A trajetória de um dos nomes mais influentes da música mundial chega às salas de cinema brasileiras nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026. A produção “Michael”, dirigida por Antoine Fuqua e com roteiro de John Logan, resgata a história do artista conhecido globalmente como o Rei do Pop, combinando elementos de drama, biografia e musical ao longo de 2 horas e 8 minutos.
Logo nas primeiras exibições, o interesse do público já se mostrou expressivo. Na pré-estreia realizada em Campo Grande (MS), as salas registraram cerca de 90% de ocupação, antecipando a alta procura que marca a estreia nacional. Com sessões distribuídas por todo o país, a expectativa é de que fãs e curiosos lotem os cinemas em busca de uma experiência imersiva na vida de Michael Jackson.
Estrelado por Jaafar Jackson, ao lado de Colman Domingo e Nia Long, o longa acompanha desde os primeiros passos do cantor à frente do Jackson Five até sua consolidação como um fenômeno cultural de alcance global. A narrativa explora não apenas o sucesso nos palcos, mas também os bastidores de sua trajetória, evidenciando decisões, desafios e ambições que moldaram sua carreira.

Foto: Lionsgate/Divulgação
Produção
A cinebiografia “Michael”, uma produção da Lionsgate em parceria com a Universal Pictures, reúne um elenco central que aposta na fidelidade à história do ícone da música. Jaafar Jackson assume o papel principal, acompanhado por Juliano Krue Valdi na versão jovem do artista, além de Colman Domingo como Joe Jackson e Nia Long no papel de Katherine Jackson. Nos bastidores, a produção conta com nomes experientes como Graham King, conhecido por (Bohemian Rhapsody), além de John Branca e John McClain, que reforçam o peso do projeto.
Para interpretar o tio no cinema, Jaafar Jackson encarou uma rotina de preparação descrita como extremamente exigente. Segundo informações do site In Touch, ele se dedicou a treinamentos intensivos que incluíram canto, dança e atuação, com o objetivo de captar de forma fiel os movimentos e a energia de palco do Rei do Pop.Em conversa com a revista Interview, o ator (em seu primeiro grande papel) revelou ainda que a própria família só tomou conhecimento de sua participação quando o projeto já se encontrava em fase avançada de produção.

Foto: Lionsgate/Divulgação
O orçamento do filme passou por revisão após mudanças na produção. O filme precisou ser regravado em algumas partes. De acordo com fontes da indústria ouvidas por veículos especializados, os custos extras com novas filmagens chegaram a cerca de US$ 15 milhões (aproximadamente R$76 milhões), somando-se ao valor inicial estimado em US$ 155 milhões (cerca de R$790 milhões).
A necessidade de refilmagens ocorreu por questões legais envolvendo o conteúdo do roteiro. A produção previa abordar acusações de abuso infantil, escandalo que ganhou conta na década de 1990, incluindo a menção a Jordan Chandler, mas advogados do espólio de Michael Jackson identificaram uma cláusula de um acordo firmado em 1994 que impede qualquer representação do caso em obras audiovisuais. Com isso, cenas já gravadas foram descartadas, e o diretor Fuqua, ao lado do roteirista John Logan, realizou 22 dias adicionais de filmagens em Los Angeles para desenvolver um novo desfecho.
Briga familiar
O lançamento da cinebiografia “Michael” é acompanhado por um conflito público entre Paris Jackson e os responsáveis pelo espólio do cantor, John Branca e John McClain. A herdeira classificou o filme como problemático e criticou decisões da produção, incluindo os custos com refilmagens após entraves legais e a escolha de Miles Teller para interpretar Branca.
Segundo ela, parte dos gastos não teria justificativa financeira. Em resposta, representantes do espólio afirmaram que Paris demonstra desconhecimento sobre o funcionamento da indústria cinematográfica e citaram valores já recebidos por ela ao longo dos anos.
Enquanto Paris cobra maior transparência, Branca e McClain defendem autonomia nas decisões e destacam resultados financeiros obtidos. Paralelamente, a cantora Janet Jackson não integra a narrativa do filme. De acordo com o TMZ, ela foi convidada a colaborar, mas recusou, e após assistir a uma exibição privada, fez críticas ao longa, o que teria provocado um desentendimento com Jermaine Jackson, pai de Jaafar Jackson.

Foto: Lionsgate/Divulgação
Crítica
Assisti à cinebiografia “Michael” na pré-estreia de terça-feira (21) e saí da sessão com impressões divididas. Como fã, reconheço méritos claros, principalmente na atuação de Jaafar Jackson, que sustenta grande parte do filme. Em várias cenas, especialmente na recriação de “Thriller”, a semelhança com Michael Jackson impressiona, não só pela dança, mas pela forma como ele expressa emoções com o olhar e a postura em cena.
Ao mesmo tempo, senti falta de maior aprofundamento em momentos importantes da trajetória pessoal. A narrativa apresenta o artista como alguém sensível e conciliador, mas deixa de explorar com mais cuidado conflitos familiares relevantes, como a saída da Motown Records e a separação de Jermaine Jackson do grupo, que tiveram impacto significativo em sua vida.

Foto: Lionsgate/Divulgação
Senti falta de um olhar mais aprofundado sobre Thriller e o processo que levou Michael Jackson a consolidá-lo como um projeto ambicioso, especialmente após os desafios enfrentados em Off the Wall. O filme menciona esse período, mas não desenvolve com clareza a dimensão criativa e estratégica que marcou essa fase decisiva da carreira.
A narrativa também enfatiza a relação do artista com a família, mostrando como ele esteve, por muito tempo, condicionado a esse ambiente e às decisões impostas por Joe Jackson. Ao longo do filme, fica evidente o esforço de Michael para buscar autonomia e conduzir a própria trajetória, movimento que ganha força especialmente durante a Victory Tour, apresentada como um ponto de transição nesse processo.
Colman Domingo entrega um Joe Jackson duro e controlador, enquanto Katherine Jackson aparece de forma mais limitada e como vítima dos abusos pelo pai. Também considero que o filme simplifica questões pessoais importantes, como a cirurgia no nariz e o vitiligo, tratados de maneira superficial. Além disso, me chamou atenção a ausência de Diana Ross, que teve papel relevante na formação artística de Michael e não é sequer mencionada.

Foto: Lionsgate/Divulgação
Apesar dessas ressalvas, o filme acerta ao destacar o impacto cultural e a dimensão humana do artista, além de recriar momentos marcantes como o “Motown 25”. A recepção crítica tem sido baixa ( no Rotten Tomatoes, a aprovação está abaixo da média), mas, pessoalmente, a experiência foi emocional. O filme já possui a confirmação de uma continuação para contar o restante da carreira do ídolo pop.Em geral,o filme é um retrato que não dá conta de toda a complexidade, mas ainda assim envolve e funciona para quem entra na sessão disposto a acompanhar essa história.
Por Amanda Ferreira
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram
Leia mais
Festival América do Sul 2026 transforma Corumbá em território de encontros, arte e travessia