Reencontros, amizades e amor marcam o Dia dos Namorados, com direito à telona

Hellen e Edvan e Carolina e Thalita
Hellen e Edvan e Carolina e Thalita

Para o jornal O Estado, três casais relatam como trilharam o caminho do amor ao longo do tempo

Nesta sexta-feira (12), quem está solteiro pode passar longe dos restaurantes, redes sociais e até mesmo do cinema, porque a data é deles: Dia dos Namorados. Em meio às celebrações juninas (e até da Copa do Mundo), uma rede de cinemas de Campo Grande anunciou o relançamento de clássicos das comédias românticas para quem quer curtir a data ao lado do ‘mozão’.

Os filmes escolhidos marcaram o gênero nos anos 2000 e oferecem uma alternativa mais nostálgica e até mesmo mais ‘fora da caixinha’ para quem está em dúvida sobre como celebrar a data. A programação reúne títulos de sucesso: “O amor não tira férias”, “Um lugar chamado Notting Hill”, “Antes do Amanhecer” e “Diário de Uma Paixão”. Um pouco de tudo para quem gosta de ver romances nas telas.

Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995): clássico filme de romance e drama dirigido por Richard Linklater. A trama acompanha Jesse, um jovem americano, e Céline, uma francesa, que se conhecem em um trem e decidem descer juntos em Viena, compartilhando uma noite inesquecível de conversas e descobertas.

O Amor Não Tira Férias (The Holiday): clássica comédia romântica de 2006 escrita e dirigida por Nancy Meyers. A trama acompanha duas mulheres desiludidas amorosamente que trocam de casa durante as festas de fim de ano, encontrando novos romances em cenários completamente diferentes.

Um Lugar Chamado Notting Hill (1999): comédia romântica clássica que acompanha o pacato dono de uma livraria britânico e uma estrela de cinema americana que se apaixonam.

Diário de uma Paixão (The Notebook): drama romântico de 2004 dirigido por Nick Cassavetes, baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks. O filme alterna entre o presente e o passado para contar a emocionante história de amor entre um jovem casal nos anos 1940.

Quando o amor sai das telas

O relacionamento de Júlia e Gustavo (nomes fictícios) começou como uma amizade, durante o curso de jovem aprendiz. “Nos conhecemos no curso de jovem aprendiz sobre vendas; eu, com 17 anos, no primeiro ano da faculdade, e ele, com 16 anos, ainda no ensino médio. Durante o período de curso, éramos de grupos diferentes; eu ficava com a galera da frente, os ‘nerds’, e ele com a turma do fundão”, relembra Júlia.

Após sair do curso e interromper contato com Gustavo, uma amiga em comum, por meio de um grupo de WhatsApp, foi responsável por unir os dois novamente. Foi ai que uma amizade surgiu entre o casal, porém Gustavo ainda era comprometido. Um ano e meio depois, o relacionamento dele teve fim, momento em que se aproximou novamente de Júlia.

“Nesse período começamos a ter algo, mas concordamos que não era um relacionamento, ninguém queria se envolver daquele jeito. Depois de um bom tempo, em algum momento que até hoje eu não sei qual, ele se apaixonou e queria namorar de todo jeito. Eu relutei muito, não queria; como boa aquariana, gosto de ser livre! Ele, ariano persistente, foi naquele ditado: ‘água mole em pedra dura tanto bate até que fura’. Aceitei namorar com ele, gostava, tinha carinho, mas ainda não amava. Tinha medo de que um relacionamento pudesse estragar a nossa relação como amigos”, conta.

Mesmo com o receio, a tentativa deu “quase” certo. Os dois namoraram por quatro anos, período em que cresceram e amadureceram juntos. Porém, um trabalho afastou os dois e a distância geográfica falou mais alto, e o casal acabou se separando. Mas o amor bateu na porta novamente, quase um ano depois.

“Quase um ano depois, ele queria dar um presente de aniversário para a minha irmã, por quem tinha muito carinho, e me pediu ajuda. No meio disso, ele confessou que ainda me amava, que ninguém iria conseguir ocupar o espaço que é meu dentro do coração dele. Eu fiquei bem mexida. Com muita conversa, tentativas de reconciliação, idas e vindas, nós reatamos. Foi muito difícil esse recomeço. Por fim, conseguimos nos reconciliar de fato. Ficamos juntos por mais dois anos e pouco. Até que ele recebeu uma proposta de trabalho para fora do estado (MS), e ele aceitou e me chamou para vir junto. Eu aceitei. Agora estamos juntos. No meio de idas e vindas, são mais ou menos 8 anos juntos”.

Lá no Orkut

Sim, foi pelo falecido Orkut, rede social dos millennials, que Edvan e Hellen se reencontraram. “Nos reencontramos na sala de bate-papo e ficamos cinco meses conversando até nos encontrarmos pela primeira vez. Mas, quando eu encontrei ele que na época não tinha essa questão de celular, etc., eu dei um beijo nele e dei maior fora nele. Porém, permanecemos amigos inseparáveis”.

A amizade permaneceu entre os dois, mas Hellen seguiu outro caminho no amor e se casou. Depois de 23 anos sem se falarem, Edvan voltou a procurar Hellen, munido da paixão que sentia e por uma tragédia.

“Ele reencontrou minha irmã na internet, disse que estava me procurando. Nossa história é engraçada porque ele foi o amigo que ia comigo em encontros, que me carregava para todo lado antes, pegava no meu pé em festas. Estava sempre do meu lado e nunca dei a chance. Sofri um acidente e fiquei viúva, e ele sentiu na pele que queria me ver”.

Depois do reencontro dos dois, Hellen relata que sentiu que sempre era para ter sido ele. “Nos conhecemos quando eu tinha 14 e ele tinha 17 anos. Nós falávamos horas no telefone público ou pelo computador. Agora, vamos nos casar em dezembro.”

Primeiro amor

Thalita e Carolina se conheceram entre 2015 e 2016, período em que ambas estudavam em Corumbá (MS). Ela conta que Carol, mineira de origem, passou a infância na cidade e que os dois tiveram contato ainda no ambiente escolar. “Quando me formei em 2016, ela entrou no IFMS como caloura. Na época eu tinha 18 anos e ela 15, então só a via como amiga”, relembra. As conversas aconteciam principalmente pelo Facebook, sem que houvesse um relacionamento além da amizade.

Mais tarde, Thalita se mudou para Campo Grande para cursar veterinária, mas afirma que a pandemia afetou sua trajetória acadêmica. “A pandemia me deixou doente e atrasou a formação”, diz. Nesse período, Carol ingressou no curso de jornalismo e também se mudou para a capital sul-mato-grossense. Apesar de estudarem na mesma cidade, as duas quase não se encontravam. “O curso de veterinária é isolado do de jornalismo, então quase nunca nos cruzávamos”, afirma. Segundo ela, o contato também não era mantido pelas redes sociais, a ponto de não saber como estava a vida da antiga amiga.

“Em setembro nos reencontramos na FAMEZ (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia) da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul); eu reconheci a Carol, que ficou vermelha ao me ver. Conversamos e ela revelou que eu fui a primeira menina por quem ela se apaixonou, algo que eu já suspeitava. Apesar da sintonia, enfrentamos a rejeição da mãe dela, que trouxe um período caótico e cheio de traumas familiares, como acontece com muitos casais LGBT. Agora, em 24 de outubro, completaremos três anos juntos”.

Com três anos de relacionamento, em maio deste ano Thalita e Carol renovaram os votos da relação que construíram “O relacionamento passou do amor jovem para algo mais maduro, e agora falamos de futuro — casamento, viagens pelo mundo e outros planos”.

Serviço: Os filmes estarão disponíveis na rede Cinemark. Horários e salas poderão ser conferidos no site da rede ou pelo ingresso.com.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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