráticos.

“A área associativa e cooperativa vem crescendo muito nos últimos sete anos. Muitos clientes procuram praticidade, mensalidades mais acessíveis e opções que as seguradoras tradicionais nem sempre oferecem”, afirma.

Segundo ele, a proteção veicular tem atraído principalmente proprietários de carros mais antigos, veículos de leilão e modelos que, em alguns casos, enfrentam restrições nas seguradoras convencionais. “Hoje conseguimos atender veículos a partir do ano 2000, inclusive alguns que seguradoras não aceitam”, explica.

A empresa possui atualmente cerca de 2,5 mil veículos ativos apenas em Campo Grande. De acordo com Defreitas, aproximadamente 70% dos clientes possuem carros populares, embora a procura por veículos de maior valor também esteja crescendo. “A maior parte ainda é de carros populares, mas atendemos desde motos pequenas até caminhonetes e veículos acima de R$250 mil”.

Segundo o gerente, o aumento da criminalidade também ampliou a procura por rastreamento e monitoramento. Na cooperativa, rastreadores já são obrigatórios para caminhonetes e veículos a diesel. “Hoje o cliente procura muito mais segurança e monitoramento. Além da proteção principal, oferecemos rastreador e tecnologias de acompanhamento em tempo real”.

De acordo com a Polícia Civil, medidas simples podem ajudar a reduzir os riscos, como evitar estacionar em locais isolados e mal iluminados, não deixar objetos visíveis dentro do carro, utilizar dispositivos de segurança e manter atenção redobrada em semáforos e na chegada à residência.

Operação “Fenda Digital”

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta quarta-feira (7) a operação “Fenda Digital”, com foco na desarticulação de uma associação criminosa especializada no furto de caminhonetes Toyota Hilux e Toyota SW4 na região sul do Estado. As investigações apontam que os veículos furtados eram levados para o Paraguai, indicando atuação transnacional do grupo.

Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam uma combinação de ferramentas simples e tecnologia digital para praticar os furtos. O grupo explorava vulnerabilidades no sistema de abertura dos veículos com o uso de chave de fenda e, posteriormente, empregava decodificadores digitais para dar partida nas caminhonetes, método que inspirou o nome da operação.

A ofensiva mobilizou mais de 70 agentes de segurança pública em ações simultâneas em Mundo Novo, Naviraí e Guaíra (PR). Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão, três mandados de busca e apreensão de adolescentes e dez mandados de busca domiciliar.

Durante a operação, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, drogas, arma de fogo, munições e outros materiais de interesse para a investigação. A ação contou com apoio da PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal), DOF e da CGPA (Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo).

Por Geane Beserra

 

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