Apreensões superam R$ 5 milhões e retiram 10 mil itens irregulares de circulação em MS

À esquerda, alguns dos produtos apreendidos; à direita, algumas das opções anunciadas  - Foto: reprodução e internet
À esquerda, alguns dos produtos apreendidos; à direita, algumas das opções anunciadas - Foto: reprodução e internet

Mercado clandestino desafia autoridades com anúncios explícitos e entregas grátis pelas redes sociais

 

A busca desenfreada pelo emagrecimento rápido tem alimentado um mercado clandestino milionário e perigoso em Mato Grosso do Sul. Em apenas 20 dias, a Operação Visa-Protege, coordenada pela Vigilância Sanitária Estadual, apreendeu quase 10 mil itens irregulares, somando um prejuízo de mais de R$ 5 milhões ao crime organizado.

Entre os materiais recolhidos estão medicamentos sem registro, anabolizantes e substâncias falsificadas. O destaque negativo fica Polícia para as “canetas emagrecedoras”: foram 6.085 unidades contendo tirzepatida e retatrutida, substâncias que não possuem autorização de venda no Brasil. Também foram confiscadas 2.265 unidades do “Harp 100”, um suposto fitoterápico considerado irregular pela Anvisa.

Explosão de apreensões

Dados da Receita Federal em Mato Grosso do Sul revelam um salto alarmante no interesse por esses produtos. Enquanto em 2024 as apreensões somaram R$ 18 mil (141 unidades), o ano de 2025 fechou com um montante de R$ 3,9 milhões (4.707 unidades) — um crescimento exponencial que reflete a popularidade perigosa de marcas como Lipoless e TG.

Prisão em Miranda

Nesta quinta-feira (26), a Polícia Civil de Miranda prendeu em flagrante um homem de 30 anos, por venda ilegal de medicamentos. Após denúncias anônimas ao Ministério Público, a polícia encontrou na residência do suspeito frascos de tirzepatida, anabolizantes, agulhas e seringas.

O investigado utilizava as redes sociais para atrair clientes, ignorando os riscos à saúde. Ele foi autuado pelo Artigo 273 do Código Penal, que prevê penas severas para quem falsifica ou altera produtos destinados a fins medicinais.

“A compra desses medicamentos sem procedência pode provocar problemas graves de saúde e até a morte. O armazenamento é clandestino e não segue padrões de segurança”, alerta a Polícia Civil.

“balcão de negócios” digital

A reportagem identificou que o crime se ramifica facilmente pela internet. Em anúncios em redes sociais e aplicativos de mensagem, vendedores oferecem doses de Tirzepatida por valores entre R$ 550 e R$ 650, aceitando cartão de crédito e oferecendo entrega grátis.

Com promessas de “perda de 3 a 7 kg por ampola” e frases de efeito como “não é milagre, é estratégia”, os criminosos tentam conferir uma falsa imagem de profissionalismo a produtos que entram ilegalmente no país e podem ser fatais se utilizados sem acompanhamento médico rigoroso.

 

Por Michelly Perez

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