‘Prosas Festival’ leva literatura ao bairro Noroeste no mês do livro, com escritores renomados e contação histórias

Programação reúne os autores Gleycielli Nonato, Sarah Muricy e Febraro de Oliveira, além da produtora cultural Ana Carolina Triches (foto) e outras atrações - Foto: Manu Komiyama
Programação reúne os autores Gleycielli Nonato, Sarah Muricy e Febraro de Oliveira, além da produtora cultural Ana Carolina Triches (foto) e outras atrações - Foto: Manu Komiyama

Entre palavras que correm como água e histórias que atravessam territórios, Campo Grande recebe a primeira edição do ´Prosas Festival´, nesta quinta (23) e sexta-feira (24). A iniciativa leva a literatura sul-mato-grossense ao bairro Noroeste, com foco no incentivo à leitura e na democratização do acesso à cultura.

O projeto conta com incentivo da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), pela FUNDAC (Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande) e Prefeitura Municipal de Campo Grande via Governo Federal e Ministério da Cultura.

Idealizado pela bibliotecária e produtora cultural Ana Carolina Triches, o Festival se inspira nas nascentes dos córregos que atravessam Campo Grande, propondo um fluxo que faz brotar, nos espaços públicos, o interesse pela leitura e a valorização da literatura local. Em sua etimologia, ´prosas´ remete a uma escrita livre e direta, que flui sem se prender a estruturas; como a água, que sempre encontra caminhos.

“O projeto busca difundir a literatura sul-mato-grossense e seus fazedores nos espaços públicos e educacionais da capital, criando ambientes propícios à leitura, à troca de saberes e à construção de conhecimento. Além disso, almeja incentivar a formação de novos leitores e fomentar a economia criativa do território. Ao valorizar e incluir na programação autores, autoras e artistas de MS, a iniciativa promove a inclusão e a democratização do acesso à cultura, especialmente nas comunidades periféricas da capital”, destaca Ana.

Primeira edição acontece na região do Noroeste

O bairro Noroeste foi escolhido para sediar a primeira edição do ´Prosas Festival´. Conforme a idealizadora, essa escolha vem da necessidade de ampliar o acesso de crianças e adolescentes dessa região às ações culturais e educacionais, reduzindo barreiras físicas e linguísticas e fortalecendo o contato com a literatura: “Entendemos que esse movimento também contribui para o desenvolvimento de um pensamento mais crítico e sensível entre os participantes”.

Ainda segundo Ana, esse território enfrenta limitações estruturais no acesso à cultura: “O Noroeste conta com apenas uma biblioteca comunitária. É uma região com mais de 80 mil habitantes, que convive com desafios de infraestrutura e desigualdades socioeconômicas, mas que também resiste e produz cultura”.

Gleycielli Nonato, Sarah Muricy e Febraro de Oliveira

A programação nasceu a partir de ações pedagógicas alinhadas ao conceito do Festival, como explica a coordenadora pedagógica Marcus Perez: “A água como essa coisa que insiste, que contorna obstáculos, que chega em alguns lugares, foi o nosso ponto de partida pra pensar uma palavra que alcança um território que ainda é pouco acessível em relação a literatura. A escolha de autores e autoras locais reforça essa travessia. Como na ideia de que a água sempre encontra seu percurso, o festival aposta na oralidade e na potência dessas vozes para alcançar um território fértil, pronto para ser atravessado pela palavra”.

Gleycielli Nonato, indígena do Povo Guató do Pantanal, escritora, contadora de histórias indígenas, atriz, radialista e professora de História da Arte, traz a ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´. A contação de histórias indígenas convida o público infantil a mergulhar num universo de encantamento, memória e resistência, a partir de narrativas inspiradas em suas obras autorais: ´Vila Pequena´, ´A Revolução de Cati Guató´ e ´Corixo dos Bichos´.

A escritora Sarah Muricy realiza a ´Oficina Escrita de si em prosa´, uma jornada prática voltada para quem deseja explorar a própria história através da narrativa literária. O encontro busca desmistificar a ideia de que a escrita autobiográfica é apenas um registro factual, apresentando-a como uma ferramenta de criação artística e autoconhecimento. Diferente de uma biografia tradicional, a oficina foca na prosa sensível. Os participantes serão guiados por exercícios que ajudam a transformar vivências, fragmentos de memória e o cotidiano em textos com fôlego literário.

O escritor, poeta, performer e professor de escrita literária, Febraro de Oliveira apresenta a ´Oficina de escrita para criança invocada´. Qual a diferença entre um texto e uma bagunça? Qual história, contada por nossos avós, se transforma em outra história quando passa pela nossa voz? Nesta oficina, crianças invocadas serão convidadas a brincar com palavras, memórias, personagens, exageros e invenções, descobrindo que escrever também pode ser desobedecer um pouco: mudar o começo, trocar o final, criar mundos tortos, dar voz às coisas, lembrar das ruas em que caímos e transformar literatura em bagunça.

Como ação de contrapartida, o projeto realiza no dia 02 de maio, às 10 horas, uma mediação artística para professores da rede pública de ensino, com Kelly Queiroz, na Hámor Livraria. A inscrição é gratuita e pode ser feita por este link. Acompanhe todas as ações do projeto pelo Instagram @prosasfestival.

Confira a programação:

23 de abril (quinta-feira):

Escola Municipal Senador Rachid Saldanha Derzi

9h30: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato e ´Oficina de escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira.

15h30: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato e ´Oficina de escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira.

24 de abril (sexta-feira):

CRAS Jardim Noroeste – Hercules Mandetta

8h: abertura oficial do Festival.

8h15: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato, aberta para o público em geral.

9h15: ´Oficina de escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira e ´Oficina Escrita de si em prosa´, com Sarah Muricy.

 

Por Carolina Rampi

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